Acordo Trump-Putin sobre gasóleo russo provoca críticas em Itália, UE e Senado dos EUA
A 9 de outubro, o Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um acordo com o Presidente russo, Vladimir Putin, para o fornecimento de gasóleo russo aos mercados norte-americano e mundial, justificado pela intenção de baixar os preços dos combustíveis. A 11 de outubro, Trump declarou um «cessar-fogo energético» limitado à suspensão de ataques a refinarias. O acordo, formalizado pela licença geral n.º 135 do Tesouro norte-americano válida até 7 de abril de 2027, enfrentou críticas da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, que o classificou como uma «decisão muito arriscada», e de 12 senadores norte-americanos que exigiram o seu cancelamento. Após o anúncio, o Kremlin confirmou que Putin recusa atualmente negociar com a Ucrânia, e a Rússia continuou a atacar a infraestrutura energética ucraniana.
Pontos principais
- A 9 de outubro, Trump anunciou acordo com Putin para fornecer mais de 300 mil toneladas de gasóleo russo aos mercados dos EUA e mundial, seguidos de 500 mil toneladas em novembro e 1 milhão a curto prazo.
- O Tesouro dos EUA emitiu a Licença Geral n.º 135, permitindo a compra de gasóleo de origem russa até 7 de abril de 2027.
- A 11 de outubro, Trump anunciou um «cessar-fogo energético» limitado à suspensão de ataques a refinarias em ambos os países.
- A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni classificou o acordo como «decisão muito arriscada», argumentando que legitima Moscovo, gera novas receitas para a guerra e enfraquece as sanções.
- Meloni atribuiu a subida dos preços dos combustíveis à guerra no Irão, e não ao conflito na Ucrânia, e apelou à UE a nomear um representante para negociar.
- Um grupo bipartidário de 12 senadores dos EUA exigiu o cancelamento do acordo; um grupo separado de 7 senadores afirmou que a decisão viola a proibição congressional de 2022 sobre importações de energia russa.
- Logo após o anúncio, o Kremlin confirmou que Putin não negoceia atualmente com a Ucrânia; a Rússia continuou a atacar, incluindo 39 mísseis balísticos e 128 drones na noite de 14 de outubro contra infraestruturas energéticas.
Porque é importante
O acordo alivia as sanções norte-americanas sobre o gasóleo russo e foi formalizado pelo Tesouro dos EUA através da Licença Geral n.º 135, válida até 7 de abril de 2027, permitindo a empresas norte-americanas a compra de gasóleo de origem russa. A administração Trump pressiona simultaneamente Kyiv a suspender ataques a infraestruturas petrolíferas russas e apelou publicamente à Ucrânia para escolher um novo líder, com relatos de ameaças de suspensão do compartilhamento de informação e do mecanismo de fornecimento de armas. A crítica da primeira-ministra italiana e a esperada expressão de pesar da UE no próximo summit contrastam com a recusa de Putin em negociar e a continuação dos ataques russos à infraestrutura energética ucraniana antes do inverno.
O que aconteceu
A 9 de outubro de 2026, o Presidente dos EUA Donald Trump anunciou, após uma chamada telefónica com o Presidente russo Vladimir Putin, um entendimento para o fornecimento de mais de 300 mil toneladas de gasóleo russo aos mercados norte-americano e mundial de imediato, seguidos de 500 mil toneladas em novembro e 1 milhão de toneladas a curto prazo, com um adicional de 3 milhões condicionado ao estado do setor de refinação russo. O acordo foi formalizado pela emissão pelo Tesouro dos EUA da Licença Geral n.º 135, válida até 7 de abril de 2027.
A 11 de outubro, Trump anunciou um «cessar-fogo energético», que se limitou à suspensão de ataques a refinarias em ambos os países. Logo após o anúncio, o Kremlin confirmou que Putin não negoceia atualmente com a Ucrânia, citando indignação com ataques durante as eleições para a Duma Estatal. A Rússia continuou a atacar a Ucrânia, incluindo um ataque massivo na noite de 14 de outubro com 39 mísseis balísticos e 128 drones contra infraestruturas energéticas em Kyiv, região de Kyiv e região de Kharkiv.
A 14 de outubro, a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, em discurso no parlamento italiano antes do summit da UE, classificou o acordo como uma «decisão muito arriscada», afirmando que o resultado é duvidoso enquanto os riscos são evidentes: legitima Moscovo enquanto as suas bombas caem sobre cidades ucranianas, gera novas receitas para financiar a guerra e enfraquece implicitamente a pressão das sanções. Meloni atribuiu a subida dos preços dos combustíveis à guerra no Irão, e não ao conflito na Ucrânia, e apelou aos 27 Estados-membros da UE a nomearem um «representante autoritário» para negociar em nome da Europa sobre a guerra russa contra a Ucrânia, sem excluir atribuir mandato oficial ao grupo E3 (Alemanha, França e Reino Unido).
