Republicanos na Câmara dos EUA ameaçam bloquear pacote de defesa de 350 mil milhões se Trump não aumentar pressão sobre Moscovo
Um número crescente de deputados republicanos na Câmara dos Representantes dos EUA avisou que não aprovará um pacote suplementar de despesas de defesa de pelo menos 350 mil milhões de dólares solicitado pela administração Trump, a menos que a Casa Branca intensifique a pressão sobre a Rússia. A frustração reúne-se em torno do acordo sobre gasóleo com Vladimir Putin, da recusa em aplicar sanções contra Moscovo e das restrições ao acesso da Ucrânia a sistemas satélite como a Starlink. O conflito ameaça travar outras prioridades legislativas republicanas na sessão pós-eleições intercalares.
Pontos principais
- Congressistas republicanos avisam que o pacote adicional de pelo menos 350 mil milhões de dólares em despesas de defesa não avançará enquanto a administração não reforçar a pressão sobre Moscovo.
- O pacote inclui 17 mil milhões para o sistema de defesa antimíssil Golden Dome e 47 mil milhões para produção de munições.
- Fontes de insatisfação incluem a compra de gasóleo russo, a recusa em aplicar sanções a Moscovo e as restrições ao acesso da Ucrânia à Starlink e ao intercâmbio de informações.
- O deputado Don Bacon advertiu que nenhuma parte da agenda legislativa de Trump passará no Congresso enquanto não punir "a máquina de guerra russa".
- O deputado Brian Fitzpatrick prometeu "consequências" se o acesso da Ucrânia às tecnologias satélite não for restaurado.
- Uma carta bipartidária ao Presidente afirma que o acordo sobre o gasóleo viola o espírito da nova lei de sanções e pede a revogação da respetiva licença.
- A 11 de outubro, Trump anunciou um cessar-fogo energético entre Ucrânia e Rússia, mas o Financial Times indica que a Ucrânia desconhecia o acordo e a Rússia continuou a atacar infraestruturas energéticas ucranianas.
Porque é importante
O impasse ameaça bloquear um pacote orçamental de defesa significativo e comprometer o conjunto da agenda legislativa republicana na sessão pós-eleitoral. Revela uma divisão interna no Partido Republicano quanto às sanções, às importações de energia russa, ao apoio militar à Ucrânia e à estratégia negocial de Trump. As restrições relatadas ao acesso da Ucrânia à partilha de informações e a satélites como a Starlink podem afetar diretamente a capacidade da Ucrânia de travar a guerra, enquanto o anunciado cessar-fogo energético permanece disputado e foi seguido de novos ataques russos a infraestruturas energéticas ucranianas.
O que aconteceu
Um número crescente de congressistas republicanos da Câmara dos Representantes passou a avisar publicamente que não aprovará o pacote suplementar de despesas de defesa de pelo menos 350 mil milhões de dólares que a administração Trump pretende enviar ao Congresso após as eleições intercalares, a menos que a Casa Branca endureça a sua postura face a Moscovo.
A administração de Donald Trump procura o pacote desde pelo menos a semana passada, com o secretário de Defesa Pete Hegseth a afirmar que o Pentágono o promoverá de forma agressiva e trabalhará com a Casa Branca para a sua aprovação independentemente do resultado eleitoral. O pacote inclui 17 mil milhões de dólares para o sistema de defesa antimíssil Golden Dome, 47 mil milhões para a produção de munições, 113 mil milhões para a indústria de defesa (dos quais mais de 48 mil milhões para minerais críticos) e 36 mil milhões para o programa Warrior Ethos, dedicado a habitação e infraestruturas para militares. O pacote está parado no Congresso devido a divergências sobre fontes de financiamento.
O foco da contestação republicana são três decisões da administração: a celebração de um acordo com Vladimir Putin para importar gasóleo russo (anunciado por Trump em 9 de outubro), a recusa em aplicar sanções contra a Rússia e as restrições ao acesso da Ucrânia a sistemas satélite, incluindo a Starlink, e a redução da partilha de informações com Kiev. O deputado Don Bacon, que não se recandidata, escreveu na rede X que o programa da administração está morto se a política não mudar e descreveu as decisões sobre os satélites e a partilha de informações como ajuda a um invasor e criminoso de guerra. O deputado Brian Fitzpatrick prometeu "consequências" caso o acesso da Ucrânia às tecnologias satélite não seja restaurado, acrescentando que as agências federais não receberão financiamento se não fizerem o seu trabalho.
