Drone da Ucrânia atinge refinaria de Moscovo e paralisa processamento de crude
Na noite de 20 de setembro, as Forças de Defesa da Ucrânia realizaram um ataque combinado com drones e mísseis contra Moscovo e a região de Moscovo, atingindo a refinaria Gazpromneft-Moscovo, no bairro de Kapotnya. Ambas as unidades primárias de destilação de petróleo incendiaram-se e a refinaria suspendeu totalmente o processamento de crude. Segundo o Estado-Maior da Ucrânia, mais de 45% da capacidade projetada de refinação de petróleo da Rússia está agora fora de operação devido aos ataques ucranianos.
Pontos principais
- Na noite de 20 de setembro, drones e mísseis ucranianos atingiram a refinaria Gazpromneft-Moscovo, em Kapotnya, Moscovo
- Ambas as unidades primárias de destilação de crude (AVT-6 e o complexo «Euro+») incendiaram-se após a queda de drones
- A refinaria suspendeu totalmente o processamento de crude; fontes da indústria citadas pela Reuters indicam reparações que podem demorar várias semanas
- A unidade AVT-6 (21 400 toneladas de petróleo/dia) representa 53% da capacidade da refinaria; o complexo «Euro+» (18 800 toneladas/dia) representa 47%
- O combustível da refinaria deixou de ser colocado à venda na Bolsa Internacional de Mercadorias de São Petersburgo a partir de 21 de setembro
- O Estado-Maior da Ucrânia indica que mais de 45% da capacidade projetada de refinação da Rússia estão fora de operação em consequência dos ataques
- O autarca de Moscovo, Sergei Sobyanin, afirmou que se tratou do «maior» ataque de drones à capital, com mais de 1 600 drones alegadamente intercetados; as autoridades russas em Moscovo-Oblast não ativaram sirenes nem enviaram SMS de aviso
Porque é importante
A refinaria de Moscovo é uma das maiores da Rússia, com capacidade de cerca de 11 a 12 milhões de toneladas de petróleo por ano, e responde por uma parte significativa do abastecimento de combustível da capital. A sua paragem tem efeitos imediatos no mercado interno russo. O Estado-Maior da Ucrânia indica que mais de 45% da capacidade projetada de refinação do país está agora fora de operação, o que se traduz em relatos de escassez de gasolina e gasóleo Euro-5/K5 dentro da Rússia. O ataque coincidiu com o dia das eleições para a Duma Estatal russa, e o ISW concluiu que a decisão de não ativar sirenes nem enviar SMS de aviso reflete uma prioridade dada pelas autoridades russas à afluência às urnas em detrimento da segurança dos civis. Foi também descrito pelas autoridades de Moscovo como o maior ataque de drones de sempre contra a capital, ilustrando a escala crescente da capacidade de ataque da Ucrânia. Zelensky confirmou publicamente a operação e enquadrou-a na exigência de que Moscovo termine a guerra, ligando-a à diplomacia prevista com Donald Trump em Nova Iorque.
O que aconteceu
Na noite de 20 de setembro, as Forças de Defesa da Ucrânia executaram um ataque combinado de drones e mísseis contra Moscovo e a região de Moscovo, durante o qual vários drones atingiram a refinaria Gazpromneft-Moscovo (NPZ), localizada no bairro de Kapotnya em Moscovo. O Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia informou que foram atingidas a unidade de processamento primário AVT-6, uma unidade combinada de processamento e uma unidade de isomerização. Segundo fontes da indústria citadas pela Reuters, ambas as unidades primárias de destilação de crude incendiaram-se e a refinaria suspendeu totalmente o processamento de crude após o ataque; a reparação dos danos pode demorar várias semanas. A empresa ucraniana Fire Point afirmou que foram drones FP-1 a atingir a refinaria, e foram também publicadas imagens de lançamentos de mísseis de cruzeiro FP-5 «Flamingo» durante o ataque. O autarca de Moscovo, Sergei Sobyanin, afirmou que se tratou do «maior» ataque de drones à capital e que mais de 1 600 drones foram alegadamente intercetados, 450 deles na aproximação a Moscovo; o Ministério da Defesa russo indicou mais de 1 900 drones e outros engenhos intercetados durante a noite. A partir de 21 de setembro, o combustível da refinaria deixou de ser colocado à venda na Bolsa Internacional de Mercadorias de São Petersburgo. As autoridades russas na região de Moscovo não ativaram sirenes de alarme aéreo nem enviaram SMS de aviso à população, apesar de o terem feito em ataques anteriores de menor dimensão, e limitações foram impostas às comunicações móveis.
Onde as versões divergem
Há divergências significativas entre fontes russas e ucranianas sobre as consequências do ataque. O autarca de Moscovo, Sergei Sobyanin, afirmou que o «maior» ataque de drones à capital foi repelido, com mais de 1 600 drones intercetados e 450 destruídos na aproximação. Em contraste, reportagem da Reuters e o Estado-Maior da Ucrânia indicam que vários drones alcançaram a refinaria, ambas as unidades primárias de destilação incendiaram-se e a unidade suspendeu totalmente o processamento, com reparações estimadas em várias semanas e o combustível da refinaria retirado da venda em bolsa. As autoridades russas também alegaram que o ataque visava perturbar as eleições para a Duma Estatal; o ISW conclui, pelo contrário, que as autoridades russas priorizaram a afluência às urnas em detrimento da segurança da população ao não ativar sirenes nem enviar SMS, e sublinha que as forças ucranianas atacaram infraestruturas estratégicas de petróleo e logística e não visaram deliberadamente locais de votação nem outras infraestruturas eleitorais. Fontes russas enquadraram o ataque como ineficaz e limitaram-se a reportar a interceção de drones e engenhos; fontes ucranianas (Estado-Maior, Fire Point, fontes industriais ouvidas pela Reuters, analistas OSINT da Astra) documentaram os impactos na refinaria.
Contexto
A refinaria Gazpromneft-Moscovo opera com duas unidades primárias de refinação: AVT-6 (21 400 toneladas/dia, 53% da capacidade) e o complexo combinado Euro+ (18 800 toneladas/dia, 47%). Em 2024, processou 11,6 milhões de toneladas de crude (cerca de 230 000 barris/dia) e produziu 2,9 milhões de toneladas de gasolina, 3,2 milhões de toneladas de gasóleo e 1,3 milhões de toneladas de betume. A reportagem russa indicou a utilização de drones FP-1, RZ-100, MICH-2000, «Palanytsia», Vendetta, «Liutyi», «Bars», «Sichen» e mísseis de cruzeiro FP-5 «Flamingo» no ataque, além da confirmação pela empresa de defesa ucraniana Fire Point de que drones FP-1 atingiram a refinaria. Analistas OSINT contaram 91 ataques a diversas refinarias russas desde o início de 2026, com o ataque de 20 de setembro descrito como o sétimo desse mês. Segundo sondagens à boca das urnas citadas na cobertura, a Rússia Unida liderou a votação para a Duma Estatal com cerca de 49,4%.