Nos Estados Unidos, um grupo bipartidário de 12 senadores enviou uma carta a Trump exigindo o cancelamento do acordo, e um grupo separado de 7 senadores afirmou que a decisão contradiz a proibição congressional de 2022 sobre importações de energia russa. Está a ser preparado um projeto de lei no Congresso para bloquear qualquer compra de petróleo russo.
Como o descrevem as fontes ucranianas
As fontes ucranianas apresentam o acordo como uma traição que mina a campanha ocidental de vários anos para privar a máquina de guerra russa de financiamento. O Presidente Volodymyr Zelensky comentou que os volumes em causa (300 a 500 mil toneladas por mês) são diminutos face ao consumo global de 120 milhões de toneladas por mês, e duvidou do impacto real. Zelensky sugeriu que os EUA poderiam celebrar um acordo de fornecimento de gasóleo com a Ucrânia em troca de garantias de proteção do sistema energético ucraniano contra ataques russos. As fontes sublinham que a Rússia continuou a atacar a infraestrutura energética e hídrica ucraniana antes do inverno, apesar do anunciado cessar-fogo energético, e que o Kremlin confirmou a recusa de Putin em negociar. Destacam também a contestação interna nos EUA (cartas bipartidárias de senadores, proibição congressional de 2022) e a esperada expressão de pesar da UE no próximo summit.
Como o descrevem as fontes internacionais
A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, em discurso no parlamento antes do summit da UE, classificou o acordo como uma «decisão muito arriscada» que legitima Moscovo, gera novas receitas para a guerra e enfraquece as sanções, e atribuiu a subida dos preços dos combustíveis à guerra no Irão. O comissário europeu para a Economia Valdis Dombrovskis afirmou que os volumes permitidos pelos EUA não têm significado macroeconómico e duvidou da capacidade russa de entrega, considerando os padrões de qualidade norte-americanos. A análise chinesa, citada pela Al Jazeera Arabic, descreve o acordo como uma manobra de emergência pré-eleitoral antes das eleições intercalares de 3 de novembro, possivelmente uma medida temporária sujeita a revisão pós-eleitoral, e adverte que sanções secundárias sobre outros importadores de energia russa podem persistir. As conclusões do summit da UE desta semana deveriam incluir um parágrafo de pesar pelo acordo.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre quatro pontos principais.
Primeiro, quanto à caracterização da suspensão do compartilhamento de informação: funcionários europeus citados pela imprensa chinesa e pela Al Jazeera Arabic relataram que Washington ameaçou suspender o compartilhamento de informação e o mecanismo de fornecimento de armas para pressionar a Ucrânia, enquanto Trump afirmou publicamente que os EUA continuam a partilhar informação com Kyiv.
Segundo, quanto à causa da escassez global de gasóleo: Trump apresentou o acordo como solução para um problema ligado aos ataques ucranianos a refinarias russas, enquanto Meloni, Dombrovskis, altos funcionários russos e analistas atribuíram a escassez principalmente à guerra contra o Irão.
Terceiro, quanto ao impacto dos volumes anunciados: Trump prometeu uma descida rápida dos preços, mas economistas, o analista político Ivan Preobrazhensky, o comissário Dombrovskis e analistas do ISW consideram que os volumes são insuficientes para afetar significativamente o mercado, observando que 300 mil toneladas correspondem a cerca de meio dia de consumo norte-americano.
Quarto, quanto à data de fim da licença do Tesouro: a licença é descrita como abrindo a possibilidade de importações por cerca de seis meses (até 7 de abril, quando as sanções regressam) e também como válida especificamente até 7 de abril de 2027.
Contexto
Trump e Putin tinham-se encontrado em Anchorage, Alasca, a 15 de agosto de 2025. A 18 de setembro, Trump assinou a Lei Graham, que concede autoridade para impor tarifas secundárias de até 100% sobre países que importem energia russa. Ataques ucranianos sistemáticos a infraestruturas petrolíferas russas tinham forçado a Rússia — um dos maiores fornecedores mundiais de gasóleo — a suspender as exportações, e as receitas fiscais russas de petróleo e gás nos primeiros três trimestres do ano caíram 17% face ao período homólogo, em parte atribuído a esses ataques. Os preços mundiais do petróleo tinham caído para cerca de 60 dólares por barril no início do ano e subido para mais de 100 dólares após os EUA e Israel terem iniciado uma guerra contra o Irão, identificada por especialistas como a principal causa da escassez global de gasóleo, e não os ataques ucranianos a refinarias russas. O único refinador-chave da Ucrânia foi efetivamente posto fora de operação pelos ataques russos em 2022, tornando o «cessar-fogo energético» largamente assimétrico. As eleições intercalares nos EUA estão marcadas para 3 de novembro de 2026. A Ucrânia tinha oferecido suspender ataques a refinarias russas se a Rússia parasse os ataques a infraestruturas energéticas ucranianas antes do inverno.