Zelenskyy pede 70 mil milhões de euros adicionais à UE para 2027; Conselho Europeu encarrega Comissão de apresentar proposta
Na cimeira do Conselho Europeu de 16 de outubro, em Bruxelas, o Presidente Volodymyr Zelenskyy pediu aos líderes da UE pelo menos 70 mil milhões de euros de financiamento adicional dos parceiros para 2027, num total de custos de guerra que estimou em 155 mil milhões de euros. A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou um défice de financiamento de 70 mil milhões para 2027 — acima do empréstimo UE já acordado de 90 mil milhões — e indicou que os parceiros terão de cobrir cerca de um terço. O Conselho Europeu encarregou a Comissão de preparar uma proposta concreta para colmatar essa falha.
Pontos principais
- Zelenskyy estimou em 155 mil milhões de euros o custo da guerra para a Ucrânia em 2027 e pediu pelo menos 70 mil milhões de euros de apoio adicional dos parceiros.
- Von der Leyen confirmou um défice de financiamento de 70 mil milhões de euros para 2027, a somar ao empréstimo UE já acordado de 90 mil milhões para 2026–2027.
- O Conselho Europeu de 16 de outubro encarregou a Comissão Europeia de preparar uma proposta concreta para cobrir o défice.
- UE e Estados-membros representam atualmente 80% da ajuda externa à Ucrânia, segundo Von der Leyen; a Comissão espera que os parceiros cubram cerca de um terço da nova necessidade.
- Já foram atribuídos cerca de 16 mil milhões de euros à Ucrânia ao abrigo do mecanismo Ukraine Support Loan, podendo chegar mais 17 mil milhões até ao fim do ano, condicionados a reformas.
- A 1 de outubro, UE e Ucrânia concluíram que não há necessidade de financiamento internacional adicional em 2026; a 7 de outubro a Ucrânia recebeu 1,24 mil milhões de euros para drones, intercetadores de drones e mísseis.
- O primeiro-ministro dinamarquês Mette Frederiksen descreveu a situação como «muito, muito difícil» devido a sinais dos EUA e defendeu a utilização dos ativos russos congelados, iniciativa que disse estar bloqueada por alguns Estados-membros.
Porque é importante
O encontro em Bruxelas quantificou pela primeira vez a um nível político tão elevado o défice de financiamento da Ucrânia para 2027 e transformou-o num compromisso institucional: o Conselho Europeu pediu à Comissão uma proposta concreta. Isto acontece numa altura em que UE e Estados-membros já suportam 80% da ajuda externa à Ucrânia, no meio de sinais de tensão transatlântica e do debate intra-UE sobre a utilização dos ativos russos congelados.
O que aconteceu
No dia 16 de outubro, o Presidente Volodymyr Zelenskyy falou na reunião do Conselho Europeu em Bruxelas e estimou em 155 mil milhões de euros o custo total da guerra para a Ucrânia em 2027, solicitando pelo menos 70 mil milhões de euros em apoio adicional dos parceiros para defesa, armas e resiliência. Zelenskyy descreveu a cifra como realista, sublinhou a capacidade de produção de drones da Ucrânia e apelou à adoção de um forte 22.º pacote de sanções contra a Rússia e ao reforço da defesa antiaérea antes do inverno. Propôs ainda a criação de um depósito especial sob controlo da UE para reduzir o risco de desbloqueio dos ativos russos congelados.
Pouco depois, em conferência de imprensa, a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou o défice de 70 mil milhões de euros para 2027, acima do empréstimo UE de 90 mil milhões já acordado para 2026–2027, e indicou que a Comissão espera que os parceiros cubram cerca de um terço dessa necessidade. Von der Leyen recordou que a UE e os Estados-membros representam 80% da ajuda externa à Ucrânia e referiu que cerca de 16 mil milhões já foram atribuídos ao abrigo do Ukraine Support Loan, podendo ser disponibilizados até mais 17 mil milhões até ao fim do ano, sujeitos a reformas.
