Líderes europeus em Bruxelas alarmados com possível alinhamento de Trump com Moscovo
Os líderes da UE reunidos em Bruxelas manifestaram alarme face a uma série de decisões da administração norte-americana do presidente Donald Trump que, no espaço de uma semana, revogaram anos de sanções energéticas à Rússia, pressionaram Kiev a parar os ataques a refinarias russas e puseram em causa a legitimidade do presidente Volodymyr Zelenskyy. Zelenskyy disse sentir-se traído e criticou publicamente Trump. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que «a aliança ocidental está numa posição mais fraca do que há alguns dias».
Pontos principais
- Numa semana, Trump revogou anos de sanções energéticas à Rússia, após um acordo com Putin para o fornecimento de petróleo russo aos mercados norte-americano e mundial.
- Trump pressionou Kiev a interromper os ataques a refinarias de petróleo russas.
- Trump questionou a legitimidade de Zelenskyy, repetindo teses atribuídas à propaganda russa, e afirmou que «é altura de a Ucrânia escolher um novo presidente».
- Zelenskyy declarou sentir-se traído e criticou publicamente Trump.
- A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou em Bruxelas que «a aliança ocidental está numa posição mais fraca do que há alguns dias».
- No próximo mês, Putin terá oportunidade de se encontrar com Trump na cimeira da APEC na China, sem Zelenskyy nem líderes europeus presentes.
- Os EUA continuam a vender armas à Ucrânia e a partilhar informações de inteligência consideradas vitais para a defesa de Kiev.
Porque é importante
O conjunto de decisões de Washington sinaliza uma possível viragem estrutural na política dos EUA para com a Rússia e a Ucrânia. Líderes europeus admitem publicamente um enfraquecimento da aliança ocidental, Kiev é pressionada a travar ataques a infraestruturas energéticas russas — peças centrais da sua estratégia de guerra — e Trump questiona a legitimidade do presidente ucraniano, ecoando teses associadas à propaganda de Moscovo. A próxima cimeira da APEC, na China, prevê um encontro Trump-Putin sem Zelenskyy nem líderes europeus presentes, alimentando o receio de negociações feitas por cima da cabeça de Kiev.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A imprensa ucraniana apresenta a crise como uma ameaça existencial para Kiev. Os relatos realçam o sentimento de traição de Zelenskyy, a crítica pública a Trump e a percepção de que a Ucrânia está a ser pressionada a ceder. É dada grande ênfase à preocupação europeia com a exclusão de qualquer entendimento, ilustrada pela próxima cimeira Trump-Putin na APEC, sem Kiev nem europeus presentes. Vários factos surgem repetidos nos dois artigos, indicando uma linha editorial comum e não reportagem independente.
Como o descrevem as fontes internacionais
As duas fontes disponibilizadas são órgãos de comunicação ucranianos que resumem uma reportagem da Bloomberg. Não existe, nas fontes fornecidas, um enquadramento internacional autónomo; a perspetiva internacional chega filtrada pela cobertura em língua ucraniana.
Onde as versões divergem
As duas fontes divergem quanto à principal causa do foco norte-americano nos custos energéticos: uma atribui as decisões de Trump à pressão dos preços do combustível, motivada por considerações políticas internas antes das eleições intercalares; a outra cita especialistas que apontam como principal causa a guerra dos EUA contra o Irão.
Contexto
As relações Trump-Zelenskyy já viveram crises semelhantes, incluindo uma altercação no Salão Oval no ano passado, após a qual os EUA restringiram temporariamente a partilha de informações de inteligência. Washington tentou anteriormente convencer Kiev a aceitar um plano de paz de 28 pontos, considerado alinhado com interesses russos. Na cimeira do G7 em França, o presidente Emmanuel Macron organizou um breve encontro entre Zelenskyy e Trump, no qual Zelenskyy mostrou fotografias de uma catedral de Kiev destruída por mísseis russos. A Ucrânia enfrenta escassez de mísseis intercetores Patriot antes do inverno, enquanto a Rússia intensifica ataques contra infraestruturas civis, provocando cortes recorrentes de eletricidade e água em Kiev. Os gastos militares de Kiev geram um grande défice orçamental que a Europa tem cada vez mais dificuldade em cobrir. Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE combinaram em privado, na segunda-feira, que a política europeia para a Ucrânia deve manter-se estável independentemente das oscilações de Washington, cooperando com os EUA quando possível e apoiando Kiev quando não.