Sete senadores dos EUA pedem a Trump que revogue decisão sobre importação de diesel russo
Sete senadores norte-americanos, de ambos os partidos, divulgaram uma declaração conjunta a pedir ao Presidente Donald Trump que reverta a decisão de autorizar a importação de diesel russo. Argumentam que a medida contraria a lei aprovada pelo Congresso em 2022 que proíbe a importação de recursos energéticos russos e que equivale a dar a Vladimir Putin «um salva-vidas financeiro» enquanto a Rússia prossegue a agressão contra a Ucrânia.
Pontos principais
- Declaração conjunta assinada por sete senadores — Jeanne Shaheen, Susan Collins, Richard Blumenthal, Lisa Murkowski, Ron Wyden, Thom Tillis e John Curtis — quatro republicanos e três democratas.
- Senadores recordam que o Congresso proibiu em 2022 a importação de recursos energéticos russos para evitar que dólares norte-americanos financiem a guerra da Rússia contra a Ucrânia.
Porque é importante
A declaração expõe a fratura política interna nos Estados Unidos em torno da postura da administração Trump face à Rússia e ao regime de sanções. Ao invocar a lei de 2022, os senadores abrem caminho a um possível conflito institucional entre o Congresso e o executivo. A inclusão de Shaheen, a democrata de maior seniority na Comissão de Relações Externas do Senado, confere peso institucional ao apelo e sinaliza que a contestação pode ir além da crítica política e traduzir-se em bloqueios legislativos.
O que aconteceu
Sete senadores norte-americanos, quatro republicanos e três democratas, divulgaram no domingo uma declaração conjunta a exigir que o Presidente Donald Trump revogue a decisão de autorizar a importação de diesel russo para os Estados Unidos. Os signatários recordam que o Congresso aprovou em 2022 legislação que proíbe a importação de recursos energéticos russos, com o objetivo de impedir que o dinheiro norte-americano financie a guerra de Moscovo contra a Ucrânia. Na declaração, argumentam que a decisão presidencial contraria directamente essa lei, que não foi precedida de consulta ao Congresso nem acompanhada da justificação legalmente exigida, e que se traduz num «salva-vidas financeiro» para Vladimir Putin. A iniciativa ocorre três dias depois de Trump ter anunciado, a 9 de outubro, um acordo com o Presidente russo para o fornecimento de柴油 russo aos mercados norte-americano e mundial, e depois de o Office of Foreign Assets Control (OFAC) do Departamento do Tesouro ter emitido, por indicação de Trump, uma licença geral temporária que autoriza as operações de venda, fornecimento, descarga e importação de combustível de origem russa até 7 de abril de 2027.
Contexto
Em 2022, o Congresso dos Estados Unidos aprovou legislação que proíbe a importação de recursos energéticos russos, de modo a evitar que dólares norte-americanos financiem a guerra da Rússia contra a Ucrânia. A 9 de outubro de 2026, o Presidente Donald Trump anunciou ter falado com o Presidente russo Vladimir Putin e ter chegado a acordo sobre o fornecimento de柴油 russo aos mercados norte-americano e mundial. Na sequência, o Office of Foreign Assets Control (OFAC) do Departamento do Tesouro emitiu, por indicação de Trump, uma licença geral que autoriza essas operações até 7 de abril de 2027. De acordo com a Axios, a decisão presidencial surgiu depois de o Presidente Volodymyr Zelensky ter ignorado cerca de meia dúzia de pedidos norte-americanos para cessar os ataques ucranianos a refinarias russas. Zelensky classificou qualquer afrouxamento de sanções sem um acordo duradouro de desescalada como uma «fraqueza óbvia que joga a favor da Rússia». A contestação não se ficou pela declaração dos sete senadores: três senadores democratas — Jeanne Shaheen, Chuck Schumer e Elizabeth Warren — já tinham condenado a decisão, e o deputado republicano Brian Fitzpatrick anunciou a 11 de outubro uma iniciativa legislativa bipartidária, o «Ronald Reagan Peace Through Strength Act», destinada a bloquear a compra de petróleo russo. A União Europeia afirmou não ser o momento de aliviar a pressão sobre a Rússia.