O Presidente do Conselho Europeu, António Costa, anunciou que os líderes encarregaram a Comissão de preparar uma proposta concreta para colmatar o défice. O Presidente francês Emmanuel Macron assegurou que a UE «não abandonará a Ucrânia» e que o financiamento poderá vir do G7, de parceiros e da UE, mas considerou prematuro fixar um montante e sublinhou que os 90 mil milhões já acordados têm de ser primeiro totalmente desembolsados. Macron mencionou ainda que a UE trabalha para apoiar a Ucrânia com imagery por satélite e sistemas de alerta precoce, face à dependência de tecnologias de combate norte-americanas. Já a primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen, falando antes do segundo dia da cimeira, qualificou a situação como «muito, muito difícil» devido a sinais dos Estados Unidos, afirmou que a Ucrânia esgotou os seus recursos financeiros, defendeu a utilização dos ativos russos congelados — iniciativa que, disse, está bloqueada por alguns Estados-membros — e garantiu que a Dinamarca continuará o apoio militar, incluindo cooperação em drones e mísseis.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A cobertura ucraniana coloca no centro o apelo direto de Zelenskyy, apresentando os 70 mil milhões de euros como um pedido concreto e realista ancorado no cálculo global de 155 mil milhões para 2027. Realça a capacidade de produção de drones — que Zelenskyy diz poder duplicar ou triplicar se houver financiamento — e enquadra o défice como um estrangulamento decisivo para a defesa antiaérea no inverno. Sublinha igualmente as medidas institucionais já concluídas em Kiev: a ratificação pela Verkhovna Rada do empréstimo da UE de 90 mil milhões, a receção de tranches e o cumprimento das condições para o financiamento externo de 2026, como prova de prontidão para mais apoio. Inclui ainda as declarações de Mette Frederiksen a descrever a situação como «muito, muito difícil» e a apoiar o uso dos ativos russos congelados.
Como o descrevem as fontes internacionais
A cobertura internacional destaca o processo institucional desencadeado em Bruxelas: Von der Leyen confirma o défice de 70 mil milhões e Costa anuncia que a Comissão ficará encarregue de uma proposta concreta. Enfatiza que a UE e os Estados-membros representam 80% da ajuda externa à Ucrânia e que se espera que os parceiros cubram cerca de um terço da nova lacuna, com 45 mil milhões de euros anuais já atribuídos ou planeados ao abrigo do Ukraine Support Loan. Macron é citado a moderar as expetativas — «não abandonaremos a Ucrânia», mas é cedo para fixar um montante e os 90 mil milhões já acordados têm de ser primeiro totalmente utilizados — e a mencionar que a análise será feita em conjunto com Kiev, com fontes possíveis no G7, parceiros e UE. Como pano de fundo, a imprensa internacional refere o bloqueio russo do Mar Negro, a queda das receitas de exportação de cereais, violações do espaço aéreo e sabotagens na Europa, que os líderes da UE citam para justificar a continuação do apoio a Kiev e o reforço da própria defesa europeia até 2030.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre o que representam exatamente os 70 mil milhões de euros: parte da cobertura (Suspilne, Forbes Ukraine, NV, Le Monde, entre outras) trata o valor como o défice externo adicional a somar ao empréstimo UE de 90 mil milhões; outras leituras enquadram-no como parte do custo total da guerra de 155 mil milhões para 2027.
Há também divergências sobre a urgência e o calendário da resposta da UE. O resultado oficial do Conselho Europeu — pedido de uma proposta da Comissão — é descrito pela Ukrainska Pravda e pela Ukrinform, entre outras. Porém, alguns relatos, incluindo declarações de um alto funcionário europeu anónimo citadas pela Yevropeiska Pravda, indicam que a proposta está numa fase inicial, que pode não ser aprovada até ao fim do ano e que a prioridade imediata continua a ser a plena desembolso dos 90 mil milhões já acordados.
Contexto
A UE já tinha acordado, em fevereiro de 2026, o mecanismo de empréstimo Ukraine Support Loan no valor de 90 mil milhões de euros para 2026–2027, dos quais 30 mil milhões para o orçamento e 60 mil milhões para a indústria de defesa e aquisições, com a primeira tranche de 3,2 mil milhões desembolsada em 25 de junho. Até ao início de outubro, a Ucrânia tinha recebido 15,7 mil milhões de euros ao abrigo deste mecanismo, sujeito a condições de reforma, e recebeu mais 1,24 mil milhões em 7 de outubro para drones, intercetadores de drones e mísseis produzidos por empresas ucranianas.
A 1 de outubro, representantes da UE e da Ucrânia concluíram que não existe necessidade de financiamento internacional adicional em 2026, e em 15 de outubro o Governo ucraniano afirmou ter cumprido todas as condições para o financiamento externo desse ano, aguardando aprovação dos Estados-membros. Para 2027, o Ministério da Defesa da Ucrânia estima a necessidade de defesa em 175 mil milhões de dólares (cerca de 100 mil milhões previstos no projeto de orçamento); o ministro das Finanças Serhiy Marchenko tinha referido cerca de 69 mil milhões de euros, e o primeiro-ministro Serhiy Koretsky afirmou que faltam ainda 32,6 mil milhões de dólares para o orçamento de 2027. Zelenskyy propôs recorrer aos ativos russos congelados, inclusive através de um depósito especial sob controlo da UE, e apelou a um forte 22.º pacote de sanções contra a Rússia e ao reforço da defesa antiaérea antes do inverno. O Conselho Europeu de 16 de outubro decorreu num contexto mais amplo de preocupações com sabotagens russas, violações do espaço aéreo e campanhas híbridas na Europa, e em meio a tensões transatlânticas assumidas.