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Ex-enviado dos EUA Kellogg defende que a Ucrânia possa atacar alvos na Rússia

O antigo enviado especial dos EUA para a Ucrânia, Keith Kellogg, afirmou no Fórum de Segurança de Varsóvia que Kiev deve ter liberdade para atingir alvos militares e outros dentro do território russo, divergindo publicamente do Presidente Donald Trump, que pediu a Kiev que parasse os ataques a refinarias russas. Num entrevista à Bloomberg Television, Kellogg descreveu as declarações de Trump, incluindo o sugestão de que Volodymyr Zelensky considerasse deixar a presidência, como «ruído», e disse que a Rússia «não está a ganhar a guerra, apenas a prolongá-la».

Pontos principais

  • Kellogg disse à Bloomberg Television que Kiev deve poder atacar alvos na Rússia.
  • Afirmou: «Deixem os ucranianos fazer o que sabem fazer muito bem.»
  • Definiu como «ruído» as declarações de Trump, incluindo a sugestão de Zelensky considerar a saída da presidência.
  • Disse que a Rússia «não está a ganhar a guerra, apenas a prolongá-la» e que Putin age «de uma posição de fraqueza, não de força».
  • A divergência surge após Trump ter pedido a Kiev que parasse ataques aéreos a refinarias russas e após o controverso acordo sobre o fornecimento de gasóleo russo.
  • Kellogg citou estimativas de perdas russas acumuladas entre 1,2 e 1,5 milhões de efetivos militares.

Porque é importante

Um antigo alto enviado dos EUA rompeu publicamente com o Presidente em exercício sobre um ponto central da política norte-americana em relação à guerra na Ucrânia, expondo divisões dentro do establishment político dos EUA sobre como pressionar a Rússia face a conter a Ucrânia. A troca aconteceu à margem de um importante fórum de segurança europeu, acompanhado por apelos de figuras europeias a uma maior pressão sobre Moscovo.

O que aconteceu

O antigo enviado especial dos EUA para a Ucrânia, Keith Kellogg — que serviu nesse cargo até ao final de 2025 — afirmou, numa entrevista à Bloomberg Television à margem do Fórum de Segurança de Varsóvia, que a Ucrânia deve ter total liberdade para atingir alvos dentro do território russo. Citando a sua experiência na Guerra do Vietname, argumentou que ao inimigo não devem ser permitidas zonas seguras durante um conflito e resumiu: «Deixem os ucranianos fazer o que sabem fazer muito bem.» Kellogg descreveu a Rússia como estando a «prolongar» a guerra sem a vencer, e afirmou que Putin age «de uma posição de fraqueza, não de força», estimando as perdas militares russas acumuladas entre 1,2 e 1,5 milhões de efetivos, número que, segundo ele, ultrapassa as perdas soviéticas em dez anos de guerra no Afeganistão.

Onde as versões divergem

As fontes sublinham uma divisão aberta entre Kellogg e Trump: Kellogg defende que a Ucrânia ataque alvos na Rússia, incluindo refinarias de petróleo, enquanto Trump instou Kiev a parar esses ataques aéreos. Kellogg classificou como «ruído» as recentes declarações de Trump, incluindo a sugestão de que Zelensky considerasse deixar a presidência, evidenciando um afastamento público entre os dois.

Contexto

Kellogg foi o enviado especial de Trump para a Ucrânia até ao final de 2025. No fim de semana anterior, Trump tinha pedido a Kiev que parasse com os ataques aéreos a refinarias russas, e o novo surto de tensão foi despoletado por um acordo contestado entre Trump e Vladimir Putin sobre o fornecimento de gasóleo russo ao mercado mundial, com Trump a procurar formas de baixar os preços da energia antes das eleições intercalares de 3 de novembro. Em 11 de outubro, o Presidente Volodymyr Zelensky afirmou estar disponível para parar os ataques a refinarias russas se Moscovo cessasse os ataques à infraestrutura energética ucraniana. No dia seguinte, o ministro dos Negócios Estrangeiros polaco, Radosław Sikorski, apelou a Trump para pressionar a Rússia e não a Ucrânia a terminar a guerra, e a União Europeia aprovou um novo pacote de sanções contra mais de 1 600 indivíduos e organizações.