Trump apela à escolha de um novo presidente na Ucrânia e fecha acordo sobre diesel russo
No dia 10 de outubro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que é altura de a Ucrânia eleger um novo presidente capaz de negociar um acordo para terminar a guerra com a Rússia. As declarações surgiram um dia depois de Trump ter anunciado, após uma chamada telefónica com Vladimir Putin, um acordo para fornecer combustível diesel russo aos mercados norte-americano e mundial, com os Estados Unidos a suspenderem as sanções conexas. O Presidente Volodymyr Zelensky e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Andriy Sybiha, rejeitaram o apelo de Trump, sublinhando que a escolha do líder cabe ao povo ucraniano. Na noite de 9 para 10 de outubro, ataques russos em Zaporizhzhia mataram pelo menos 20 pessoas, incluindo três crianças.
Pontos principais
- Trump disse, em 10 de outubro, que «é altura de a Ucrânia ter um novo presidente» capaz de fazer um acordo para pôr fim à guerra.
- Em 9 de outubro, Trump anunciou um acordo com Moscovo, alcançado numa chamada com Putin, para fornecer mais de 300 000 toneladas de gásóleo russo aos EUA e ao mercado mundial, com volumes adicionais nos meses seguintes e潜在 до 4,8 млн тонн.
- O Departamento do Tesouro dos EUA emitiu uma licença temporária autorizando a importação de gásóleo de origem russa até 7 de abril de 2027.
- Zelensky classificou o acordo sobre o diesel como um «presente de aniversário para Putin» e afirmou que a equipa negocial ucraniana estava a ser usada como «pano de fundo».
- O ministro dos Negócios Estrangeiros, Andriy Sybiha, respondeu que Zelensky tem o apoio do povo ucraniano e que a escolha do líder cabe aos ucranianos, não a declarações estrangeiras.
- Na noite de 9 para 10 de outubro, ataques russos em Zaporizhzhia mataram pelo menos 20 pessoas, incluindo três crianças, e feriram pelo menos 18, segundo os serviços de emergência ucranianos.
- As conversações EUA–Ucrânia–Europa em Miami sobre formas de pôr fim à guerra terminaram mais cedo após o anúncio do acordo sobre o diesel.
Porque é importante
O apelo público de um presidente dos EUA em funções à mudança de liderança num país em guerra que Washington apoia é sem precedentes. O momento é particularmente significativo porque surge no dia seguinte ao anúncio de um acordo com Moscovo que suspende sanções norte-americanas às exportações de gásóleo russo, divergindo da política recente dos EUA destinada a cortar as receitas de guerra da Rússia, e enquanto negociadores ucranianos e europeus se reuniam em Miami com enviados norte-americanos para discutir formas de terminar a guerra.
O que aconteceu
No dia 10 de outubro de 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em declarações a jornalistas — segundo algumas fontes antes de partir de Joint Base Andrews, no Maryland, em direção ao Tennessee, e segundo outras ao deixar a Casa Branca — que «é altura de a Ucrânia ter um novo presidente» capaz de negociar um acordo para terminar a guerra com a Rússia. Trump acusou Zelensky de ter podido terminar o conflito «muitas, muitas vezes» mas de ter escolhido não o fazer, e acrescentou que Zelensky «por alguma razão nunca faz um acordo». Trump afirmou igualmente que a guerra começou devido a «incompetência» e reiterou a sua alegação de que o conflito nunca teria começado se ele tivesse vencido as eleições presidenciais norte-americanas de 2020. Trump também criticou os ataques ucranianos às refinarias de petróleo russas, afirmando que os EUA tinham avisado Zelensky de que poderia «fazer o que quisesse à Rússia», mas que não deveria atingir refinarias, descrevendo essa questão como um «problema mundial» que afeta o preço do gasóleo. De acordo com Trump, a Rússia ocupou 30% do território ucraniano — uma alegação contestada, já que as estimativas disponíveis no início de outubro de 2026 apontam para cerca de 19%. As declarações surgiram um dia depois de Trump ter anunciado, em 9 de outubro, um acordo alcançado numa chamada telefónica com Vladimir Putin para fornecer grandes volumes de gasóleo russo aos mercados norte-americano e mundial, com entregas imediatas superiores a 300 000 toneladas, 500 000 toneladas em novembro, um milhão de toneladas logo depois e até três milhões de toneladas adicionais consoante o estado das refinarias russas. O Departamento do Tesouro norte-americano emitiu seguidamente uma licença temporária permitindo a venda, entrega, descarga e importação de gasóleo de origem russa até 7 de abril de 2027. Zelensky classificou o acordo como um «presente de aniversário para Putin» e afirmou que a equipa negocial ucraniana, que se encontrava em Miami com enviados norte-americanos, estava a ser usada como «pano de fundo». O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sybiha, respondeu que Zelensky mantém o apoio do povo ucraniano e que só os ucranianos podem decidir sobre a sua liderança. Na noite de 9 para 10 de outubro, ataques russos em Zaporizhzhia mataram pelo menos 20 pessoas, incluindo três crianças, e feriram pelo menos 18, segundo os serviços de emergência ucranianos.
