Ucrânia ficou sem mísseis interceptores Patriot após ataque russo que atingiu três centrais elétricas em Kiev
A Ucrânia esgotou totalmente as suas reservas de mísseis interceptores para os sistemas de defesa antiaérea Patriot norte-americanos, segundo uma fonte citada pela CNN. O anúncio surge na sequência de um ataque noturno russo com mísseis balísticos que atingiu três centrais térmicas em Kiev e infraestruturas energéticas em Kharkiv, tendo provocado quatro mortos e 25 feridos na capital. O Presidente Volodymyr Zelensky voltou a apelar aos Estados Unidos para o envio de pacotes adicionais de mísseis para Patriot, enquanto uma licença de produção atribuída a Kiev continua por concretizar desde julho.
Pontos principais
- A Ucrânia esgotou totalmente as reservas de mísseis interceptores para os sistemas Patriot norte-americanos, de acordo com uma fonte ouvida pela CNN.
- No ataque noturno de quarta-feira (14 de outubro), mísseis balísticos russos atingiram três centrais térmicas em Kiev e infraestruturas energéticas em Kharkiv, matando quatro pessoas e ferindo 25 em Kiev.
- Segundo a CNN, quase todos os mísseis balísticos russos do último ataque não foram intercetados devido à falta de interceptores Patriot.
- Zelensky afirmou que a Ucrânia recebeu três vezes menos mísseis para defesa antibalística este ano do que no anterior, e que precisa de 100 a 120 mísseis Patriot por mês durante o inverno.
- A Ucrânia continua sem licença norte-americana para produzir mísseis Patriot, questão pendente desde julho; o Presidente Donald Trump recusa-se a confirmar se a concederá.
Porque é importante
Sem interceptores, a Ucrânia fica incapaz de defender cidades e infraestruturas energéticas contra os mísseis balísticos russos, e o ataque de 14 de outubro em Kiev — três centrais térmicas atingidas, quatro mortos e 25 feridos — ilustra o custo humano imediato dessa escassez. Zelensky estima que Kiev necessitaria de 100 a 120 mísseis Patriot por mês para passar o inverno, num contexto em que as entregas este ano já correm a um terço do ritmo do ano anterior. A licença norte-americana para produção interna, pendente desde julho, e a recusa norte-americana em fornecer 300 mísseis adicionais expõem uma fricção material na relação militar Kiev–Washington.
O que aconteceu
A CNN noticiou, com base numa fonte familiarizada com a situação, que a Ucrânia esgotou por completo as suas reservas de mísseis interceptores para os sistemas de defesa antiaérea Patriot norte-americanos. A informação foi conhecida poucas horas depois de um ataque noturno russo de 14 de outubro, durante o qual mísseis balísticos atingiram três centrais térmicas em Kiev e instalações energéticas em Kharkiv; em Kiev morreram quatro pessoas e 25 ficaram feridas. Segundo a mesma fonte, quase todos os mísseis balísticos desse ataque não foram intercetados devido à ausência de interceptores Patriot. O Presidente Volodymyr Zelensky reiterou publicamente o pedido de pacotes adicionais de mísseis para Patriot aos Estados Unidos e lembrou que a Ucrânia recebeu este ano três vezes menos mísseis para defesa antibalística do que no anterior, precisando, segundo afirmou, de 100 a 120 mísseis por mês durante o inverno.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A comunicação social ucraniana sublinha as consequências humanitárias imediatas: o ataque que atingiu três centrais térmicas em Kiev, matou quatro pessoas e feriu 25. Os relatos dão destaque aos apelos diretos de Zelensky por pacotes adicionais de mísseis Patriot e à sua estimativa de 100 a 120 mísseis por mês para fazer face ao inverno. Vários meios salientam que a licença norte-americana para produção de Patriot, em suspenso desde julho, continua por atribuir, e dão eco à afirmação de Zelensky de que, em resposta aos pedidos de mais defesa antiaérea, os Estados Unidos terão reduzido o funcionamento do sistema Starlink na Ucrânia. Alguns órgãos referem ainda que Zelensky admitiu, em entrevista ao Financial Times, poder aceitar uma pausa nos ataques contra a energia russa apenas em troca de mais Patriots, e que Kiev ignorou anteriormente cerca de seis pedidos norte-americanos para parar de atacar refinarias russas.
Como o descrevem as fontes internacionais
A única peça em inglês de um meio não ucraniano enquadrou o esgotamento dos interceptores Patriot no contexto mais amplo do choque político entre Zelensky e Trump, associando a escassez militar à disputa diplomática. O enquadramento internacional coloca maior ênfase na raridade global dos interceptores Patriot e no desvio de atenção e stocks norte-americanos para a guerra com o Irão como causa estrutural da escassez, em vez de nas consequências específicas para a Ucrânia. Destaca ainda a recusa atribuída a Trump em fornecer 300 mísseis adicionais e a sua recusa em confirmar a licença de produção, descrevendo a resposta norte-americana como uma contenção motivada pela preservação dos stocks americanos.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre se Trump já terá aprovado uma licença para a Ucrânia produzir mísseis Patriot: uma versão refere que ele a concedeu na cimeira da NATO e que Zelensky anunciou acordos concretos no final de setembro; outra indica que Trump afirmou mais tarde não ter tomado uma decisão final e tem recusado confirmar a atribuição da licença. As fontes divergem também sobre como caraterizar a parte restante das necessidades de interceptores: Zelensky disse, por um lado, que a Ucrânia dispõe apenas de cerca de 10% (uma décima parte) do que precisa com urgência e, noutra entrevista à CNN, que tem apenas 1% e que 5% dos stocks norte-americanos bastariam para passar o inverno.
Contexto
Os mísseis interceptores Patriot são dispendiosos e globalmente escassos; vários aliados já gastaram os seus próprios stocks ou estão a reforçar a sua defesa antiaérea devido à guerra com o Irão. A Grécia e a Espanha detêm stocks de interceptores Patriot (a Grécia pelo menos 200 mísseis PAC-2) perto do fim de vida útil, mas nenhum dos dois países aceitou transferi-los para a Ucrânia. A taxa de interceção de mísseis balísticos na Ucrânia terá caído de cerca de 40% no início de 2026 para praticamente zero em pleno verão, à medida que os stocks diminuíam. Em meados de agosto, responsáveis ucranianos já tinham dito à CNN que os interceptores estavam quase esgotados, durante o primeiro acesso de um órgão de comunicação a um sistema Patriot em território ucraniano. Um pacote norte-americano de 400 milhões de dólares relacionado com os Patriot não inclui mísseis, e em setembro a Comissão Europeia autorizou a compra de mísseis PAC-3 com um empréstimo da UE, cujas entregas se esperam sobretudo nos próximos anos.