Zelensky diz que Ucrânia recebe informações sobre lançamentos de mísseis balísticos russos apenas dos Estados Unidos
Numa conferência de imprensa em Bruxelas, no âmbito de uma cimeira da UE, o Presidente Volodymyr Zelensky afirmou que a Ucrânia recebe informações de inteligência sobre lançamentos de mísseis balísticos russos exclusivamente dos Estados Unidos, embora a cooperação mais ampla em matéria de inteligência envolva dezenas de países parceiros. Zelensky confirmou que os EUA avisaram que cortariam o fornecimento de informação se a Ucrânia não parasse de atacar refinarias russas, e disse que Kiev procura tornar-se mais independente na deteção de ameaças com mísseis balísticos.
Pontos principais
- Zelensky afirmou em Bruxelas que só os Estados Unidos fornecem à Ucrânia informações sobre lançamentos de mísseis balísticos russos.
- A Ucrânia tem acordos de partilha de inteligência com dezenas de países desde o início da invasão em grande escala.
- Zelensky confirmou que os EUA ameaçaram suspender a transferência de inteligência caso a Ucrânia não parasse de atacar refinarias russas.
- Uma fonte ouvida pela Politico atribuiu a ausência de avisos de mísseis balísticos em 12 de outubro a más condições meteorológicas.
- A Bloomberg e o Financial Times noticiaram que a administração Trump exigiu que Kiev parasse os ataques a refinarias, sob ameaça de suspender a partilha de inteligência e a compra de armas.
- Zelensky disse que a Ucrânia trabalha com a Europa e outros países para obter mísseis Patriot, mesmo em pequenas quantidades.
- A Bélgica vai transferir mais caças F-16 para a Ucrânia até ao final do ano, para intercetar drones 'Shahed'.
Porque é importante
As declarações de Zelensky revelam uma dependência específica da defesa aérea ucraniana face à inteligência norte-americana para alertas precoces sobre mísseis balísticos, num momento em que a cooperação em matéria de inteligência com Washington está sob pressão. A confirmação de que os EUA ameaçaram suspender essa partilha caso Kiev continuasse a atacar refinarias russas expõe a fricção entre a estratégia militar ucraniana e as prioridades da administração Trump, incluindo o anunciado cessar-fogo energético. O anúncio sublinha ainda mais a urgência dos esforços ucranianos para diversificar fontes de deteção de ameaças e reforçar a autonomia neste domínio.
O que aconteceu
Durante uma conferência de imprensa em Bruxelas, no âmbito de uma cimeira da UE, o Presidente Volodymyr Zelensky afirmou que a Ucrânia recebe informações sobre lançamentos de mísseis balísticos russos exclusivamente dos Estados Unidos, embora mantenha acordos de partilha de inteligência com dezenas de países desde o início da invasão em grande escala. Zelensky agradeceu a Washington pela assistência prestada e confirmou que os EUA avisaram que suspenderiam a transferência de informação caso a Ucrânia não parasse de atacar refinarias russas. Sublinhou que existem muitos desafios relacionados com a ameaça de mísseis balísticos e que a Ucrânia procura tornar-se o mais independente possível nesta área. O briefing abordou também outros temas: Zelensky mencionou que a Ucrânia está a trabalhar com parceiros europeus para obter mísseis Patriot, mesmo em pequenas quantidades, e que a velocidade dos terminais Starlink para as Forças Armadas, embora não totalmente restaurada, está a aumentar gradualmente. Indicou ainda que a Ucrânia não está a considerar substituir totalmente o Starlink, embora esteja em contacto com vários países, incluindo a França, para diversificar as comunicações por satélite. Em matéria diplomática, Zelensky afirmou que a equipa ucraniana está em contacto permanente com a equipa negocial norte-americana e que a Ucrânia está a negociar com parceiros europeus a criação de um formato europeu de diálogo com a Rússia. A Bélgica anunciou a transferência de caças F-16 adicionais até ao final do ano, destinados à interceção de drones 'Shahed'.
Como o descrevem as fontes ucranianas
As fontes ucranianas destacam em primeiro plano a afirmação de Zelensky de que a informação sobre lançamentos de mísseis balísticos russos provém apenas dos Estados Unidos, sublinhando tanto a amplitude da rede de parceiros de inteligência da Ucrânia como a dependência específica de Washington para o alerta precoce contra mísseis. Enfatizam a intenção declarada por Kiev de se tornar o mais independente possível neste domínio, apresentando essa dependência como uma vulnerabilidade que a Ucrânia procura ultrapassar.
Onde as versões divergem
As fontes divergem na explicação para a ausência de avisos sobre mísseis balísticos antes do ataque de 12 de outubro: uma fonte norte-americana ouvida pela Politico atribuiu a falha a más condições meteorológicas, enquanto Zelensky enquadrou a questão como um problema mais amplo de partilha de inteligência ligado à pressão dos EUA sobre as operações ucranianas de ataque profundo. Há também uma diferença de enfoque na caracterização da ameaça norte-americana de suspender a partilha de inteligência: a Bloomberg e o Financial Times associaram-na aos ataques ucranianos a refinarias russas e ao cessar-fogo energético anunciado por Trump, enquanto Zelensky a apresentou de forma mais restrita, em torno da troca específica de dados sobre lançamentos de mísseis balísticos.
Contexto
A Ucrânia tem recebido informações de inteligência de dezenas de países parceiros desde o início da invasão em grande escala. Em ataques anteriores, a Ucrânia afirmou não ter recebido avisos de parceiros sobre mísseis balísticos russos, com fontes norte-americanas a citarem más condições meteorológicas como razão para a lacuna nos alertas. A administração Trump terá condicionado a continuação da partilha de inteligência à interrupção dos ataques da Ucrânia a infraestruturas energéticas russas. O Ministério da Defesa da Ucrânia afirmou que a SpaceX restringiu unilateralmente o funcionamento dos terminais Starshield para a Ucrânia sem aviso prévio. O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, disse que os países europeus fornecem cerca de dois terços da informação de inteligência recebida pela Ucrânia.