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Suíços rejeitam referendo para reforçar neutralidade e mantêm margem para sancionar a Rússia

No referendo de 27 de setembro, os cidadãos suíços rejeitaram a iniciativa da SVP para inscrever na Constituição uma neutralidade "eterna e armada", que teria proibido o país de aderir a alianças militares e de impor sanções não aprovadas pela ONU. Segundo os resultados oficiais, 70,15% votaram contra e 29,85% a favor, sem qualquer dos 26 cantões a apoiar a proposta. O resultado preserva a flexibilidade do governo para aplicar o princípio da neutralidade, incluindo a adesão a sanções da UE contra a Rússia.

Pontos principais

  • Referendo realizou-se em 27 de setembro de 2026.
  • 70,15% votaram contra a iniciativa e 29,85% a favor, segundo os resultados oficiais da Comissão Federal; nenhum dos 26 cantões a apoiou.
  • A iniciativa foi proposta pelo partido de direita União Democrática do Centro (SVP) e um dos seus principais impulsionadores foi o antigo membro do Conselho Federal Christoph Blocher, que gastou cerca de 2 milhões de francos suíços (≈2,4 milhões de dólares) na campanha.
  • A proposta pretendia proibir a adesão a alianças militares e a aplicação de sanções não aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU.
  • Governo, ambas as câmaras do parlamento e todos os grandes partidos excepto a SVP opunham-se à iniciativa.
  • Moscovo apelou publicamente ao voto a favor da iniciativa.
  • O resultado preserva a capacidade do governo suíço de continuar a aderir às sanções da UE contra a Rússia; o estatuto de neutralidade do país não foi abandonado.

Porque é importante

O resultado preserva a capacidade da Suíça de se manter alinhada com as sanções ocidentais contra Moscovo, um elemento central da pressão internacional sobre o Kremlin após a invasão em larga escala da Ucrânia. A rejeição ocorreu apesar do apelo público de Moscovo a favor da iniciativa e de cerca de 2 milhões de francos suíços gastos na campanha por Christoph Blocher, cujos laços familiares a empresas que continuaram a operar na Rússia foram documentados pela investigação. O voto confirma que a maioria dos partidos suíços — com excepção da SVP — prefere o modelo actual de neutralidade flexível a uma neutralidade constitucional rígida, mantendo aberta a porta para futura convergência com políticas de defesa ocidentais.

O que aconteceu

No dia 27 de setembro de 2026, a Suíça realizou um referendo sobre a iniciativa popular "Sim à Neutralidade" da SVP, que visava inscrever na Constituição o princípio da neutralidade "eterna e armada". A proposta proibiria a Suíça de aderir a alianças militares ou de cooperar com elas, salvo em caso de agressão directa, e de impor sanções não aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU — o que, na prática, teria obrigado o país a abandonar as sanções da UE contra a Rússia. O governo, ambas as câmaras do parlamento e todos os principais partidos, com excepção da SVP, recomendaram o voto contra. De acordo com os resultados oficiais publicados pela Comissão Federal, 70,15% dos votantes rejeitaram a iniciativa e 29,85% aprovaram-na, sem qualquer dos 26 cantões a apoiar a proposta. O desfecho preserva a margem do executivo para continuar a aplicar a neutralidade de forma flexível, incluindo a participação em sanções da UE contra a Rússia; não constitui, todavia, um abandono do estatuto de neutralidade.

Contexto

A neutralidade armada permanente da Suíça é reconhecida internacionalmente desde 1815, após as guerras napoleónicas, e está inscrita na Constituição suíça desde 1848. A iniciativa da SVP surgiu em reacção à decisão de Berna, em fevereiro de 2022, de se juntar às sanções da UE contra a Rússia na sequência da invasão em larga escala da Ucrânia. Uma sondagem da SRG no início de setembro já mostrava a oposição a subir para 63% e o apoio a cair para 34%. Em agosto, a Suíça alargou as sanções contra a Rússia, acrescentando nove indivíduos e 45 empresas às listas, e em março de 2022 tinha congelado ativos russos no valor de cerca de 5,75 mil milhões de francos suíços. Em junho, os suíços já tinham rejeitado outra iniciativa da SVP, que propunha limitar a população do país a 10 milhões. Está também previsto para novembro um novo referendo, desta vez promovido por partidos de esquerda, contra o abrandamento da lei sobre materiais de guerra.