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Zelensky diz sentir-se "traído" por Trump após acordo sobre gasóleo russo e "cessar-fogo energético"

Numa entrevista a Piers Morgan publicada a 14 de outubro, o Presidente Volodymyr Zelensky afirmou sentir-se "traído" pelas recentes decisões de Donald Trump, em particular a licença dos EUA para a importação de gasóleo russo e o anúncio de um "cessar-fogo energético" entre a Ucrânia e a Rússia. Zelensky disse que a Ucrânia está "a perder" os Estados Unidos e acusou Trump de escolher "o lado errado da história", embora tenha sublinhado que não se opõe a que Trump permaneça como mediador, desde que se mantenha neutro.

Pontos principais

  • Zelensky afirmou sentir-se "traído" pelas ações recentes de Trump, em especial o acordo sobre gasóleo russo e o anúncio de um cessar-fogo energético.
  • Disse ser "lamentável que estejamos a perder um parceiro forte", mas sublinhou que tal não acontece por culpa da Ucrânia.
  • Quando perguntado se a Ucrânia está a "perder" os Estados Unidos, Zelensky respondeu afirmativamente ("Sim").
  • Garantiu que a Ucrânia "não vende o seu país" e que a luta é uma questão de sobrevivência, não de negócios.
  • Classificou o acordo sobre o gasóleo como uma "vitória fácil" para Putin e afirmou que "Putin está a rir-se".
  • Apelou a Elon Musk para reverter as restrições da Starlink aos drones ucranianos, que descreveu como um "grande erro" que provocará perdas humanas.
  • A entrevista foi concedida a Piers Morgan no programa "Piers Morgan Uncensored", com um excerto publicado a 14 de outubro.

Porque é importante

A utilização pública da palavra "traído" pelo Presidente ucraniano assinala uma deterioração acentuada na relação entre Kiev e Washington num momento em que a mediação dos EUA e o eventual alívio de sanções são centrais para o rumo da guerra. Ao juntar duas decisões concretas de política norte-americana — a licença para o gasóleo russo e o cessar-fogo energético — aos ataques russos contínuos às infraestruturas energéticas de Kharkiv, Zelensky procura enquadrar os esforços de paz de Trump como unilaterais. As suas declarações ultrapassam o acordo do gasóleo e incluem as restrições da Starlink da SpaceX aos drones ucranianos, sugerindo um padrão mais amplo de medidas dos EUA que considera prejudiciais à Ucrânia.

O que aconteceu

A 14 de outubro de 2026, num excerto da sua entrevista a Piers Morgan no programa "Piers Morgan Uncensored", o Presidente Volodymyr Zelensky afirmou sentir-se "traído" por ações recentes do Presidente dos EUA Donald Trump, em especial a emissão de uma licença norte-americana que permite a importação de gasóleo russo até 7 de abril de 2027 e o anúncio, em 11 de outubro, de um "cessar-fogo energético" entre a Ucrânia e a Rússia. Quando lhe perguntaram se sentia traição, Zelensky respondeu afirmativamente e disse ser "lamentável que estejamos a perder um parceiro forte", sublinhando que tal não acontecia por culpa da Ucrânia. À pergunta direta sobre se a Ucrânia está a "perder" os Estados Unidos, respondeu igualmente "Sim". Zelensky sublinhou que a Ucrânia "não vende o seu país" e que a luta é uma questão de sobrevivência — vida, país, casa e filhos — e não de negócios. Classificou o acordo sobre o gasóleo como uma "vitória fácil" para Putin, afirmando que "Putin está a rir-se". Acrescentou que a Rússia quer que Trump pareça fraco aos olhos do mundo, que Moscovo "odeia os americanos" e que esta é "o lado errado da história". Zelensky afirmou ainda não se opor a que Trump continue como mediador, desde que se mantenha estritamente neutro, e apelou a Elon Musk para reverter as restrições da Starlink aos drones ucranianos, que qualificou como um "grande erro" com potenciais perdas humanas.

