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Trump sugere substituir Zelensky nas negociações e elogia comportamento da Rússia e da China

Em 19 de outubro de 2025, o Presidente dos EUA, Donald Trump, disse a jornalistas junto à Casa Branca que a Rússia tem agido de forma "normal" e o líder chinês Xi Jinping de forma "justa" em relação à Ucrânia. Afirmou que é altura de "alguém diferente" do Presidente Volodymyr Zelensky conduzir as negociações com a Rússia, acusando Zelensky de prolongar a guerra e de não dar "nada" em troca da ajuda norte-americana. As declarações surgiram no mesmo dia em que um ataque russo com um drone Geran-3 atingiu um parque em Nova Vodolaha, na região de Kharkiv, matando seis civis, incluindo duas crianças, e na noite anterior uma série de mísseis balísticos atingiu Kyiv.

Pontos principais

  • A 19 de outubro, Trump afirmou que é hora de "alguém diferente" de Zelensky negociar com a Rússia em nome da Ucrânia.
  • Trump disse que Zelensky "não quer acabar com a guerra" e que a Ucrânia deu "nada" em troca da ajuda dos EUA.
  • Trump elogiou a Rússia por se comportar "normalmente" e Xi Jinping por ter sido "muito justo" em relação à Ucrânia.
  • Um ataque com drone russo Geran-3 a um parque em Nova Vodolaha, região de Kharkiv, matou seis pessoas, incluindo uma menina de 11 anos e outra de cerca de 1,2 anos.
  • Na noite de 18–19 de outubro, mísseis balísticos russos atingiram Kyiv; uma pessoa morreu e oito ficaram feridas, com danos num prédio de 25 andares, num centro médico, no centro comercial Cosmo Multimall e na infraestrutura do metro.
  • Zelensky afirmou que, desde o anúncio do "cessar-fogo energético" por Trump, a Rússia atacou infraestruturas energéticas ucranianas 76 vezes.
  • Trump disse estar aberto a uma reunião trilateral com Putin e Xi Jinping à margem da cimeira da APEC em novembro, proposta por Putin e noticiada pelo The Wall Street Journal.

Porque é importante

A sugestão pública de Trump de substituir Zelensky como principal negociador representa um afastamento significativo da política anterior dos EUA e dá cobertura a narrativas russas que questionam a legitimidade de Zelensky. Ao elogiar o comportamento de Moscovo e Pequim e simultaneamente acusar a Ucrânia de não dar "nada" em troca, o Presidente norte-americano redefine os termos do apoio norte-americano em plena semana de ataques russos contra civis, incluindo o ataque com drone em Nova Vodolaha que matou duas delas. O tom das declarações e a abertura a uma reunião trilateral com Putin e Xi Jinping, à margem da cimeira da APEC em novembro, indicam uma recomposição em curso do enquadramento diplomático norte-americano em torno da guerra.

O que aconteceu

No dia 19 de outubro de 2025, diante de jornalistas junto à Casa Branca, o Presidente dos EUA, Donald Trump, dirigiu-se a várias questões da guerra na Ucrânia. Sobre a Rússia, afirmou que Moscovo tem agido "normalmente" e "não tem feito grande coisa" em comparação com o que seria capaz, declarando apreciar esse comportamento. Sobre a China, disse que Xi Jinping tem sido "muito justo" e que não tem interferido demasiado. Em seguida, sugeriu que está na altura de "alguém diferente" do Presidente Volodymyr Zelensky conduzir as negociações com a Rússia, acusando Zelensky de não querer acabar com a guerra e de a estar a prolongar. Acrescentou que Zelensky "não sabe do que está a falar", em resposta a Zelensky ter dito que alguém está do "lado errado da história", e perguntou o que a Ucrânia deu aos EUA em troca da ajuda significativa recebida, respondendo ele próprio: "Nada. Lembrem-se disso." Trump mencionou ter visto na televisão uma mulher "muito famosa" a acusar Zelensky, citando-a como tendo dito que "Zelensky está a matar os nossos homens. Os nossos homens estão a morrer. Os nossos homens não têm pernas. Estão em hospitais psiquiátricos", sem identificar a mulher e acrescentando que querem "metê-la na prisão". Questionado sobre quem ordenou as restrições ao serviço Starlink na Ucrânia, Trump respondeu que não sabia mas que gostaria de apurar. Manifestou-se ainda aberto a uma reunião trilateral com Vladimir Putin e Xi Jinping, à margem da cimeira da APEC em novembro na China, proposta noticiada pelo The Wall Street Journal. As declarações surgiram no mesmo dia em que um drone russo do tipo Geran-3 atingiu o parque central da localidade de Nova Vodolaha, na região de Kharkiv, matando seis pessoas — mulheres de 28, 34 e 36 anos, um homem de cerca de 40 anos e duas meninas, de 11 anos e cerca de 1,2 anos, segundo o chefe da administração militar da região de Kharkiv, Oleh Syniehubov. Na noite de 18 para 19 de outubro, mísseis balísticos russos atingiram Kyiv em várias vagas — Zelensky indicou 16 mísseis — matando uma pessoa e ferindo oito, com destruição em três distritos, incluindo um prédio de 25 andares, uma unidade médica, o centro comercial Cosmo Multimall no distrito de Solomiansky e infraestrutura da linha vermelha do metro na margem esquerda. O porta-voz da Força Aérea, Yurii Ihnat, disse à NV que os defensores ucranianos não receberam aviso dos parceiros sobre o primeiro impacto, cerca das 23:00 de 18 de outubro, embora tenham recebido informação sobre os lançamentos seguintes cerca das 03:00.

