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Trump diz não querer lidar com Zelensky e sugere acordo com Putin sem a liderança ucraniana atual

Numa entrevista à Newsmax em 15 de outubro de 2026, o Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não quer lidar com o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusando-o de não querer negociar com a Rússia, e que qualquer acordo de paz será feito sem ele. Trump também voltou a criticar os ataques ucranianos a refinarias russas, pediu eleições na Ucrânia e argumentou que Zelensky tem de fazer concessões a Putin devido à maior capacidade de mobilização da Rússia.

Pontos principais

  • Trump afirmou, em entrevista à Newsmax a 15 de outubro, que não quer lidar com Zelensky e que este 'não é a pessoa com quem devemos tratar'.
  • Trump disse que qualquer acordo de paz com a Rússia será concluído sem a participação do atual líder ucraniano.
  • Trump voltou a criticar os ataques das Forças Armadas ucranianas a refinarias petrolíferas russas, considerando-os uma 'vergonha' por aumentarem os preços mundiais do petróleo.
  • Trump defendeu que Zelensky deve fazer concessões a Putin, alegando que a Rússia tem um potencial de mobilização muito superior numa guerra de atrito.
  • Trump reiterou publicamente a necessidade de eleições presidenciais na Ucrânia e a substituição de Zelensky.
  • Trump também atacou Putin e Zelensky pelo ódio mútuo entre ambos, dizendo ser mais fácil chegar a acordo com Putin do que com Zelensky.

Porque é importante

A entrevista marca um afastamento público sem precedentes do Presidente dos EUA em relação ao líder de um país parceiro em guerra. Ao sugerir que um eventual acordo com Moscovo poderia ser feito sem Zelensky, Trump abre a possibilidade de Washington contornar Kiev nas negociações. As críticas aos ataques às refinarias russas, o pedido de eleições na Ucrânia e o argumento de que a Rússia vence uma guerra de atrito pela sua superior mobilização constituem uma pressão concertada sobre Kiev para concessões territoriais e de outro tipo.

O que aconteceu

Em 15 de outubro de 2026, numa entrevista à televisão americana Newsmax, o Presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que não quer lidar com o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusando-o de não querer negociar com a Rússia apesar de afirmar o contrário. Trump disse que Zelensky 'não é a pessoa com quem devemos tratar' e que não é grande fã dele, sublinhando ser mais fácil chegar a acordo com Vladimir Putin do que com Zelensky. Acrescentou que qualquer acordo de paz, se for alcançado, será concluído sem a participação do atual líder ucraniano. Trump voltou a criticar os ataques das Forças de Defesa ucranianas a refinarias petrolíferas russas, descrevendo-os como uma 'vergonha' que só aumenta os preços mundiais do petróleo, e pediu a Zelensky que os interrompa, dizendo querer o mesmo de Putin. Argumentou ainda que Zelensky deve fazer concessões a Putin porque a Rússia tem um potencial de mobilização muito superior numa guerra de atrito, podendo 'perder um milhão de homens e ainda ter muitos milhões atrás deles'. Trump reiterou que a Ucrânia precisa de eleições presidenciais e questionou o apoio público a Zelensky, atribuindo a causa raiz da guerra à presidência de Barack Obama e descrevendo a Crimeia ocupada como 'o pedaço de terra mais bonito'. Atribuiu também a失败 do avanço russo sobre Kiev em 2022 a condições meteorológicas — chuvas fortes que teriam encharcado os campos agrícolas onde os tanques russos teriam saído da estrada.

Como o descrevem as fontes ucranianas

A comunicação social ucraniana colocou no centro da cobertura a rejeição pública de Zelensky por Trump e a citação de que é mais difícil lidar com Zelensky do que com Putin, bem como a descrição de Zelensky como 'a pessoa com quem não devemos tratar'. Várias estações ucranianas destacaram as críticas de Trump aos ataques a refinarias e o uso da palavra 'vergonha'. Os meios ucranianos incluíram contexto alargado sobre o ultimato de Putin de junho de 2024 — a retirada total das regiões de Donetsk, Luhansk, Zaporíjia e Kherson, incluindo territórios nunca controlados pela Rússia — e sobre a pressão da administração Trump, nos seus chamados planos de paz, para que Kiev aceite concessões territoriais e abandone o caminho para a NATO. A decisão de Zelensky de levantar a proibição de ataques a refinarias e a sua entrevista ao Financial Times nesse sentido foram igualmente salientadas. Várias fontes transcreveram as críticas da historiadora americana Anne Applebaum, que acusou Trump de levantar sanções à Rússia e de começar a pressionar a Ucrânia, anulando 18 meses de diplomacia da própria administração.

Como o descrevem as fontes internacionais

A única fonte internacional do conjunto (agência APA, do Azerbaijão) centrou a história na alegação de Trump de que Zelensky não quer terminar a guerra e no pedido de eleições na Ucrânia, colocando a questão da legitimidade em primeiro plano em vez da disputa sobre os ataques às refinarias. O enquadramento internacional é escasso porque apenas uma fonte não ucraniana integra o conjunto, e essa fonte omite a controvérsia das refinarias, o contexto do ultimato russo e a citação de Anne Applebaum que os meios ucranianos destacam.

Onde as versões divergem

Algumas fontes enquadram o apelo de Trump a eleições na Ucrânia como uma afirmação feita anteriormente e recorrente, enquanto outras a reportam como um pedido novo feito na entrevista à Newsmax de 15 de outubro. As fontes divergem também quanto ao programa específico da Newsmax: uma indica o programa 'Finnerty' e outra refere-se simplesmente à Newsmax.

Contexto

Em junho de 2024, Vladimir Putin emitiu um ultimato como condição prévia para qualquer negociação: a retirada total das forças ucranianas de Donetsk, Luhansk, Zaporíjia e Kherson, incluindo territórios nunca controlados pelas tropas russas. A administração Trump tem pressionado publicamente, e através dos chamados planos de paz, Kiev a aceitar concessões territoriais favoráveis ao Kremlin e a desistir das aspirações de adesão à NATO. Trump tem interesse em baixar os preços da energia antes das eleições intercalares de 3 de novembro nos EUA e, para esse efeito, celebrou um acordo com Putin para a compra de combustível diesel russo. A Ucrânia tinha suspendido os ataques a refinarias russas durante três dias após um chamado cessar-fogo energético, mas o Kremlin admitiu que os parâmetros específicos nunca foram finalizados e os ataques russos a infraestruturas energéticas ucranianas continuaram; Zelensky disse depois ao Financial Times que a proibição foi levantada e os ataques recomeçaram a 15 de outubro. A historiadora americana Anne Applebaum afirmou que Trump levantou sanções à Rússia e começou a pressionar a Ucrânia, anulando os seus próprios esforços diplomáticos dos 18 meses anteriores.