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Administração Trump pondera aliviar sanções à frota fantasma para reduzir fretes marítimos

A administração do presidente dos EUA, Donald Trump, estuda afrouxar sanções contra embarcações da chamada «frota fantasma» que transportaram petróleo da Rússia, Irão e Venezuela. O objectivo declarado é reduzir as taxas de fretamento marítimo, que atingiram máximos históricos, e aumentar as exportações de crude e derivados do Golfo Pérsico. As discussões centram-se em autorizar apenas o transporte de petróleo «legal», excluindo o crude russo e iraniano sob sanções.

Pontos principais

  • Administração Trump pondera aliviar sanções a embarcações da «frota fantasma» que transportaram petróleo da Rússia, Irão e Venezuela.
  • Objectivo declarado: reduzir taxas de fretamento marítimo em máximos recordes e aumentar exportações do Golfo Pérsico.
  • Discussões limitam-se ao transporte de petróleo «legal» — não se aplicam a petróleo russo ou iraniano sob sanções.
  • Empresas que pretendam usar embarcações sancionadas terão de obter licenças individuais do Departamento do Tesouro dos EUA.
  • Secretário de Energia dos EUA Chris Wright levantou a questão num discurso em vídeo no Congresso Mundial do Petróleo em Riad.
  • Energy Aspects e representantes do sector marítimo duvidam que o alívio reduza significativamente os fretes, devido à idade dos petroleiros e às sanções da UE e do Reino Unido.
  • Poucos dias antes, Trump suspendeu temporariamente sanções ao gasóleo russo até 7 de abril de 2027, decisão criticada por Zelensky, países europeus e senadores republicanos.

Porque é importante

Um alívio das sanções à frota fantasma redesenharia os fluxos globais de transporte de petróleo e poderia reduzir as taxas de fretamento, que tornam o crude norte-americano demasiado caro para as refinarias asiáticas. A medida surge dias depois de Trump ter suspendido temporariamente as sanções ao gasóleo russo — uma decisão que críticos consideram um benefício financeiro para a Rússia em plena guerra contra a Ucrânia. Os elevados preços do petróleo e dos combustíveis criam pressão política sobre Trump antes das eleições intercalares de 3 de novembro, tornando o calendário da discussão particularmente sensível. Analistas e representantes do sector marítimo, porém, duvidam que o alívio baixe significativamente os fretes, dada a idade dos petroleiros da frota fantasma e as restrições paralelas das sanções da UE e do Reino Unido.

O que aconteceu

A administração de Donald Trump está a avaliar a possibilidade de aliviar sanções contra embarcações da chamada «frota fantasma» — navios que transportaram petróleo da Rússia, Irão, Venezuela e outros países. O objectivo é reduzir as taxas de fretamento de petroleiros, que atingiram níveis recorde no contexto das guerras no Irão e na Ucrânia, e simultaneamente aumentar as exportações de crude e derivados do Golfo Pérsico. As discussões centram-se em permitir que estes navios transportem apenas petróleo «legal», ou seja, matérias-primas e produtos petrolíferos não sujeitos a sanções norte-americanas, excluindo o petróleo russo e iraniano que continua sob restrições. As empresas interessadas em utilizar estes navios teriam de obter licenças individuais do Departamento do Tesouro dos EUA. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, confirmou a discussão num discurso em vídeo no Congresso Mundial do Petróleo em Riad, salientando que a escalada dos fretes reduziu significativamente a procura de crude norte-americano. O Departamento de Energia garantiu que a medida não beneficiaria a Rússia. Poucos dias antes, Trump tinha suspendido temporariamente as sanções ao gasóleo russo até 7 de abril de 2027, ao abrigo de uma licença do Tesouro, invocando um acordo com Vladimir Putin para abastecer o mercado mundial antes das eleições intercalares de 3 de novembro.

Onde as versões divergem

As fontes divergem em dois pontos. Sobre a duração da suspensão das sanções ao gasóleo russo, a maioria das fontes e a licença do Tesouro indicam 7 de abril de 2027, enquanto uma das referências menciona apenas 7 de abril sem especificar o ano. Quanto ao impacto do alívio das sanções à frota fantasma, algumas fontes ucranianas sugerem que a medida poderá indirectamente facilitar as exportações russas ao possibilitar o transporte de gasóleo russo, ao passo que o Departamento de Energia dos EUA e outras fontes insistem que a discussão abrange apenas petróleo «legal» não sujeito a sanções e não beneficiaria a Rússia.

Contexto

As taxas de fretamento de petroleiros dispararam para níveis recorde devido aos conflitos ligados ao Irão e à Ucrânia, intensificando a inflação e empurrando as refinarias asiáticas para fontes alternativas no Médio Oriente e na América Latina. No início de outubro, o Reino Unido sancionou oito embarcações envolvidas nas exportações russas de GNL, incluindo três navios da frota fantasma, dois navios de abastecimento de combustível e três navios russos de classe de gelo. A Ucrânia declarou que poderá tratar embarcações da frota fantasma russa como alvos militares, posição expressa pelo vice-primeiro-ministro da Recuperação, e a UE planeia expandir a sua missão naval no Mediterrâneo contra a frota, com a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, a alertar para o risco de derrames de petróleo junto às costas europeias. A suspensão temporária das sanções ao gasóleo russo por Trump foi duramente criticada pelo presidente Volodymyr Zelensky, por países europeus e por parte dos senadores republicanos, que a consideraram um presente ao presidente russo Vladimir Putin e uma forma de financiar a guerra contra a Ucrânia.