Senadores dos EUA propõem que Ucrânia pare ataques a refinarias russas por 100 dias em troca de mais Starlink
Os senadores republicanos norte-americanos Roger Wicker e Kevin Cramer propuseram ao Presidente Volodymyr Zelensky que a Ucrânia suspendesse durante 100 dias os ataques a infraestruturas energéticas russas, em troca da expansão da cobertura do sistema de comunicações por satélite Starshield cerca de 300 quilómetros para dentro do território russo. Zelensky terá concordado com a proposta. A iniciativa surgiu num contexto de cessar-fogo energético mediado por Donald Trump, de ameaças de Washington para bloquear vendas de armas e partilha de inteligência, e de restrições temporárias ao funcionamento dos terminais Starshield na Ucrânia que o fundador da SpaceX, Elon Musk, atribuiu à autoridade militar norte-americana e que a Reuters reportou como tendo sido ordenadas pela Casa Branca.
Pontos principais
- Wicker e Cramer apresentaram a proposta em Kyiv, onde estiveram na semana anterior com dois membros da Câmara dos Representantes.
- O acordo previa uma pausa de 100 dias nos ataques a infraestruturas energéticas russas em troca da expansão da cobertura do Starshield cerca de 300 km para dentro da Rússia.
- Segundo fontes do WSJ, Zelensky aceitou a proposta.
- A 11 de outubro, Trump anunciou um cessar-fogo energético entre a Ucrânia e a Rússia; no mesmo dia, o FT noticiou que Washington ameaçava bloquear vendas de armas e partilha de inteligência devido aos ataques a refinarias russas.
- A 12 de outubro, a Rússia atacou seis instalações energéticas ucranianas num só dia; na noite de 14 de outubro, atingiu as três centrais de aquecimento urbano (TEЦ) em Kyiv.
- Na noite de 14 de outubro, a SpaceX restringiu sem aviso o funcionamento dos terminais Starshield na Ucrânia; segundo a Reuters, a ordem partiu da Casa Branca, que classificou o incidente como 'avaria técnica'.
- A 15 de outubro, Zelensky afirmou que a Ucrânia retomaria os ataques a refinarias russas.
Porque é importante
A pausa de 100 dias nos ataques a alvos energéticos russos foi diretamente associada ao reforço do apoio norte-americano em comunicações por satélite, vinculando uma capacidade militar crítica a uma concessão política. O episódio surge num quadro mais amplo em que Washington usou como moeda de troca a venda de armas e a partilha de inteligência, e em que a Ucrânia aceitou restrições operacionais mesmo quando a Rússia continuou a atacar infraestruturas civis sem aviso prévio aos parceiros. A interrupção do Starshield e as explicações contraditórias da SpaceX, da Casa Branca e da Reuters expõem a vulnerabilidade da Ucrânia à dependência de sistemas norte-americanos. A decisão de retomar os ataques às refinarias mostra os limites dessa concessão.
O que aconteceu
Na semana anterior, os senadores republicanos Roger Wicker e Kevin Cramer viajaram a Kyiv, acompanhados por dois membros da Câmara dos Representantes, e propuseram ao Presidente Volodymyr Zelensky que a Ucrânia suspendesse durante 100 dias os ataques a infraestruturas energéticas russas. Em troca, os Estados Unidos expandiriam a cobertura do sistema de comunicações por satélite Starshield, a versão militar do Starlink, cerca de 300 quilómetros para dentro do território russo, para permitir à Ucrânia atingir com mais eficácia lançadores de mísseis e drones russos usados contra cidades ucranianas. Segundo fontes do WSJ, Zelensky aceitou a proposta. A 11 de outubro, o Presidente norte-americano Donald Trump tinha anunciado um cessar-fogo energético entre os dois países; no mesmo dia, o Financial Times noticiou que Washington ameaçava bloquear vendas de armas e a partilha de inteligência devido aos ataques ucranianos a refinarias russas. A Ucrânia aceitou e, até 15 de outubro, não atacou refinarias russas. Nesse intervalo, a 12 de outubro, a Rússia atacou seis instalações energéticas ucranianas num só dia e, na noite de 14 de outubro, atingiu as três centrais de aquecimento urbano de Kyiv — em ambos os casos sem aviso prévio aos parceiros. Na mesma noite, a SpaceX restringiu sem aviso o funcionamento dos terminais Starshield na Ucrânia. Elon Musk afirmou que esses sistemas são controlados pelo governo dos EUA, com decisão final do Presidente; a Reuters noticiou que a ordem partiu especificamente da Casa Branca, que descreveu o incidente como uma 'avaria técnica'. A 15 de outubro, segundo fontes do Ministério da Defesa citadas pela Babel, o funcionamento do Starshield já tinha sido restabelecido. No mesmo dia, Zelensky anunciou que a Ucrânia retomaria os ataques a refinarias russas.
Onde as versões divergem
As fontes divergem na caracterização da interrupção do Starshield na Ucrânia. Elon Musk afirmou que a utilização dos sistemas é determinada pelo exército norte-americano com decisão final do Presidente. A Reuters reportou, citando as suas fontes, que a ordem de limitar o funcionamento dos terminais partiu especificamente da Casa Branca. A Administração norte-americana descreveu o incidente como uma 'avaria técnica'.