Zelensky visita Londres, reúne-se com o rei Carlos III e o primeiro-ministro Andy Burnham e garante novo pacote militar britânico
O Presidente Volodymyr Zelensky esteve em Londres a 14 de outubro, onde foi recebido em audiência pelo rei Carlos III no Palácio de Buckingham e manteve conversações em 10 Downing Street com o primeiro-ministro Andy Burnham. Do encontro saiu o anúncio de um pacote de mísseis antiaéreos de 45 milhões de libras, a aceleração da entrega de mísseis ligeiros multiusos (LMM) para abater drones russos com motor a jato, a confirmação de uma proibição total de serviços marítimos para a exportação de GNL russo, e a promessa de novos pacotes de sanções e de ajuda militar e financeira nas próximas semanas. A visita decorreu num momento de forte tensão nas relações entre a Ucrânia e os Estados Unidos, com o chefe do Governo britânico a afirmar que tentará "reconstruir pontes" entre Kiev e Washington.
Pontos principais
- Zelensky foi recebido em audiência pelo rei Carlos III no Palácio de Buckingham a 14 de outubro e agradeceu o apoio britânico.
- Burnham recebeu Zelensky em 10 Downing Street e disse que o líder ucraniano não sairá do Reino Unido "de mãos vazias".
- Reino Unido anuncia pacote de mísseis antiaéreos de 45 milhões de libras e acelera 10 milhões de libras em entregas de mísseis LMM para o inverno.
- Londres confirma proibição total de serviços marítimos para a exportação de GNL russo.
- Burnham diz querer "reconstruir pontes" entre a Ucrânia e os Estados Unidos, sem criticar Donald Trump.
- Burnham encarregou ministros de preparar sanções adicionais, ajuda militar e apoio financeiro nas próximas semanas.
- Zelensky referiu a Burnham dificuldades no acesso à Starlink e na partilha de informações com Washington.
Porque é importante
A visita a Londres consolidou o apoio britânico à Ucrânia num momento em que as relações com Washington estão visivelmente sob tensão, com o primeiro-ministro do Reino Unido a assumir publicamente o papel de tentar "reconstruir pontes" entre Kiev e os Estados Unidos. Do ponto de vista militar, o Reino Unido anunciou medidas concretas para responder às necessidades mais urgentes de defesa antiaérea durante o inverno, incluindo um pacote de 45 milhões de libras em mísseis antiaéreos e a aceleração das entregas de mísseis LMM, utilizados para abater drones russos com motor a jato. No plano económico, Londres confirmou a proibição total de serviços marítimos para exportação de GNL russo e sinalizou novos pacotes de sanções, ajuda militar e apoio financeiro nas próximas semanas. A audiência com o rei Carlos III deu à visita um peso simbólico elevado, com uma receção protocolar invulgarmente alta para Zelensky, sublinhando o contraste com a deterioração da relação com Washington — onde pontos sensíveis como o acesso à Starlink e a partilha de informações estão agora em causa.
O que aconteceu
O Presidente Volodymyr Zelensky viajou de Rzeszów, na Polónia, para Londres e anunciou a sua chegada ao Reino Unido por volta das 14:30, hora de Kiev, a 14 de outubro. O programa começou com uma audiência no Palácio de Buckingham junto do rei Carlos III, perante quem Zelensky agradeceu pessoalmente o apoio firme do Reino Unido à Ucrânia.
Ao final da tarde, Zelensky foi recebido em 10 Downing Street por uma guarda de honra militar do Corpo da Guarda Real, num nível de cerimónia que um correspondente da Sky News comparou à segunda visita de Estado de Donald Trump. Após um foto-op controlado e declarações iniciais à imprensa sem perguntas, Zelensky e o primeiro-ministro Andy Burnham conversaram durante pouco mais de uma hora sobre um amplo leque de questões de segurança e sobre a preservação da pressão de sanções sobre a Rússia, tendo acordado uma reunião bilateral nos próximos dias.
