Kremlin diz que Trump defende novo presidente na Ucrânia; Kallas discorda
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Donald Trump lhe disse que é altura de a Ucrânia ter um novo presidente, alegando que Volodymyr Zelensky não demonstra vontade política para fazer as difíceis decisões necessárias para terminar a guerra. No dia 12 de outubro, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, contrapôs que as eleições na Ucrânia não podem realizar-se enquanto a guerra continuar e que a pressão internacional se deve dirigir à Rússia.
Pontos principais
- Peskov citou Trump: «É tempo de um novo presidente», porque Zelensky, segundo ele, não demonstra vontade política para pôr fim ao conflito.
- Em 10 de outubro, Trump afirmou publicamente que a Ucrânia precisava de um novo presidente capaz de chegar a acordo com a Rússia.
- Zelensky respondeu: afirmou que são os ucranianos que devem escolher o seu presidente e que a Ucrânia realizará eleições se a Rússia aceitar um cessar-fogo de 60 dias.
- Em 12 de outubro, Kaja Kallas declarou que as eleições são incompatíveis com o estado de guerra e que a pressão deve visar a Rússia.
- Em 9 de outubro, Trump anunciou um acordo com Putin sobre o fornecimento de combustível diesel russo aos mercados norte-americano e mundial.
- Após a declaração de Trump de 11 de outubro sobre um cessar-fogo energético, a Rússia atingiu a central térmica CHP-5 em Kharkiv e uma estação energética em Kiev, segundo Zelensky.
- Zelensky condicionou a interrupção dos ataques ucranianos a infraestruturas petrolíferas russas à cessação dos ataques russos à infraestrutura energética ucraniana.
Porque é importante
O Kremlin está a amplificar publicamente uma e apelação do presidente dos EUA a uma mudança de liderança em Kiev, representando uma escalada retórica significativa contra a direção ucraniana. Esta pressão surge associada a um acordo separado entre Washington e Moscovo sobre o fornecimento de combustível diesel russo. O principal diplomata da UE respondeu publicamente, defendendo que as eleições são incompatíveis com a guerra em curso e que a pressão internacional se deve dirigir a Moscovo, não a Kiev. Zelensky, por seu lado, condicionou quaisquer eleições a um cessar-fogo russo de 60 dias, enquanto a Rússia continuava a atacar infraestruturas energéticas.
O que aconteceu
Em 9 de outubro, Trump anunciou ter conversado com Putin e acordado o fornecimento de combustível diesel russo aos mercados norte-americano e mundial, com volumes iniciais superiores a 300 mil toneladas, 500 mil toneladas adicionais em novembro e um milhão de toneladas depois. Em 10 de outubro, Trump afirmou publicamente que era altura de a Ucrânia ter um novo presidente capaz de chegar a acordo com a Rússia, acusando Zelensky de esforços insuficientes para alcançar a paz e associando essa crítica à subida dos preços do diesel nos Estados Unidos. Fontes noticiosas referiram que Trump avançou para o acordo sobre o diesel depois de Zelensky não ter atendido a cerca de seis pedidos norte-americanos para interromper ataques ucranianos a refinarias russas. No dia seguinte, Trump afirmou que Ucrânia e Rússia tinham acordado um cessar-fogo energético imediato, após o qual Zelensky reportou ataques à central CHP-5 em Kharkiv e a uma estação energética em Kiev. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, citou Trump como tendo dito que «é tempo de um novo presidente», justificando que Zelensky não demonstra a vontade política necessária para terminar a guerra. Em 12 de outubro, antes da reunião do Conselho dos Negócios Estrangeiros da UE no Luxemburgo, a Alta Representante Kaja Kallas contrapôs que as eleições não podem realizar-se em tempo de guerra, que a pressão deve visar a Rússia e que «se a pressão for exercida sobre a Rússia para parar esta guerra, tenho a certeza de que haverá eleições na Ucrânia». Zelensky respondeu que são os ucranianos a escolher o seu presidente e que a Ucrânia realizará eleições se a Rússia aceitar um cessar-fogo de 60 dias, e justificou os ataques a refinarias russas como resposta aos anos de agressão russa à infraestrutura energética ucraniana.
