Ucrânia pede mais 27 mil milhões de dólares à UE e causa surpresa entre aliados europeus
O Presidente Volodymyr Zelenskyy informou os parceiros europeus de que a Ucrânia precisa de mais 27 mil milhões de dólares até ao final do ano, um valor que apanhou de surpresa as autoridades europeias. Estas estão agora a avaliar o tamanho e as causas do défice e a ponderar opções de financiamento, incluindo a possibilidade de acelerar as verbas do empréstimo de mais de 100 mil milhões aprovado em abril. A Ucrânia apela também à utilização dos ativos russos congelados e pediu apoio ao Reino Unido, Canadá e Japão.
Pontos principais
- Zelenskyy afirmou que a Ucrânia precisa de mais 27 mil milhões de dólares até ao final do ano.
- Funcionários europeus não esperavam um défice desta dimensão e questionam a eficácia da despesa.
- A Comissão Europeia está a avaliar o tamanho e as causas do défice antes de decidir financiamento adicional.
- Oito diplomatas e funcionários europeus consideram antecipar parte do empréstimo da UE como opção mais realista.
- A Ucrânia pede à UE que use os mais de 200 mil milhões de dólares em ativos russos congelados no Euroclear.
- A Bélgica opõe-se à confiscação dos ativos russos, temendo precedentes e riscos para a estabilidade financeira.
- A Ucrânia também solicitou apoio ao Reino Unido, Canadá e Japão para cobrir o défice.
Porque é importante
O pedido cria um desafio de financiamento imediato num momento em que a Ucrânia procura apoio continuado dos aliados. Os parceiros europeus estão a avaliar se o défice reflete uma escassez de financiamento real, necessidades de despesa legítimas ou exigências inflacionadas. Antecipar o desembolso do empréstimo da UE proporcionaria fundos mais cedo, mas reduziria o montante disponível no ano seguinte, enquanto o desacordo sobre a utilização dos ativos russos congelados deixa por resolver uma importante fonte potencial de financiamento.
O que aconteceu
O Presidente Volodymyr Zelenskyy informou os parceiros europeus, durante uma visita a Kiev para o Dia da Independência da Ucrânia, que o país precisa de mais 27 mil milhões de dólares até ao final do ano, montante que descreveu como um défice orçamental de defesa inesperado e de grande dimensão. O pedido apanhou de surpresa as autoridades europeias, que não esperavam um défice desta magnitude e que, em privado, questionam a eficácia da utilização dos fundos e se as necessidades foram inflacionadas. A Comissão Europeia, através do Comissário para a Economia Valdis Dombrovskis, iniciou uma avaliação após um encontro com o Primeiro-Ministro Serhiy Koretsky, aguardando uma visão clara da situação financeira da Ucrânia. A Ucrânia também pediu ao Reino Unido, Canadá e Japão que ajudem a cobrir o défice. O défice inclui, segundo Zelenskyy, despesas com aquisição de armamento, salários militares e pagamentos às famílias de soldados mortos em combate, embora a Ucrânia ainda não tenha publicado uma discriminação completa das suas necessidades orçamentais de curto prazo. Oito diplomatas e funcionários europeus consideram a antecipação do desembolso do empréstimo aprovado pela UE em abril — mais de 100 mil milhões de dólares a serem pagos em dois anos — uma das formas mais realistas de obter fundos rapidamente, embora tal signifique menos financiamento disponível em 2027. Zelenskyy afirmou que parte da despesa se formou durante o mandato do ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov, que entretanto deixou o cargo e negou que existisse um défice tão grande durante a sua gestão, atribuindo o desvio a projetos da nova liderança do ministério.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A cobertura ucraniana destaca a dimensão do défice adicional que a Ucrânia precisa de cobrir até ao final do ano e a pressão imediata sobre a despesa de defesa. As autoridades e responsáveis ucranianos aparecem como procurando financiamento junto de vários parceiros internacionais, sublinhando que as necessidades incluem aquisição de armamento, pagamento a militares e apoio às famílias dos soldados caídos. A possibilidade de utilizar os ativos russos congelados é apresentada como uma fonte potencialmente importante de financiamento rápido, e a necessidade de esclarecer o défice perante os europeus é apontada como prioridade para desbloquear apoio adicional.
Como o descrevem as fontes internacionais
A cobertura internacional sublinha a surpresa das autoridades europeias perante a escala do défice e o seu ceticismo quanto à eficácia da despesa e à justificação do pedido. Os funcionários europeus surgem como procurando apurar o tamanho e as causas do défice e a ponderar opções de financiamento face às prioridades orçamentais internas. A oposição da Bélgica à confiscação dos ativos russos congelados é destacada como um constrangimento à utilização desses ativos para apoiar a Ucrânia, num momento em que os Estados Unidos reduziram o seu apoio financeiro e o financiamento europeu se tornou ainda mais crucial para Kiev.
Onde as versões divergem
As fontes divergem na caracterização do período em que os ataques russos à indústria e aos corredores de exportação de cereal ucranianos provocaram a perda de cerca de metade das receitas esperadas: algumas reportagens referem 2025, enquanto outras mencionam o último mês. Os números fornecidos para a assistência internacional adicional necessária até ao final do ano também diferem: 27 mil milhões de dólares no contexto do défice do orçamento de defesa, e 29,5 mil milhões de dólares segundo Roksolana Pidlasa, presidente da comissão parlamentar do orçamento.
Contexto
A UE aprovou em abril de 2026 um empréstimo de mais de 100 mil milhões de dólares à Ucrânia, a ser desembolsado ao longo de dois anos, com metade em 2026 e o restante em 2027. Mais de 200 mil milhões de dólares em ativos soberanos russos congelados estão depositados no Euroclear, na Bélgica, cujo governo se opõe à sua confiscação por receio de criar um precedente, desencadear instabilidade financeira e provocar a retirada de investidores das instituições financeiras europeias. Os Estados Unidos cortaram o seu apoio financeiro a Kiev, aumentando a importância do financiamento europeu. Uma tentativa anterior de utilizar os ativos russos congelados para garantir um empréstimo à Ucrânia fracassou devido à oposição da Bélgica e de outros países. A Suécia e outros Estados-membros da UE tentam agora relançar a ideia. A Ucrânia ainda não publicou uma discriminação completa das suas necessidades orçamentais de curto prazo.