Na semana passada, um grupo bipartidário de legisladores enviou uma carta a Trump a afirmar que o acordo sobre o gasóleo viola o espírito, se não a letra, da nova lei de sanções aprovada em setembro, pedindo a revogação da licença e a plena aplicação do diploma. A carta foi subscrita por cinco republicanos: Michael McCaul, Dan Newhouse, Joe Wilson, Bacon e Fitzpatrick. Os democratas opõem-se quase unanimemente à guerra de Trump com o Irão, o que obrigaria os líderes republicanos a conseguir praticamente todos os votos da sua bancada para viabilizar o pacote.
Numa frente diplomática paralela, Trump anunciou a 10 de outubro que acusou o Presidente Volodymyr Zelensky de poder terminar a guerra e não o ter feito, defendendo que a Ucrânia escolhesse um novo Presidente que negociasse um acordo. A 11 de outubro anunciou um cessar-fogo energético que, afirmou, tinha o acordo de ambas as partes. Porém, segundo o Financial Times citado nas fontes, a Ucrânia desconhecia esse acordo e a Rússia continuou a atacar infraestruturas energéticas ucranianas após o anúncio.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A comunicação social ucraniana sublinha a crítica republicana às decisões da administração Trump sobre a Rússia, às sanções, ao acesso da Ucrânia a satélites como a Starlink e à partilha de informações, bem como o impacto diplomático mais amplo dessas decisões. Apresenta o conflito em Washington como uma possível vía para alterar a política norte-americana em relação a Moscovo e reforçar o apoio à Ucrânia, salientando a urgência das necessidades ucranianas em plena guerra.
Como o descrevem as fontes internacionais
As fontes internacionais enquadram o conflito como uma disputa política interna dos EUA em torno do orçamento de defesa, das sanções, das importações de energia russa e da política para a Rússia. Destacam as consequências do desacordo para as prioridades legislativas norte-americanas e para a credibilidade das iniciativas diplomáticas dos EUA relativas à guerra, num momento em que o Congresso examina o pacote de 350 mil milhões de dólares e a administração procura uma solução diplomática.
Onde as versões divergem
As fontes divergem em duas frentes principais. Em primeiro lugar, dão explicações e avaliações diferentes sobre o acordo do gasóleo, as sanções, a política para a Rússia e a Ucrânia e o anunciado cessar-fogo energético: congressistas e auxiliares anónimos no Capitólio descrevem uma administração que recua nas sanções e na pressão sobre Moscovo, enquanto a Casa Branca insiste na prioridade das negociações de paz. Em segundo lugar, a existência e o conteúdo do cessar-fogo energético são disputados: Trump afirmou que ambas as partes tinham acordado, mas reportagens citadas nos factos indicam que a Ucrânia desconhecia o acordo e que a Rússia continuou a atacar infraestruturas energéticas ucranianas após o anúncio.
Contexto
A administração Trump procurava um pacote adicional de pelo menos 350 mil milhões de dólares em despesas de defesa, em paralelo com o secretário de Defesa Pete Hegseth a negociar com o Congresso um orçamento de defesa recorde de 1,5 biliões de dólares. O pacote complementar inclui defesa antimíssil, produção de munições, investimento na indústria de defesa, minerais críticos e o programa Warrior Ethos. Estava parado no Congresso devido a divergências sobre fontes de financiamento. O Congresso aprovou em setembro uma lei de sanções contra Moscovo — após mais de um ano de démarches legislativas e resistência da Casa Branca — que concedeu a Trump autoridade para exceções ao regime sancionatório, da qual o Presidente se aproximou imediatamente, notamment com o acordo sobre o gasóleo russo. Esse acordo foi criticado por legisladores como violador do espírito da nova lei.