Como o descrevem as fontes ucranianas
As fontes ucranianas centram-se nas declarações de Peskov e na chamada de Trump a uma nova liderança em Kiev, apresentando-as como uma pressão coordenada sobre Zelensky. Destacam a contra-zucação de Zelensky, de que são os ucranianos a escolher o seu presidente e que as eleições estão condicionadas a um cessar-fogo russo de 60 dias. Associam a retórica política aos relatos de ataques russos à CHP-5 em Kharkiv e a uma estação energética em Kiev após a declaração de Trump sobre o cessar-fogo energético, sugerindo uma contradição entre as palavras do Kremlin e as suas ações. Dão grande destaque à posição da UE, nomeadamente o argumento constitucional de Kallas de que não se podem realizar eleições em tempo de guerra e de que a pressão deve incidir sobre a Rússia.
Como o descrevem as fontes internacionais
A única fonte não ucraniana, uma agência do Azerbaijão em língua inglesa, privilegia o comentário do Kremlin sobre as declarações de Trump relativas a uma mudança de liderança na Ucrânia, seguindo de perto a ótica de Peskov em vez da resposta de Zelensky. Não destaca nem a posição de Kallas nem da UE, nem os relatos de ataques russos a infraestruturas energéticas ucranianas que as fontes ucranianas sublinham.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre quem iniciou o apelo a uma nova liderança ucraniana: algumas apresentam Peskov a descrever o que Trump lhe transmitiu como convicção sua, e outras apresentam-no como uma declaração de que Trump «exigiu» ou «propôs» que a Ucrânia escolhesse um novo chefe de Estado. A diferença subjacente está entre Trump a exprimir uma opinião pessoal a Peskov e Trump a exigir publicamente uma mudança de liderança. As fontes divergem também sobre a sequência temporal dos ataques russos à infraestrutura energética ucraniana em relação à declaração de Trump sobre o cessar-fogo energético: algumas colocam os ataques imediatamente após a afirmação de Trump de 11 de outubro, outras referem-nos após uma declaração anterior; os alvos (CHP-5 em Kharkiv e uma estação energética em Kiev) são consistentes, mas o evento precipitante é enquadrado de forma diferente.
Contexto
Em 9 de outubro, Trump anunciou ter falado com Putin e acordado o fornecimento de combustível diesel russo aos mercados dos EUA e mundial, com volumes iniciais de mais de 300 mil toneladas, 500 mil toneladas adicionais em novembro e um milhão de toneladas depois. Em 10 de outubro, Trump afirmou publicamente ser altura de a Ucrânia ter um novo presidente capaz de chegar a acordo com a Rússia, acusando Zelensky de esforços insuficientes para a paz e associando esta crítica à subida dos preços do diesel nos EUA. Segundo a comunicação social, Trump avançou para o acordo sobre o diesel após Zelensky não ter respondido a aproximadamente seis pedidos para parar os ataques a refinarias russas. Zelensky justificou os ataques a instalações russas como resposta a anos de agressão à infraestrutura energética ucraniana e afirmou que os interromperia se a Rússia parasse. Em 11 de outubro, Trump afirmou que Ucrânia e Rússia tinham acordado um cessar-fogo energético imediato; Zelensky reportou que a Rússia atingiu a CHP-5 em Kharkiv e uma estação energética em Kiev. Em 12 de outubro, Kaja Kallas, antes da reunião do Conselho dos Negócios Estrangeiros da UE no Luxemburgo, afirmou não ver a Rússia a cumprir o cessar-fogo energético e apelou à continuação da pressão sobre Moscovo.