Zelensky anuncia encontro com Trump na terceira semana de setembro; defesa antimíssil é o tema central
O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou em 8 de setembro que espera reunir-se com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos dias 20 desse mês, tendo como tema principal o fornecimento de mísseis interceptores antibalísticos americanos. O anúncio surge após a visita dos enviados especiais norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner a Moscovo (5 de setembro) e a Kiev (6 de setembro), no âmbito de um novo impulso diplomático, e na véspera de um ataque massivo russo à capital ucraniana na noite de 7 para 8 de setembro.
Pontos principais
- Zelensky afirmou em 8 de setembro que espera encontrar Trump nos dias 20 de setembro, com a questão dos mísseis antibalísticos norte-americanos como tema central.
- Os enviados dos EUA Steve Witkoff e Jared Kushner visitaram Moscovo em 5 de setembro e Kiev em 6 de setembro, reunindo-se com Putin e Zelensky, respetivamente.
- Durante a visita, Ucrânia e Rússia acordaram uma moratória mútua de três dias sobre ataques às capitais.
- No ataque russo à noite de 7 para 8 de setembro, foram lançados cerca de 180 alvos aéreos, dos quais cerca de 90% foram abatidos, segundo Zelensky; os Pássaros de Defesa intercetaram mais de 30 mísseis de cruzeiro.
- Zelensky indicou que a Ucrânia e os EUA caminham para um formato de negociação trilateral (Ucrânia-EUA-Rússia); possíveis localizações incluem EAU, Suíça ou Turquia.
- A 22 de setembro abre-se o debate de alto nível da Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, apontado como possível palco do encontro.
- A Ucrânia recebeu este ano três vezes menos mísseis de defesa antibalística do que no ano anterior, com parceiros a invocarem o conflito no Médio Oriente como motivo oficial.
Porque é importante
O anunciado encontro seria o primeiro contacto pessoal entre Zelensky e Trump desde a reunião na Casa Branca em 28 de julho e ocorre num momento de intensificação da diplomacia norte-americana, com a Ucrânia a colocar a defesa antibalística como prioridade absoluta. O pedido responde ao défice agudo que Zelensky descreve, sublinhado pelo ataque massivo russo a Kiev na noite de 7 para 8 de setembro, em que a maioria dos mísseis balísticos não pôde ser intercetada. A coincidência com a semana de alto nível da Assembleia Geral da ONU, a partir de 22 de setembro, liga o bilateral a uma agenda multilateral mais vasta, enquanto as conversações trilaterais (Ucrânia-EUA-Rússia) parecem ganhar forma.
O que aconteceu
Em 8 de setembro, o Presidente Volodymyr Zelensky anunciou que espera reunir-se com o Presidente dos EUA Donald Trump nos dias 20 de setembro, indicando o fornecimento de mísseis interceptores antibalísticos norte-americanos como o principal tema da agenda. A declaração surgiu dois dias depois de os enviados especiais norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner terem estado em Kiev, em 6 de setembro, onde se reuniram com Zelensky, após uma visita a Moscovo em 5 de setembro para um encontro com Vladimir Putin. Durante essas visitas, Ucrânia e Rússia acordaram uma moratória mútua de três dias sobre ataques às respetivas capitais, no quadro da presença dos representantes norte-americanos. Witkoff afirmou que houve «progressos substanciais» no processo de paz e que ficou acordado um calendário para novas conversações trilaterais; Kushner sublinhou que Trump procura não apenas o fim da guerra, mas uma paz duradoura, embora sem garantir o fim do conflito antes do inverno. Zelensky disse que a Ucrânia e os EUA caminham para um formato trilateral (Ucrânia-EUA-Rússia), com possíveis localizações nos EAU, na Suíça ou na Turquia, e mencionou a exportação de energia e cereais e, sobretudo, a via humanitária — incluindo trocas de prisioneiros — como prioridades. A diplomacia foi однако interrompida por um ataque massivo russo a Kiev na noite de 7 para 8 de setembro, com cerca de 180 alvos aéreos (incluindo 32 mísseis de cruzeiro Kh-101, 166 drones e mísseis balísticos Oniks, Iskander-M/S-400/KN-23), dos quais cerca de 90% foram abatidos; a maioria dos mísseis balísticos não pôde ser intercetada. Zelensky sublinhou o défice de capacidades de interceção antibalística da Ucrânia e revelou um programa próprio designado «Frea»/«Freya»/«Freyja», esperando apoio norte-americano e europeu. