Merz acusa Rússia de apoiar partido AfD em discurso em Münster
O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou, no dia 1 de outubro, em Münster, que a Rússia apoia a partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), sem apresentar provas concretas. O discurso foi proferido na cerimónia do prémio internacional da Paz da Vestefália, que este ano distinguiu a NATO, e surge numa semana em que a AfD consolidou a liderança nas sondagens nacionais após vitórias em eleições regionais.
Pontos principais
- Merz afirmou em Münster, a 1 de outubro, que Moscovo apoia a AfD, sem apresentar provas concretas.
- Discurso ocorreu na cerimónia do prémio internacional da Paz da Vestefália, cuja edição deste ano premiou a NATO.
- Merz acusou Moscovo de tentar dividir a sociedade alemã, fragilizar o apoio à Ucrânia e travar investimentos na defesa.
- A AfD defende o fim da ajuda militar alemã à Ucrânia e o regresso das importações de gás russo.
- A AfD venceu duas eleições regionais em setembro e lidera as sondagens nacionais: 37% em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental (CDU com 5,5%) e 16% em Berlim, onde a Die Linke ganhou com 24,5%.
- Merz qualificou o resultado da CDU em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental como uma «catástrofe» e prometeu acelerar reformas.
Porque é importante
O chefe da maior economia da Europa acusou publicamente uma grande força política interna de ser apoiada por Moscovo, ligando diretamente política interna alemã à guerra na Ucrânia ao enquadrar as posições da AfD sobre a ajuda a Kiev e o gás russo como alinhadas com os interesses russos.
O que aconteceu
No dia 1 de outubro de 2026, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, discursou em Münster na cerimónia do prémio internacional da Paz da Vestefália — que este ano distinguiu a NATO — e afirmou que a Rússia apoia o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD). Segundo Merz, Moscovo procura dividir a sociedade alemã, fragilizar o apoio à Ucrânia e travar investimentos no setor da defesa e da dissuasão, recorrendo a métodos híbridos, incluindo bots controlados a partir de Moscovo para espalhar ódio nas redes sociais. O chanceler não apresentou provas concretas do alegado apoio russo à AfD, uma acusação noticiada pela Bloomberg. As declarações surgiram numa altura em que a AfD venceu eleições regionais em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental (37% nas projeções da ARD, contra 5,5% da CDU de Merz) e em Berlim (16%, atrás da Die Linke, com 24,5%, e da CDU, com 20%), e lidera todas as principais sondagens nacionais. Merz classificou o resultado da CDU em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental como uma «catástrofe» e prometeu acelerar reformas.
Como o descrevem as fontes ucranianas
As fontes ucranianas (ZN.UA, Suspilne Novyny e LIGA.net) dão destaque principal à acusação de Merz sobre o apoio russo à AfD, com o segundo título a sublinhar o palco formal do discurso — o prémio da Paz da Vestefália — enquadrando a notícia como um líder alemão a responsabilizar publicamente Moscovo por operações de influência que afetam a ajuda a Kiev.
Onde as versões divergem
Merz apresentou a acusação de apoio russo à AfD sem provas concretas. Ao mesmo tempo, a própria reportagem reconhece que alguns políticos individuais da AfD mantiveram contactos com redes pró-russas, mas que não existem provas públicas de que Moscovo financie o partido ou dite a sua orientação política.
Contexto
O prémio internacional da Paz da Vestefália é atribuído em Münster, cidade onde foi assinado em 1648 um dos tratados da Paz da Vestefália que puseram fim à Guerra dos Trinta Anos; a NATO foi a laureada de 2025. A AfD defende o fim da ajuda militar alemã à Ucrânia e o regresso das importações de gás russo, posições que coincidem com interesses de Moscovo. O discurso de Merz surgiu após eleições regionais em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Berlim, em que a AfD saiu muito reforçada, e depois de um encontro informal de cerca de 20 minutos entre o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, e o seu homólogo russo, Serguei Lavrov, à margem da Assembleia Geral da ONU, após o qual Merz afirmou que Berlim manterá o apoio à defesa da Ucrânia contra a invasão russa.