França alinha-se com Eslováquia e quer tirar Usmanov da lista de sanções da UE
A França está a pressionar para que o oligarca russo Alisher Usmanov seja retirado da lista de sanções individuais da UE, juntando-se a uma exigência antiga da Eslováquia. Os embaixadores da UE não chegaram a acordo numa reunião de sexta-feira sobre a prorrogação das sanções pessoais contra russos, com a Eslováquia a bloquear a decisão. O regime atual de sanções expira a 15 de setembro e exige unanimidade dos Estados-membros.
Pontos principais
- Os embaixadores da UE não chegaram a acordo numa reunião de sexta-feira sobre a prorrogação das sanções pessoais contra russos ligados à invasão da Ucrânia.
- A Eslováquia bloqueou a prorrogação e exige a retirada dos nomes de Alisher Usmanov e Mikhail Fridman da lista.
- A França exige apenas a retirada de Usmanov, alinhando-se com o pedido da Eslováquia.
- As sanções pessoais atuais da UE contra indivíduos e organizações ligados ao regime russo expiram a 15 de setembro.
- A prorrogação exige o acordo unânime de todos os Estados-membros da UE.
- A posição francesa gerou forte insatisfação entre outros Estados-membros, segundo fontes citadas pela Euronews.
- A Eslováquia opõe-se à transição para um ciclo de prorrogação de 12 meses e insiste na manutenção do prazo semestral.
Porque é importante
O regime de sanções pessoais da UE ligado à invasão da Ucrânia pela Rússia expira a 15 de setembro e a sua prorrogação exige unanimidade entre os Estados-membros. O alinhamento da França com a exigência da Eslováquia de retirar Usmanov da lista introduziu uma fricção inesperada no processo e ameaçou travar a renovação de todo o pacote de sanções. O desfecho é determinante para a coerência da pressão punitiva da UE sobre a Rússia e para o apoio à Ucrânia.
O que aconteceu
Numa reunião de sexta-feira, os embaixadores da UE não conseguiram chegar a acordo sobre a prorrogação das sanções pessoais contra indivíduos e organizações ligados ao regime russo e ao seu complexo militar-industrial. A Eslováquia bloqueou a decisão, insistindo na retirada dos nomes de Alisher Usmanov e Mikhail Fridman da lista e na manutenção do ciclo semestral de prorrogação, em vez da transição para 12 meses que está em discussão. A França juntou-se à exigência, mas apenas quanto a Usmanov, o que, segundo quatro diplomatas da UE citados pela Euronews, provocou forte insatisfação entre outros Estados-membros. A Representação Permanente da França junto da UE confirmou o apoio de Paris à prorrogação do regime, mas recusou comentar nomes individuais, invocando a confidencialidade das negociações. A decisão final será tomada na segunda-feira, 14 de setembro, um dia antes do prazo de 15 de setembro.
Como o descrevem as fontes ucranianas
As três fontes fornecidas são meios ucranianos em língua ucraniana, que centram a história nos esforços conjuntos da França e da Eslováquia para retirar Usmanov (e Fridman) da lista e no risco que isso representa para a renovação de todo o pacote de sanções pessoais da UE. Os meios ucranianos destacam a insatisfação dos restantes Estados-membros e dão visibilidade à avaliação de um diplomata europeu que aponta possíveis interesses económicos por trás da posição francesa, em paralelo com a justificação oficial de Paris de um compromisso político para garantir o acordo da Eslováquia.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre se o destino das sanções será decidido ou apenas discutido na segunda-feira, 14 de setembro: uma parte dos factos indica que os embaixadores decidirão nesse dia, enquanto outra refere que está agendada uma discussão antes do prazo de 15 de setembro. As fontes divergem também sobre a razão invocada para a posição da França: Paris apresenta-a como um compromisso político para assegurar o acordo da Eslováquia e menciona uma «questão específica de segurança nacional», ao passo que um diplomata europeu citado pela Euronews sugere possíveis interesses económicos como motivo.
Contexto
As sanções pessoais da UE contra pessoas e organizações ligadas ao regime russo têm sido prorrogadas de seis em seis meses e exigem o acordo unânime dos Estados-membros. Em 14 de março, na prorrogação anterior, a Eslováquia já tinha tentado retirar Usmanov e Fridman da lista, acabando por aceitar um compromisso. Está em curso uma discussão sobre a transição para um ciclo de 12 meses, que a Eslováquia rejeita. Usmanov está sob sanções da UE desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia em 2022; a UE descreve-o como uma pessoa próxima das autoridades russas, com fortuna ligada à metalurgia, mineração, telecomunicações e tecnologia. Os seus recursos legais contra as sanções da UE não tiveram sucesso, embora tenha ganho processos em tribunais europeus contra órgãos de comunicação social que o associavam a Vladimir Putin.