Administração Trump ameaça cortar apoio militar à Ucrânia para forçar fim de ataques a refinarias russas
Segundo o Financial Times, a administração dos EUA está a ameaçar suspender o mecanismo PURL — programa da NATO que financia a compra de armas americanas para a Ucrânia — e o intercâmbio de informações de inteligência com Kiev, a menos que a Ucrânia interrompa os seus ataques de longo alcance a infraestruturas energéticas russas. A pressão foi comunicada por telefone a responsáveis europeus e ucranianos durante o fim de semana. No domingo, Trump anunciou unilateralmente nas redes sociais um cessar-fogo energético entre Ucrânia e Rússia que nem Kiev nem Moscovo confirmaram ter sido acordado.
Pontos principais
- Segundo o FT, os EUA ameaçam suspender o mecanismo PURL e o intercâmbio de inteligência com a Ucrânia se Kiev não parar os ataques a refinarias russas.
- Responsáveis europeus foram contactados por telefone por funcionários dos EUA no sábado e no domingo com exigências para travar os ataques a refinarias petroquímicas russas.
- Entre os contactados esteve Pavlo Palisa, assessor militar do Presidente Zelensky / adjunto do chefe do Gabinete da Presidência (segundo a fonte).
- A Casa Branca recusou confirmar ou comentar as chamadas.
- No domingo, Trump anunciou na sua rede social um cessar-fogo energético «imediato» entre Ucrânia e Rússia, que surpreendeu Kiev e os europeus.
- Zelensky afirmou que a Ucrânia está pronta para suspender os ataques a infraestruturas russas se houver reciprocidade da Rússia, mas que Moscovo continuou a atacar, incluindo a central TEC-5 em Kharkiv.
- Um alto funcionário ucraniano disse ao FT que, minutos após o anúncio de Trump, equipas de reparação em Kiev restabeleciam eletricidade e água após ataques russos.
Porque é importante
As ameaças dos EUA visam simultaneamente dois instrumentos centrais do apoio ocidental à Ucrânia: o PURL — através do qual aliados europeus e o Canadá financiam armas americanas para Kiev — e o intercâmbio de informações de inteligência, do qual a Ucrânia depende para aviso prévio contra ataques russos. A pressão ocorre em paralelo com o anúncio unilateral de Trump de um cessar-fogo energético que Kiev diz não ter sido informado e que Moscovo aparentemente não respeitou, levantando dúvidas sobre um alinhamento EUA-Rússia à custa da Ucrânia. O facto de a campanha ter envolvido contactos diretos com assessores presidenciais ucranianos sinaliza uma pressão americana ao mais alto nível sobre as decisões de Kiev.
O que aconteceu
De acordo com o Financial Times, a administração Trump ameaçou por telefone, durante o fim de semana de 11 de outubro de 2026, suspender o mecanismo PURL — um programa da NATO através do qual Estados europeus e o Canadá financiam a aquisição de armamento americano para a Ucrânia — e interromper o intercâmbio de inteligência com Kiev, caso a Ucrânia não cesse os ataques de longo alcance a refinarias e outras infraestruturas energéticas russas. As chamadas foram feitas a responsáveis ucranianos, entre os quais Pavlo Palisa (descrito por uma fonte como assessor militar de Zelensky e ex-comandante da 93.ª Brigada Mecanizada, e por outra como adjunto do chefe do Gabinete da Presidência), bem como a autoridades europeias. Um responsável europeu disse ao FT: «Eles estão a telefonar a Kiev… estão a telefonar a toda a gente [na Europa].» A Casa Branca recusou confirmar ou comentar as chamadas. No mesmo dia, Trump publicou na sua rede social que «a partir deste momento está em vigor um CESSAR-FOGO ENERGÉTICO» entre Rússia e Ucrânia e que «ambas as partes concordaram», um anúncio que Kiev disse não ter sido informado e que Moscovo não confirmou. Zelensky classificou a declaração como «boa notícia para todos», mas sublinhou que a Ucrânia continuava sob ataques russos — incluindo à central TEC-5 em Kharkiv — e que apenas interromperia os seus ataques se houvesse reciprocidade russa. Minutos após o anúncio de Trump, um alto funcionário ucraniano disse ao FT que equipas de reparação restabeleciam eletricidade e água em Kiev na sequência de ataques russos e que «ninguém ouviu falar» do cessar-fogo.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A cobertura em língua ucraniana centra a história na ameaça ao abastecimento de armamento e ao intercâmbio de inteligência, enquadrando a pressão norte-americana como uma tentativa de obrigar Kiev a abandonar os ataques a infraestruturas energéticas russas. Os relatos ucranianos sublinham o fosso entre o cessar-fogo «energético» anunciado por Trump e a realidade no terreno, citando Zelensky e um alto funcionário próximo do Presidente que descreveu as equipas de reparação em Kiev a restabelecer serviços após ataques russos ocorridos minutos depois do anúncio. A imprensa ucraniana fornece ainda contexto detalhado sobre o PURL — incluindo o facto de os próprios Estados Unidos não contribuírem financeiramente para o mecanismo — e insere a pressão numa sequência recente de movimentos de Trump em direção à Rússia: o levantamento de sanções ao gasóleo russo e o comentário de que a Ucrânia precisava de «um novo presidente».
Como o descrevem as fontes internacionais
A única agência de língua inglesa presente nas fontes apresenta a história de forma mais concisa, centrada na ameaça dos EUA de suspender os fornecimentos de armas à Ucrânia, com menos detalhe sobre o mecanismo PURL, a ameaça ao intercâmbio de inteligência ou os restantes comentários públicos de Trump.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre o cargo de Pavlo Palisa, o responsável ucraniano contactado por funcionários dos EUA: uma das fontes descreve-o como adjunto do chefe do Gabinete do Presidente da Ucrânia, enquanto outra o apresenta como assessor militar do Presidente Zelensky e ex-comandante da 93.ª Brigada Mecanizada.
Contexto
O PURL é um mecanismo gerido pela NATO, através do qual Estados europeus e o Canadá financiam a compra de armamento americano que é depois entregue à Ucrânia; os Estados Unidos não contribuem financeiramente para o programa. Nos dias que antecederam a pressão relatada, Trump tinha anunciado publicamente um alegado acordo com Vladimir Putin para levantar sanções ao gasóleo russo e afirmara que a Ucrânia precisava de «um novo presidente» capaz de negociar com Moscovo. Zelensky tem repetido que a Ucrânia está disposta a travar os ataques a infraestruturas energéticas russas caso a Rússia faça o mesmo em relação ao lado ucraniano, mas que Moscovo tem continuado os ataques — incluindo uma ofensiva contra uma central elétrica em Kharkiv no próprio dia em que o cessar-fogo foi anunciado.