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Oligarcas russos estudam o caso Usmanov–Fridman para tentar escapar das sanções da UE

Oligarcas russos estão a analisar como os bilionários Alisher Usmanov e Mikhail Fridman conseguiram sair das sanções da UE, após pressão de França e Luxemburgo. O levantamento das sanções coincidiu com o perdão de um cidadão francês detido no Azerbaijão por espionagem, ligação que Paris não reconheceu publicamente. Vários países da UE preparam restrições nacionais para limitar o alcance da decisão.

Pontos principais

  • Usmanov e Fridman foram removidos das sanções da UE após prolongada campanha de França e respetiva pressão contrabalançada por Luxemburgo.
  • O compromisso estendeu por 36 meses as restrições a cerca de 3.000 outras pessoas e empresas constantes da lista.
  • Pelo menos dois bilionários russos indicaram à Bloomberg que pretendem estudar o caso Fridman como eventual precedente nos seus próprios processos.
  • O levantamento das sanções coincidiu com o perdão pelo Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, do cidadão francês Martin Ryan, detido por espionagem.
  • A Letónia anunciou preparar sanções nacionais contra Usmanov e Fridman; o Reino Unido manterá as restrições, segundo a Bloomberg.
  • A França não associou publicamente os dois factos, mas fontes ouvidas pela Bloomberg indicam que Paris condicionou o levantamento ao acordo com Baku sobre a libertação do prisioneiro.

Porque é importante

A saída de Usmanov e Fridman da lista de sanções da UE é a primeira do género e está a ser estudada por outros oligarcas russos como eventual modelo para os seus próprios recursos. O processo foi conduzido por lobbying de Estados-membros (França e Luxemburgo), revelando como interesses nacionais podem moldar a política europeia de sanções. A coincidência com o perdão do cidadão francês no Azerbaijão levanta questões sobre uma eventual ligação que Paris nunca reconheceu publicamente.

O que aconteceu

Usmanov e Fridman foram removidos das sanções da UE depois de uma campanha prolongada de França (a favor de Usmanov) e de uma exigência contrabalançada de Luxemburgo (a favor de Fridman), que enfrentava um pedido de arbitragem de cerca de 16 mil milhões de dólares do bilionário relativo ao congelamento dos seus ativos. O compromisso, que chocou outros Estados-membros e ameaçou a renovação de cerca de 3.000 medidas contra pessoas e empresas, estendeu essas medidas por 36 meses em troca da retirada dos dois nomes. No dia seguinte ao acordo europeu, o Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, perdoou o cidadão francês Martin Ryan, detido desde 2023 por suspeitas de espionagem. França não associou publicamente os dois factos, embora pessoas conhecedoras da situação tenham dito à Bloomberg que Paris condicionou o levantamento ao acordo com Baku sobre a libertação do prisioneiro. Em resposta, a Letónia anunciou a preparação de sanções nacionais contra Usmanov e Fridman, e o Reino Unido indicou que manterá as suas restrições. Oligarcas russos e advogados de sanções em Moscada consideram que a decisão pode servir de precedente para futuros processos judiciais.

Como o descrevem as fontes ucranianas

As fontes ucranianas destacam que o levantamento das sanções aos dois oligarcas é um precedente perigoso que outros russos sancionados procurarão explorar nos tribunais. O ex-chefe da diplomacia Volodymyr Ohryzko qualificou a situação como mesquinhez política de Estados-membros que promovem exceções com base em interesses internos e apelou a que a UE avance da unanimidade para a maioria qualificada nas decisões de política externa. O Comissário Presidencial ucraniano para a Política de Sanções, Vladyslav Vlasiuk, defendeu junto da Politico que a UE deveria impor novas sanções aos dois homens. As saírias sublinham ainda as sanções nacionais da Letónia e do Reino Unido como respostas possíveis para limitar o alcance da medida europeia.

Como o descrevem as fontes internacionais

As fontes consultadas não apresentam uma moldura internacional distinta da análise sobre o impacto interno na UE; o relato internacional centra-se na forma como o lobbying de França e de Luxemburgo produziu uma exceção no regime europeu, com cobertura da Bloomberg.

Onde as versões divergem

As fontes divergem sobre a relação entre o levantamento das sanções e o perdão de Martin Ryan no Azerbaijão: a ZN.UA cita fontes que indicam que Paris empurrou para o levantamento como parte de um entendimento com Baku sobre a libertação do prisioneiro; a LIGA.net apresenta a leitura do ex-chefe da diplomacia Volodymyr Ohryzko, que sugere que Macron poderá ter procurado a libertação do cidadão francês por motivos de política interna.

Contexto

Desde o início da invasão russa em larga escala da Ucrânia, em 2022, a maioria dos russos mais abençoados transferiu ativos e empresas de volta para a Rússia, investindo em bancos, consumo, indústria e tecnologia. O levantamento das sanções a Usmanov surgiu após uma campanha francesa que irritou outros Estados-membros e quase comprometeu a renovação das restantes medidas; para a desbloquear, aceitou-se também a exigência de retirar Fridman da lista — Luxemburgo enfrentava um pedido de arbitragem de cerca de 16 mil milhões de dólares do bilionário por alegada violação de um tratado de proteção de investimentos.