Como o descrevem as fontes ucranianas

A maior parte da cobertura ucraniana destaca a palavra "traído" e apresenta a licença para o gasóleo russo e o cessar-fogo energético como concessões prejudiciais feitas à Rússia. Várias fontes sublinham que, no próprio dia em que o cessar-fogo foi anunciado, a Rússia atingiu a central térmica TEC-5 em Kharkiv, e que a 13 de outubro foram disparados mais dez mísseis do tipo "Banderole" contra infraestruturas civis da cidade. Os meios ucranianos ligam estas decisões a outras medidas dos EUA vistas como adversas à Ucrânia, incluindo as restrições da Starlink da SpaceX aos drones ucranianos, e recordam declarações anteriores de Zelensky que qualificavam o alívio das sanções como "injusto e desonesto" e como um sinal de fraqueza. As peças sublinham a insistência de Zelensky de que a Ucrânia não vende o seu país e de que a luta é existencial — terra, casa e filhos — e algumas incluem a sua acusação de que o acordo é uma "vitória fácil" para Putin, que "está a rir-se"; algumas reportam ainda a sua alegação de que pessoas influentes querem substituí-lo porque nunca reconhecerá território ucraniano como russo.

Como o descrevem as fontes internacionais

A única fonte anglófona do conjunto, uma agência do Azerbaijão, apresenta a declaração de Zelensky de forma neutra, dando destaque ao acordo do gasóleo e ao cessar-fogo energético como gatilhos e citando a frase "a perder um parceiro forte" sem acrescentar contexto adicional do lado ucraniano, como os ataques a Kharkiv ou a questão da Starlink. A peça internacional não amplifica as declarações mais contundentes de Zelensky — sobre Putin "a rir-se", a Rússia querer Trump fraco ou as alegações de substituição do Presidente ucraniano — apresentando a entrevista num registo mais curto e diplomático.

Onde as versões divergem

As fontes divergem sobre se os enviados de Trump na Florida ameaçaram suspender o fornecimento de informações dos EUA à Ucrânia caso Kiev prosseguisse com ataques a refinarias russas: uma fonte ucraniana anónima disse que esse aviso foi feito; um funcionário norte-americano anónimo desmentiu-o, e o próprio Trump negou publicamente qualquer cessação do partilha de intelligence. As fontes também diferem quanto ao volume de gasóleo russo abrangido pelo acordo: Trump apontou para mais de 4,8 milhões de toneladas, enquanto outra versão referia 300.000 toneladas iniciais, com aumentos previstos. Por fim, numa linha mais interpretativa, órgãos ucranianos e o próprio Zelensky descrevem o levantamento das sanções ao gasóleo russo e o cessar-fogo energético como concessões feitas à Rússia sem desescalada recíproca, ao passo que a administração norte-americana se apresenta como mediadora imparcial entre Kiev e Moscovo.

Contexto

No início de outubro de 2026, a administração Trump emitiu uma licença temporária que permite a importação de gasóleo russo até abril de 2027, anunciou o que designou por "cessar-fogo energético" e realizou conversações em Miami com os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner e representantes da Ucrânia, Reino Unido, Alemanha, França, União Europeia e NATO, com o objetivo de reduzir a escalada antes do inverno. No mesmo dia em que o cessar-fogo foi anunciado, as forças russas atingiram a central térmica TEC-5 em Kharkiv, voltando a atacar infraestruturas civis da cidade a 13 de outubro com dez mísseis — incidentes que Zelensky citou como prova de má-fé por parte da Rússia. Zelensky já tinha publicamente questionado porque é que os EUA não assinavam um acordo de gasóleo comparável com a Ucrânia, classificara o levantamento de sanções à energia russa sem acordo de desescalada como um sinal de fraqueza e, numa entrevista à Axios, descrevera o acordo como "injusto e desonesto", embora oferecesse cessações mútuas de ataques durante o inverno. Trump, por seu lado, tinha atribuído a subida dos preços do gasóleo aos ataques ucranianos a refinarias russas e instado Zelensky a cessar esses ataques.