Trump suspende sanções à energia russa; crude recua e Zelensky critica decisão
A 19 de outubro, o Presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva revogando sanções reforçadas contra a Rússia previstas na Lei Graham e levantando restrições à importação de gasóleo russo. Os preços do petróleo caíram imediatamente, com o Brent a perder 1,80% e o WTI a recuar 1,14%. Trump anunciou também um cessar-fogo energético entre a Ucrânia e a Rússia limitado aos ataques a refinarias. O Presidente Volodymyr Zelensky acusou a decisão de fraqueza e considerou que apenas incentiva a máquina de guerra russa.
Pontos principais
- Brent caiu 1,98 USD (1,80%) para 107,88 USD por barril às 04:27 GMT de 19 de outubro
- WTI recuou 1,16 USD (1,14%) para 100,25 USD por barril
- Trump revogou a 16 de outubro as sanções reforçadas da Lei Graham, que tinha promulgado no mês anterior sob pressão do Congresso
- Sete senadores dos EUA consideram a decisão ilegal e pedem a sua reversão
- Zelensky estimou o volume em 300 mil a 500 mil toneladas por mês e propôs fornecimento ucraniano em vez de russo
- Trump anunciou cessar-fogo energético limitado a ataques a refinarias em ambos os países
- Administração Trump ameaçou suspender o fornecimento de armas e partilha de informações com a Ucrânia se os ataques a refinarias russas continuarem
Porque é importante
A revogação das sanções pendentes da Lei Graham e a reabertura do mercado dos EUA ao gasóleo russo marcam uma viragem significativa na política norte-americana durante a guerra, com impacto imediato nos mercados petrolíferos. Acompanhada de um cessar-fogo energético limitado às refinarias e de ameaças de corte no apoio militar e de informações à Ucrânia, a decisão introduz um novo trilho de desescalada, parcial e contestado, sobre o conflito em curso. Apoiantes e críticos interpretam a mesma medida em sentidos opostos — como nova alavanca sobre Moscovo ou como financiamento do esforço bélico russo.
O que aconteceu
A 16 de outubro, o Presidente Donald Trump assinou uma ordem revogando sanções reforçadas contra a Rússia previstas na Lei Graham, que havia promulgado no mês anterior sob pressão de parlamentares que pretendiam intensificar a pressão sobre Moscovo. A medida levanta restrições à importação de gasóleo russo, suspensas por seis meses ao abrigo de um acordo bilateral. A 19 de outubro, o Brent caiu 1,98 USD (1,80%) para 107,88 USD por barril e o WTI cedeu 1,16 USD (1,14%) para 100,25 USD por barril. Na mesma semana, a OFAC tinha emitido em 9 de outubro uma licença temporária válida até abril de 2027 permitindo o fornecimento de gasóleo russo ao mercado mundial. Trump anunciou igualmente um cessar-fogo energético que abrange apenas ataques a refinarias em ambos os países, embora a Rússia tenha continuado a bombardear infraestruturas energéticas ucranianas. O gasóleo russo deverá chegar ao mercado dos EUA em 15 a 20 dias após a assinatura dos contratos comerciais, com a Rússia preparada para aumentar as suas exportações mensais de 500 mil toneladas para 3,5 milhões de toneladas se as suas refinarias estiverem operacionais. O Departamento de Energia dos EUA identificou já as contrapartes e compradores norte-americanos. Sete senadores, republicanos e democratas, afirmam que a decisão viola a lei norte-americana e exigem a sua revogação imediata.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre se o levantamento das sanções ao gasóleo russo aumenta ou diminui a pressão sobre o Kremlin. O Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, argumenta que a medida incentiva Moscovo a reduzir as hostilidades para obter volumes de exportação e proteger a sua própria infraestrutura energética; Zelensky e outros críticos sustentam que apenas encoraja Vladimir Putin ao canalizar mais fundos para a «máquina de guerra» russa. As fontes também divergem sobre a motivação e o efeito da reação dos preços: uma analista descreveu a decisão de Trump como uma tentativa desesperada de conter o petróleo antes das eleições intercalares norte-americanas, enquanto o Secretário de Energia a apresentou como instrumento de pressão sobre Moscovo.
Contexto
Em 2022, o Congresso norte-americano proibiu a importação de recursos energéticos russos para impedir que fundos dos EUA financiassem a guerra da Rússia contra a Ucrânia. No mês anterior à decisão, Trump promulgou a Lei Graham sob pressão de parlamentares que pretendiam endurecer a pressão sobre Moscovo. Os futuros do Brent tinham fechado na sexta-feira anterior no nível mais alto desde 19 de maio, antes de a queda ser desencadeada pelo anúncio. Analistas atribuíram os aumentos de preços anteriores a ataques iranianos a instalações petrolíferas nos países do Golfo Pérsico e aos ataques em curso a petroleiros no Estreito de Ormuz. A Ucrânia dispõe de uma única refinaria, que não opera em plena capacidade e foi repetidamente alvo de ataques russos, enquanto a Rússia possui uma vasta rede de refinarias.