Do lado britânico, foram concretizadas várias decisões: o anúncio de um pacote de mísseis antiaéreos de 45 milhões de libras, dos quais 10 milhões serão acelerados a partir do pacote LMM já existente para responder às necessidades mais urgentes do inverno; a confirmação de uma proibição total da prestação de serviços marítimos para exportação de GNL russo; e a instrução de Burnham aos ministros para preparar sanções adicionais e pacotes de ajuda militar e financeira nas próximas semanas. O ministro das Finanças, John Healey, iria usar reuniões com o FMI em Banguecoque para pedir aos parceiros que sigam o exemplo britânico na proibição do GNL russo.
Burnham afirmou que Zelensky não deixaria o Reino Unido "de mãos vazias", elogiou a liderança demonstrada por Zelensky após as críticas de Trump sobre um cessar-fogo energético e sublinhou que o apoio britânico "não vai mudar". Zelensky abordou com o primeiro-ministro as dificuldades no acesso à Starlink e na partilha de informações com Washington, problemas que atribuiu a movimentos inesperados dos EUA. Kiev foi atingida por um ataque a uma central elétrica após o anúncio do cessar-fogo e Zelensky apontou para 124 drones russos durante a noite e mais 145 durante o dia, com mais de 40 "shaheds" ainda em espaço aéreo ucraniano.
Como o descrevem as fontes ucranianas
Os media ucranianos colocaram no centro da cobertura a audiência com o rei Carlos III e o gesto simbólico do agradecimento pelo apoio britânico, acompanhando-a quase sempre em título. A cerimónia em Downing Street — guarda de honra militar, foto-op controlado, declarações iniciais sem perguntas e o abraço do primeiro-ministro — foi descrita como um nível de receção invulgarmente elevado, equiparado por uma reportagem à segunda visita de Estado de Trump. As entregas concretas — pacote de mísseis antiaéreos de 45 milhões de libras, aceleração dos LMM, proibição dos serviços marítimos para exportação de GNL russo e novos pacotes de sanções e de ajuda — são apresentadas como resultados tangíveis do dia. O enquadramento sublinha ainda as dificuldades com Washington (Starlink e partilha de informações) levantadas por Zelensky em Londres, contrastando a previsibilidade britânica com a instabilidade norte-americana.
Onde as versões divergem
Os relatos divergem quanto ao ano da audiência com o rei Carlos III: a legenda de uma fotografia num dos artigos indica 14 de outubro de 2026, enquanto o corpo das peças e restantes fontes colocam a visita em 14 de outubro sem precisarem o ano. Há também divergência sobre se os Estados Unidos chegaram a ameaçar suspender a partilha de informações com a Ucrânia: Zelensky e responsáveis ucranianos afirmam que Washington avisou poder parar essa partilha, ao passo que a União Europeia diz não ter visto sinais de uma interrupção efetiva.
Contexto
A visita decorreu em paralelo com uma forte deterioração das relações entre Zelensky e o Presidente norte-americano Donald Trump. Depois de Zelensky ter criticado a decisão dos EUA de autorizar o fornecimento de gasóleo russo, Trump afirmou que "é tempo de a Ucrânia escolher um novo presidente" e acusou Zelensky de não querer fechar um acordo de paz com a Rússia. Separadamente, a 11 de outubro, Trump anunciou na Truth Social a entrada em vigor de um cessar-fogo energético entre a Rússia e a Ucrânia; Zelensky disse ter sabido do anúncio por essa publicação e referiu que, depois disso, foi atingida uma central elétrica em Kiev. Reportagens citadas pela Axios indicam que os enviados de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, avisaram em Miami, a 9 de outubro, que a partilha de informações poderia ser cortada caso Kiev não pusesse fim aos ataques a refinarias russas; a Ucrânia afirmou também que Washington abrandou o funcionamento da Starlink, enquanto a UE disse não ver sinais de suspensão da partilha de informações. Zelensky viajou de Rzeszów, na Polónia — a sua primeira deslocação desde o agravamento das relações Kiev-Varsóvia por um escândalo em torno da Ordem da Águia Branca. O Reino Unido já tinha atribuído 1,6 mil milhões de libras ao fornecimento de mais de 5.000 mísseis LMM à Ucrânia ao longo de quatro anos.