Kaja Kallas acusa EUA de empurrar Ucrânia para capitulação e exige lugar da UE nas negociações
A chefe da política externa da UE, Kaja Kallas, afirmou que os negociadores norte-americanos tentam há ano e meio forçar a Ucrânia a capitular nos termos de Vladimir Putin. Segundo Kallas, a Ucrânia só não cedeu graças ao apoio europeu. Numa reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, apresentou um plano de participação «genuinamente maximalista» nas conversações de paz previstas para fevereiro de 2026, argumentando que as decisões sobre o levantamento de sanções exigem a presença europeia à mesa.
Pontos principais
- Kaja Kallas acusou os negociadores norte-americanos de tentar durante ano e meio empurrar a Ucrânia para uma capitulação nos termos de Vladimir Putin.
- Na sua avaliação, a Ucrânia não capitulou graças ao apoio da Europa.
- Kallas apelou à continuação do apoio europeu à Ucrânia.
- A chefe da diplomacia da UE apresentou aos ministros dos Negócios Estrangeiros do bloco um plano «genuinamente maximalista» de participação nas negociações de paz de fevereiro de 2026.
- Argumentou que a Europa deve estar representada à mesa porque as decisões sobre o levantamento de sanções são da sua competência.
- A Rússia está interessada, entre outras coisas, no levantamento das sanções, de acordo com Kallas.
- Volodymyr Zelensky já tinha acusado os Estados Unidos de exercerem pressão sobre Kiev para que capitulasse perante a Rússia.
Porque é importante
As declarações de Kallas introduzem uma fractura pública nítida na aliança ocidental sobre a forma de encerrar a guerra e sobre quem deve definir os termos. Ao atribuir à Europa — e não aos Estados Unidos — o mérito de ter evitado a capitulação da Ucrânia, inverte a narrativa habitual. Ao vincular a participação da UE em qualquer acordo de paz à autoridade do bloco em matéria de sanções, reivindica um lugar à mesa como questão de competência. O apelo a que a UE apresente as suas próprias exigências a Moscovo transforma o bloco de parte apoiante em parte negociadora do processo de paz. O facto de Volodymyr Zelensky ter feito anteriormente a mesma acusação contra Washington sugere que a crítica é coordenada e não isolada.
O que aconteceu
Numa reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, acusou os negociadores norte-americanos de terem passado o último ano e meio a tentar empurrar a Ucrânia para uma capitulação nos termos de Vladimir Putin. Afirmou que a razão pela qual a Ucrânia não cedeu foi o apoio europeu, e defendeu que a Europa deve continuar a apoiar Kiev. Kallas apresentou aos ministros um plano «genuinamente maximalista» de participação nas conversações de paz agendadas para fevereiro de 2026, sustentando que a Europa tem de estar representada à mesa porque a Rússia tem interesse — entre outros — no levantamento de sanções e essas decisões pertencem à competência europeia. Pediu igualmente que a UE apresente as suas próprias exigências a Moscovo para que a paz não signifique apenas o fim da guerra, mas seja também duradoura e justa. Em Oslo, estavam agendadas para 20 de outubro conversações com enviados especiais do Presidente Donald Trump, Volodymyr Zelensky e os líderes da Noruega e da Finlândia, com participação de representantes do Reino Unido, França, Alemanha, Polónia, UE e NATO.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A única fonte ucraniana incluída destaca a acusação de Kallas de que Washington empurra há ano e meio a Ucrânia para a capitulação, ecoando uma linha que Zelensky já tinha utilizado. O artigo coloca a UE em primeiro plano como o ator que impediu a capitulação e como o organismo que agora deve conduzir a agenda diplomática, apresentando a história numa ótica crítica dos Estados Unidos e favorável ao envolvimento europeu.
Contexto
As conversações em Oslo, previstas para 20 de outubro, deveriam contar com enviados especiais do Presidente Donald Trump, com Zelensky e com os líderes da Noruega e da Finlândia, além de representantes do Reino Unido, França, Alemanha, Polónia, UE e NATO. Kallas identificou o levantamento de sanções como um dos interesses declarados da Rússia nas negociações. Foi na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE que ela apresentou o papel que o bloco pretende ter nas conversas de fevereiro de 2026.