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Trump diz que Ucrânia pode obter licença para produzir mísseis Patriot, mas apenas uma versão "menos moderna"

O Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a Ucrânia pode vir a receber uma licença para produzir mísseis para o sistema de defesa aérea Patriot, mas apenas numa versão "menos moderna". A declaração foi feita a bordo do avião presidencial, em resposta a uma pergunta dos jornalistas, e não especificou que míssil está em causa. Surge depois de Zelensky ter dito, na véspera, que a questão estava "politicamente" resolvida com Trump, e depois de o próprio Trump ter afirmado que ainda não deu consentimento à transferência de tecnologia.

Pontos principais

  • Trump disse que a Ucrânia pode obter licença para produzir mísseis Patriot, mas apenas uma versão "menos moderna".
  • A declaração foi feita a bordo do avião presidencial, em resposta a perguntas dos jornalistas.
  • Trump não especificou qual o míssil exato em causa nas negociações.
  • Zelensky tinha anunciado na véspera que o tema estava "politicamente" resolvido com Trump.
  • Anteriormente, Trump afirmou que ainda não deu consentimento, argumentando que países recetores podem "um dia voltar essas tecnologias contra si".
  • Segundo Zelensky, a Rússia produz cerca de 140 mísseis balísticos por mês e a Ucrânia necessita de 100 a 120 mísseis Patriot por mês no inverno.
  • Trump afirmou que as fábricas dos EUA estão a produzir mais mísseis Patriot do que nunca.

Porque é importante

Os mísseis de interceção Patriot são centrais para a defesa da Ucrânia contra mísseis balísticos e de cruzeiro russos. Zelensky afirmou que a Ucrânia precisa de 100 a 120 mísseis por mês no inverno — um valor muito acima das entregas atuais —, e em agosto indicou que os fornecimentos caíram três vezes face ao ano anterior. A perspetiva de produção interna reduziria a dependência de arsenais norte-americanos e europeus, que Trump tem sugerido poderem estar sob pressão devido a outros conflitos. O rebaixamento para uma versão "menos moderna" sinaliza que Washington está disposto a licenciar tecnologia Patriot mais antiga (possivelmente PAC-2) enquanto retém as variantes mais recentes. Por fim, a declaração colide com a versão de Zelensky de que a questão já estava "politicamente" resolvida, ilustrando a fricção contínua nas negociações de armamento entre os EUA e a Ucrânia.

O que aconteceu

O Presidente dos EUA, Donald Trump, disse a bordo do avião presidencial que a Ucrânia pode receber uma licença para produzir mísseis do sistema de defesa aérea Patriot, mas apenas uma versão "menos moderna". A afirmação surgiu em resposta a uma pergunta dos jornalistas sobre se o Presidente Volodymyr Zelensky poderia obter essa licença junto dos EUA. Trump não esclareceu que tipo de míssil está em causa. A declaração surge no dia seguinte a Zelensky ter anunciado que ele e Trump tinham "politicamente" resolvido a questão da produção de mísseis Patriot na Ucrânia, e depois de o próprio Trump ter dito anteriormente que ainda não tinha dado consentimento à transferência de tecnologia, invocando o risco de países recetores poderem "um dia voltar essas tecnologias contra si". Trump salientou também que as fábricas norte-americanas estão atualmente a produzir mais mísseis Patriot do que nunca.

Como o descrevem as fontes ucranianas

A imprensa ucraniana — incluindo hromadske, Бабель, Forbes Ukraine, Українська правда, ЛІГА.net LB.ua, ZN.UA e НВ — trata a notícia sobretudo pela ótica das necessidades de defesa aérea da Ucrânia, sublinhando que Zelensky tinha dito que a questão estava "politicamente" resolvida. A cobertura destaca o rebaixamento para uma versão "menos moderna" como um sucesso parcial e não como uma concessão completa, ao mesmo tempo que chama a atenção para o fosso entre as necessidades declaradas por Zelensky e as entregas reais. Os artigos contextualizam a declaração com detalhes sobre a queda dos fornecimentos de mísseis, a transferência alemã de PAC-2, o financiamento europeu para aquisição de Patriot e os requisitos mensais apontados por Zelensky.

Onde as versões divergem

As fontes divergem sobre o ponto da situação das negociações da licença: Trump confirmou, depois recuou e agora reconfirmou parcialmente que uma licença para produção de Patriot pode ser concedida à Ucrânia, descrevendo-a como de versão "menos moderna". Zelensky afirma que a questão está "politicamente" resolvida; Trump diz que ainda não deu consentimento, embora admita agora uma versão menos avançada. Há também divergência sobre o motivo da recusa norte-americana ao pedido de Zelensky de 300 mísseis Patriot, feito a 29 de julho: o Financial Times relatou que foi para preservar arsenais face a uma guerra contra o Irão, enquanto relatos posteriores descreveram a recusa apenas como devida a " arsenais limitados", sem mencionar o Irão.

Contexto

A 29 de julho, Zelensky pediu a Trump a transferência urgente de 300 mísseis de interceção Patriot para o inverno; os EUA recusaram, citando arsenais limitados. No início de agosto, Zelensky afirmou que os fornecimentos de mísseis para a defesa aérea tinham caído três vezes face ao ano anterior, com parceiros a apontarem as operações militares no Médio Oriente como razão oficial. A Alemanha anunciou a 8 de setembro a transferência de mísseis Patriot PAC-2 a partir dos arsenais da Bundeswehr. Os Estados-membros da UE aprovaram a utilização de um empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros para adquirir cerca de 3,2 mil milhões de euros em mísseis de interceção Patriot norte-americanos para a Ucrânia. A 12 de setembro, Zelensky afirmou que a Rússia produz cerca de 140 mísseis balísticos por mês. O Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e o Vice-Presidente JD Vance já tinham declarado que as negociações sobre uma licença de produção Patriot continuam. A imprensa noticiou também que os fabricantes Raytheon e Lockheed Martin levantaram preocupações sobre a possibilidade de a Ucrânia melhorar o Patriot e produzi-lo de forma mais rápida e barata, o que tem contribuído para atrasos.