EUA ameaçaram suspender partilha de informação com a Ucrânia após ataques a refinarias russas
Serviços de inteligência norte-americanos avisaram a embaixada da Ucrânia em Washington de que os Estados Unidos suspenderiam de imediato a partilha de informação caso as forças ucranianas continuassem a atacar infraestruturas energéticas russas. A ameaça coincidiu com ataques russos com mísseis balísticos contra Kiev que terão ocorrido sem aviso prévio dos parceiros, e com restrições inesperadas ao serviço de comunicações por satélite Starshield utilizado por drones ucranianos.
Pontos principais
- Serviços secretos dos EUA avisaram a embaixada ucraniana em Washington de que suspenderia a partilha de informação se houvesse mais ataques a refinarias russas.
- A partilha de informação não foi interrompida na totalidade, mas a ameaça mantém-se em vigor, segundo a fonte citada pelo The Washington Post.
- Volodymyr Zelensky confirmou que a Casa Branca avisou Kiev sobre uma possível suspensão da cooperação em caso de ataques a refinarias.
- A 11 de outubro, Donald Trump anunciou na Truth Social um «cessar-fogo energético» entre a Rússia e a Ucrânia do qual nenhum dos lados tinha conhecimento prévio.
- Nos dias 12 e 13 de outubro, a Rússia atacou Kiev com mísseis balísticos sem aviso prévio dos parceiros à defesa antiaérea ucraniana.
- Militares ucranianos depararam-se com restrições súbitas no sistema de comunicações por satélite Starshield da SpaceX, afetando a operação de drones.
- Não há confirmação oficial de que as limitações ao Starshield estejam ligadas às ameaças norte-americanas de suspender a partilha de informação.
Porque é importante
A ameaça norte-americana afeta diretamente a capacidade da Ucrânia de se defender contra ataques russos, como demonstram os lançamentos de mísseis balísticos contra Kiev em 12 e 13 de outubro que terão chegado sem aviso prévio dos parceiros. Liga ainda o anúncio do «cessar-fogo energético» de Trump a uma pressão concreta sobre Kiev para travar os ataques de longo alcance contra refinarias russas, num momento em que as forças ucranianas também enfrentaram restrições inesperadas nas comunicações por satélite Starshield utilizadas por drones. Por último, a contradição pública de Trump, ao garantir que a partilha continuaria, evidencia uma incoerência interna na mensagem dos Estados Unidos.
O que aconteceu
Serviços de inteligência norte-americanos avisaram a embaixada da Ucrânia em Washington de que os Estados Unidos suspenderiam de imediato a partilha de informação caso as forças ucranianas prosseguissem ataques a refinarias e outras infraestruturas energéticas russas. O alerta, segundo uma fonte ouvida pelo The Washington Post, foi tão abrangente que praticamente todas as pessoas com apelido de sonoridade ucraniana terão recebido um contacto. A partilha de informação não foi interrompida na totalidade, mas a ameaça mantém-se em vigor. O presidente Volodymyr Zelensky confirmou que a Casa Branca alertou Kiev para uma eventual suspensão da cooperação. Donald Trump afirmou, no entanto, que a transferência de informação continuaria. A 11 de outubro, Trump tinha anunciado na Truth Social um «cessar-fogo energético» entre a Rússia e a Ucrânia, do qual nenhuma das partes tinha sido informada. Em 12 e 13 de outubro, a Rússia lançou ataques massivos com mísseis balísticos contra Kiev, região de Kiev e Kharkiv que atingiram infraestruturas energéticas e terão ocorrido sem aviso prévio dos parceiros à defesa antiaérea. Militares ucranianos depararam-se igualmente com restrições súbitas no sistema Starshield da SpaceX, afetando a operação de drones, embora não haja confirmação oficial de uma ligação às ameaças de Washington. Entre os destinatários das ameaças estiveram o comandante-em-chefe das Forças Armadas ucranianas, Mikhailo Drapatyi, e o vice-chefe do escritório presidencial, Pavlo Palisa.
Onde as versões divergem
A 14 de outubro, Moscovo acusou Kiev de novos ataques a duas refinarias russas, acusação que o conselheiro de comunicações de Zelensky, Dmytro Lytvyn, negou. De acordo com a fonte ouvida pelo The Washington Post, os avisos norte-americanos foram tão abrangentes que praticamente todas as pessoas com apelido de sonoridade ucraniana receberam um contacto, o que sugere uma amplitude invulgar das comunicações.
Contexto
A 11 de outubro, Trump anunciou na Truth Social um «cessar-fogo energético» entre a Rússia e a Ucrânia que, segundo a mesma publicação, nenhuma das partes conhecia previamente. A Rússia continuou a atacar instalações energéticas ucranianas após esse anúncio. A 14 de outubro, Moscovo acusou Kiev de novos ataques a duas refinarias russas, alegação que o conselheiro de Zelensky, Dmytro Lytvyn, desmentiu.