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Ucrânia aprova alterações às regras de mobilização de trabalhadores de empresas críticas

O Conselho de Ministros da Ucrânia aprovou a 13 de outubro alterações às regras de mobilização de reservistas, a finalizar dentro de cinco dias. O projeto reduz os limites de reserva para empresas do complexo de defesa e do setor energético de 100% para 85%, e de 75% para 60% para empresas de aquecimento, água e gestão de resíduos. As decisões sobre o estatuto de «empresa crítica» passam para um novo Centro de Coordenação.

Pontos principais

  • A 13 de outubro, o Conselho de Ministros aprovou uma resolução sobre as regras de reserva durante a mobilização e o estado de guerra, a finalizar em cinco dias
  • O limite máximo de reserva para o complexo de defesa e setor energético deve cair de 100% para 85%
  • Empresas de aquecimento, água e gestão de resíduos veem o limite baixar de 75% para 60%; outras empresas críticas mantêm-se em 50%
  • O estatuto de empresa crítica deixa de ser decidido pelo Ministério da Defesa e passa para um Centro de Coordenação de 17 membros sob o Conselho de Ministros
  • O Centro será copresidido pelo Ministério da Economia e pelo Ministério da Defesa e integra SBU, GUR, SZR, Polícia Nacional, Fundo de Pensões e Derzhpratsi
  • Até 20 de outubro, ministérios e administrações regionais devem rever os critérios de determinação de empresas críticas em coordenação com o Centro
  • O deputado Iaroslav Zhelezniak (Holos) revelou o projeto e indicou que uma cláusula sobre a alteração da base de cálculo do limite de 50% pode ter sido retirada

Porque é importante

O sistema de reserva determina quais os trabalhadores de empresas-chave que são diferidos da mobilização, influenciando tanto a economia de guerra como o contingente de conscritos disponíveis para as forças armadas. As reduções propostas podem libertar mais trabalhadores para o serviço militar, mas também criar escassez de pessoal qualificado em setores estratégicos — aquecimento, água, energia, defesa — precisamente quando a aproximação do inverno e os ataques à infraestrutura energética tornam estes trabalhadores mais indispensáveis. A centralização das decisões num Centro de Coordenação sob o Conselho de Ministros altera o equilíbrio de poder entre o Ministério da Defesa, que tradicionalmente geria este processo, e o Ministério da Economia.

O que aconteceu

A 13 de outubro de 2026, o Conselho de Ministros da Ucrânia aprovou uma resolução intitulada «Sobre determinadas questões da organização da reserva de conscritos durante o período de mobilização e estado de guerra», com as alterações a serem finalizadas nos cinco dias seguintes. O projeto, divulgado pelo deputado Iaroslav Zhelezniak (Holos, primeiro vice-presidente da comissão parlamentar das finanças), reduz o limite máximo de reserva para empresas do complexo de defesa-industrial (OPIK) e do setor energético de 100% para 85%, e para empresas de aquecimento, água e gestão de resíduos de 75% para 60%. As restantes empresas críticas mantêm o limite em 50%.

A aprovação do estatuto de empresa crítica, antes a cargo do Ministério da Defesa e de um grupo de trabalho interinstitucional, é transferida para um novo Centro de Coordenação criado sob o Conselho de Ministros, com 17 membros, copresidido por representantes do Ministério da Economia e do Ministério da Defesa, e integrando a SBU, a GUR, a SZR, a Polícia Nacional, o Fundo de Pensões da Ucrânia e a Derzhpratsi. Sem recomendação favorável do Centro, uma empresa não poderá obter o estatuto de crítica nem fixar uma reserva acima de 50%.

O Centro terá o direito de recomendar o cancelamento do estatuto. As decisões de reserva acima de 50% terão validade até um ano, e se a reserva não for processada através da aplicação Diia em cinco dias úteis, a decisão caduca. Até 20 de outubro, todos os ministérios e administrações regionais devem rever os critérios de determinação de empresas críticas em coordenação com o Centro. Segundo fontes de Zhelezniak, uma disposição sobre a alteração da base de cálculo do limite de 50% pode ter sido retirada do projeto. O documento não define ainda o destino das reservas já concedidas acima dos novos limites.

Contexto

O sistema de reserva permite que certas categorias de trabalhadores, incluindo empregados de empresas críticas, sejam diferidos da mobilização durante o estado de guerra. Diferentes categorias de empresas têm quotas de reserva distintas, entre 50% e 100% consoante o setor. Até agora, o estatuto de empresa crítica era decidido pelo Ministério da Defesa e por um grupo de trabalho interinstitucional. O ministro da Defesa Yevheniy Khmara (conforme identificado nas mesmas) tinha-se pronunciado publicamente a favor da manutenção da reserva máxima para os trabalhadores do complexo de defesa-industrial. A Associação Empresarial Europeia (EBA) já tinha alertado para o impacto negativo que um maior aperto das regras poderia ter sobre as empresas e a estabilidade económica.