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Heorhii Tykhyi, confirmou que o encontro Zelensky–Trump foi preliminarmente acordado para a segunda metade de setembro, com o início do debate de alto nível da 81.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, a 22 de setembro, apontado como um dos palcos possíveis.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A comunicação social ucraniana centra o encontro anunciado na necessidade urgente de mísseis interceptores antibalísticos norte-americanos, enquadrando-o como resposta ao ataque massivo de 7-8 de setembro e à quebra de entregas — Zelensky afirmou que este ano a Ucrânia recebeu três vezes menos mísseis de defesa antibalística do que no ano anterior, com os parceiros a invocarem o conflito no Médio Oriente como razão oficial. A imprensa ucraniana destaca a diplomacia dos enviados Witkoff e Kushner e apresenta a moratória sobre ataques às capitais como resultado concreto dessa visita. É dado relevo ao programa próprio «Frea»/«Freya»/«Freyja» e à esperança de apoio norte-americano e europeu, bem como à ampla agenda bilateral do MNE — «plano de prosperidade», garantias de segurança, acordo sobre drones e capacidades adicionais de defesa antiaérea. A recusa, noticiada pelo Financial Times, de 300 mísseis Patriot é enquadrada como condicionada pelas reservas de stock dos EUA e pelo Médio Oriente, embora se salientem entregas parciais — sistemas Crotale e mísseis AIM para NASAMS.
Como o descrevem as fontes internacionais
A única fonte não ucraniana no conjunto consultado, a agência azeri APA, relata o encontro Zelensky–Trump de setembro em termos neutros, como preparação para uma reunião pessoal, sem a agenda detalhada nem a ênfase no défice de mísseis antibalísticos que marcam a cobertura ucraniana.
Onde as versões divergem
As fontes divergem quanto ao número de feridos no ataque de 8 de setembro a Kiev: a Forbes Ukraine indica 2 mortos e 10 feridos, enquanto a NV aponta pelo menos 2 mortos e 12 feridos.
Contexto
Os enviados especiais norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner visitaram Moscovo em 5 de setembro para conversas com Vladimir Putin e, no dia seguinte, Kiev, onde se reuniram com Zelensky, naquela que foi a primeira visita à capital ucraniana desde o início do segundo mandato de Trump. Durante a deslocação, Ucrânia e Rússia acordaram uma moratória de três dias sobre ataques às capitais. Witkoff disse haver «progressos substanciais» no processo de paz e que foi acordado um calendário para novas reuniões trilaterais; Kushner afirmou que Trump procura não apenas o fim da guerra, mas uma paz duradoura, embora sem garantir o fim do conflito antes do inverno. Zelensky revelou que a Ucrânia prepara um programa antibalístico próprio chamado «Frea»/«Freya»/«Freyja» e conta com apoio norte-americano e europeu. O Financial Times noticiou que Trump recusou o pedido ucraniano de 300 mísseis Patriot para preservar os stocks norte-americanos face a um potencial conflito com o Irão, depois de a Ucrânia ter também solicitado a tecnologia de produção dos Patriot, à qual Trump quase acedeu, recuando depois. Zelensky indicou que a Ucrânia recebeu este ano três vezes menos mísseis de defesa antibalística do que no anterior, com parceiros a citarem o Médio Oriente como motivo, embora tenham confirmado entregas de sistemas Crotale e mísseis AIM para NASAMS. O porta-voz do MNE Heorhii Tykhyi enumerou como possíveis temas bilaterais a defesa antiaérea adicional, um «plano de prosperidade», garantias de segurança e um acordo sobre drones; nas trilaterais, Zelensky mencionou energia e cereais, com a via humanitária — incluindo trocas de prisioneiros — como prioridade.