Ucrânia retoma ataques a refinarias russas após pausa sob pressão dos EUA
Na noite de 15 de outubro, uma série de ataques atingiu território russo, incluindo um aeródromo militar em Borisoglebsk com mísseis Tomahawk e, possivelmente, uma refinaria em Ryazan. O governador de Ryazan, Pavel Malkov, confirmou uma ataque massivo de drones na região, com escolas e jardins de infância encerrados por razões de segurança. O Ministério da Defesa russo reportou a interceção de 166 drones, mas não mencionou qualquer abate de mísseis. Os ataques surgem após Volodymyr Zelensky ter declarado ao Financial Times que a Ucrânia deixaria de respeitar a pausa nos ataques a infraestruturas energéticas russas, imposta pelos Estados Unidos.
Pontos principais
- Aeródromo militar em Borisoglebsk atacado na noite de 15 de outubro, alegadamente com mísseis Tomahawk, segundo canais de monitorização ucranianos.
- Governador de Ryazan, Pavel Malkov, confirmou um ataque massivo de drones na região e a suspensão das aulas em escolas e jardins de infância.
- Incêndio em Ryazan, possivelmente na refinaria local, reportado por residentes locais mas ainda não confirmado oficialmente.
- Ministério da Defesa russo reportou 166 drones intercetados em várias oblasts, incluindo Voronezh e Ryazan, sem mencionar abate de mísseis.
- Zelensky afirmou ao Financial Times que a Ucrânia retomará os ataques a refinarias russas e deixará de respeitar a pausa exigida pelos EUA.
- A refinaria de Ryazan está entre as cinco maiores da Rússia, com capacidade de refinação de até 18 milhões de toneladas de crude por ano.
- Ucrânia não comentou oficialmente os ataques à data da publicação.
Porque é importante
Os ataques surgem dias depois de o presidente Volodymyr Zelensky ter anunciado publicamente que a Ucrânia deixaria de respeitar a pausa nos ataques a refinarias russas, imposta pelos EUA em 11 de outubro, na sequência de restrições norte-americanas ao partilha de informações e ao acesso ao Starlink. O uso alegado de mísseis Tomahawk contra um aeródromo militar em Borisoglebsk e o possível incêndio numa das maiores refinarias da Rússia sinalizam uma nova fase de ataques profundos contra infraestruturas estratégicas russas, apesar das ameaças de Washington de cortar apoio de inteligência e vendas de armamento.
O que aconteceu
Na noite de 15 de outubro de 2026, território russo foi alvo de múltiplos ataques. Um aeródromo militar em Borisoglebsk foi atingido, alegadamente por mísseis Tomahawk, segundo os canais de monitorização ucranianos Supernova+ e Exilenova+. O governador da Oblast de Ryazan, Pavel Malkov, confirmou um ataque massivo de drones na região, tendo sido suspensas as aulas em escolas e jardins de infância dos distritos de Oktyabrsky e parte de Sovetsky. Malkov reportou igualmente um incêndio no território da refinaria de Ryazan, bem como danos num armazém e veículos noutra empresa da região, não identificada. O incêndio na refinaria não foi oficialmente confirmado por outras fontes, embora o canal Exilenova+ tenha referido o caso com base em relatos de residentes locais. O Ministério da Defesa russo reportou a interceção de 166 drones ucranianos em várias oblasts, incluindo Voronezh e Ryazan, mas não mencionou qualquer abate de mísseis. O governador de Voronezh, Oleksandr Gusev, não tinha reportado consequências do ataque à região à data da publicação, tendo apenas publicado várias mensagens sobre a ameaça de drones após a meia-noite. A Ucrânia não comentou oficialmente estes ataques à data da publicação.
Como o descrevem as fontes ucranianas
As fontes ucranianas — Радіо Свобода e НВ — centram a narrativa em ataques bem-sucedidos ou possivelmente bem-sucedidos em profundidade no território russo, tanto numa instalação militar como numa refinaria. Citam canais de monitorização ucranianos para o uso de mísseis Tomahawk e notam que a Rússia não reportou interceção de mísseis. Ambas enquadram os ataques como consequência da decisão declarada por Zelensky de terminar a pausa nos ataques a infraestruturas energéticas russas, apoiada pelos EUA, sublinhando o sinal político da retoma dos ataques após a pressão de Washington.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre se o incêndio na refinaria de Ryazan realmente ocorreu: o governador da Oblast de Ryazan confirmou um incêndio no território da refinaria, enquanto relatos anteriores apenas citavam testemunhos não confirmados de residentes, sem reconhecimento oficial. As fontes divergem também sobre se mísseis (especificamente Tomahawks) atingiram território russo: os canais de monitorização ucranianos reportaram ataques com Tomahawk ao aeródromo de Borisoglebsk, mas o Ministério da Defesa russo reportou apenas a interceção de drones e não mencionou qualquer abate de mísseis.
Contexto
A 11 de outubro, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um chamado 'cessar-fogo energético' entre a Ucrânia e a Rússia, exigindo a ambos os lados que parassem os ataques a refinarias. Washington ameaçou Kyiv com o corte do partilha de informações de inteligência e da venda de armamento caso os ataques a infraestruturas petrolíferas russas continuassem. Segundo Zelensky, a decisão de levantar a pausa seguiu-se a restrições norte-americanas ao partilha de informações e ao acesso ao serviço de internet por satélite Starlink para as forças ucranianas. O Gabinete do Presidente da Ucrânia já tinha negado anteriormente alegações russas de ataques a refinarias russas em 14 de outubro, com Zelensky a afirmar que a Ucrânia não tinha atingido instalações petrolíferas russas durante três dias. A refinaria de Ryazan está entre as cinco maiores da Rússia, com capacidade de refinação de até 18 milhões de toneladas de crude por ano, tendo as forças ucranianas reportado pela última vez um ataque à mesma em setembro de 2026.