Como o descrevem as fontes ucranianas
As principais fontes ucranianas — hromadske, Suspilne Novyny, Ukrainska Pravda, LIGA.net, Babel, ZN.UA, NV e Radio Svoboda — dão destaque à reação do ministro dos Negócios Estrangeiros Andriy Sybiha, sublinhando que Zelensky mantém o apoio do povo ucraniano e que a escolha do líder cabe aos ucranianos, e não a declarações estrangeiras. A cobertura dá grande relevo à dura crítica de Zelensky ao acordo sobre o gasóleo como um «presente de aniversário para Putin» e à afirmação de que a equipa negocial ucraniana estava a ser usada como «pano de fundo». Os meios ucranianos sublinham igualmente o impacto diplomático: o fim antecipado das conversações em Miami, a partida da delegação ucraniana e a sensação de que Kiev foi apanhada de surpresa pelo acordo entre Washington e Moscovo.
Como o descrevem as fontes internacionais
A comunicação social internacional — BBC News, ABC (Espanha), Der Spiegel, APA, South China Morning Post e Al Jazeera Arabic — tende a colocar as próprias palavras de Trump no centro da cobertura, com títulos a destacarem que «é altura de a Ucrânia ter um novo presidente», enquadrando os comentários como um ataque direto a Zelensky. Vários órgãos internacionais dão também destaque ao acordo sobre o gasóleo e ao papel da Rússia, citando frequentemente a afirmação do assessor de Putin, Yuri Ushakov, de que Putin rejeitou a possibilidade de negociações de paz durante a chamada com Trump. Algumas peças internacionais referem a crítica paralela da chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, e os planos europeus para um novo pacote de sanções contra a Rússia.
Onde as versões divergem
As fontes divergem quanto ao local exato onde Trump fez o apelo a uma mudança de liderança na Ucrânia: algumas indicam que falou com jornalistas em Maryland (Joint Base Andrews) antes de viajar para o Tennessee, enquanto outras apontam para declarações ao deixar a Casa Branca. Há também divergência sobre a percentagem de território ucraniano ocupado pela Rússia: Trump afirmou 30%, mas as estimativas citadas por várias fontes à início de outubro de 2026 indicam cerca de 19%, incluindo a Crimeia e partes do Donbas. Por fim, a caracterização que Trump faz da guerra como tendo começado por «incompetência» colide com o enquadramento da invasão como agressão russa não provocada, presente em fontes ligadas a Kiev e à UE.
Contexto
A 9 de outubro, Trump anunciou uma chamada telefónica com Vladimir Putin e um acordo para o fornecimento de gasóleo russo aos mercados norte-americano e mundial, tendo o Departamento do Tesouro emitido uma licença permitindo importações de gasóleo de origem russa até 7 de abril de 2027. As conversações entre EUA, Ucrânia e parceiros europeus em Miami sobre formas de terminar a guerra terminaram antecipadamente após o anúncio do acordo, e a delegação ucraniana disse não ter sido informada antecipadamente. A Ucrânia defende-se da invasão russa lançada em fevereiro de 2022; a lei marital está em vigor e as eleições presidenciais estão suspensas. Trump enquadrou o seu apelo a uma nova liderança ucraniana na sua leitura de que os ataques da Ucrânia às refinarias russas fazem subir os preços mundiais do gasóleo, que têm subido desde o início, em fevereiro, de uma operação militar norte-americana e israelita contra o Irão.