Como o descrevem as fontes ucranianas

A maioria da cobertura em língua ucraniana salientou que Trump elogiou a Rússia e a China por se comportarem de forma "normal" ou "aceitável" em relação à Ucrânia, apesar dos ataques russos em curso, incluindo o ataque com drone em Nova Vodolaha que matou duas crianças e os mísseis balísticos que atingiram Kyiv na noite anterior. Os meios ucranianos destacaram a frase de Trump de que a Ucrânia deu "nada" em troca da ajuda dos EUA, enquadrando-a como uma traição face à escala dos ataques russos. Várias peças acompanharam as críticas a Zelensky com as respostas do próprio Zelensky: numa entrevista à Bloomberg em 18 de outubro, este acusou ações recentes dos EUA — restrições ao Starlink e atrasos na entrega de mísseis Patriot já pagos — de pressionarem Kyiv a capitular diante da Rússia. Os títulos sublinharam repetidamente o apelo de Trump a "alguém diferente" para negociar em nome da Ucrânia e a acusação de que Zelensky estaria a prolongar a guerra.

Como o descrevem as fontes internacionais

A cobertura internacional dividiu-se. O meio anglófono de Hong Kong concentrou-se estreitamente na manchete da sugestão de Trump de que Zelensky deveria passar as negociações a "alguém diferente", sem desenvolver o tema da conduta russa nem dar protagonismo às respostas ucranianas. O meio de língua russa sediado no Cazaquistão enquadrou as declarações como uma crítica dura a Zelensky e questionou a sua vontade de paz, mas também caracterizou a sugestão de um negociador que não Zelensky como um eco de narrativas de propaganda russa que apresentam Zelensky como ilegítimo e incapaz de negociar, e assinalou a contradição entre a afirmação de Trump de que a Rússia se comporta de forma "aceitável" e os ataques russos documentados nesse mesmo ciclo noticioso.

Onde as versões divergem

A cobertura russa-linguística (Tengrinews.kz) enquadrou a sugestão de Trump de que alguém diferente de Zelensky deveria negociar como um eco de narrativas de propaganda russas que apresentam Zelensky como ilegítimo e incapaz de negociar. O mesmo meio, em conjunto com NV, contrastou a afirmação de Trump de que a Rússia "não está a fazer grande coisa" e se comporta de forma aceitável com a escala documentada dos ataques russos no mesmo ciclo noticioso, incluindo os mísseis balísticos sobre Kyiv e o ataque de drone em Nova Vodolaha.

Contexto

A 14 de outubro, Zelensky afirmou numa entrevista que Trump e o seu círculo estão a escolher o "lado errado da história" devido a uma mudança de política em relação à Ucrânia, embora tenha dito que a Ucrânia não se opõe a que Trump continue como mediador desde que se mantenha neutro. A 18 de outubro, Zelensky deu uma entrevista à Bloomberg em que acusou os EUA de pressionarem Kyiv a capitular perante a Rússia, citando restrições ao Starlink e atrasos na entrega de mísseis Patriot já pagos. No mesmo dia, Zelensky indicou que, desde o anúncio do "cessar-fogo energético" por Trump, a Rússia atacou infraestruturas energéticas e de petróleo e gás da Ucrânia 76 vezes. A 9 de outubro, Trump tinha anunciado um acordo com Putin para o fornecimento de centenas de milhares de toneladas de gasóleo russo aos mercados mundiais, medida que a Ucrânia criticaria e que Zelensky classificaria como sinal de fraqueza. De acordo com dados da ONU citados na cobertura, pelo menos 328 civis foram mortos na Ucrânia em setembro de 2025 — o maior número mensal de vítimas civis desde o início da invasão russa em grande escala. As eleições intercalares para o Congresso dos EUA estão marcadas para 3 de novembro. O The Wall Street Journal noticiou que Putin propôs uma reunião trilateral com Trump e Xi Jinping em novembro, na China, à margem da cimeira da APEC, com a guerra na Ucrânia como tema potencial — formato que Trump disse estar aberto a considerar.