Comissão Europeia diz não ter recebido pedido dos EUA para compensar ajuda à Ucrânia
Em 4 de setembro, a Comissão Europeia indicou não ter recebido qualquer solicitação oficial dos Estados Unidos a exigir que a Europa compense a ajuda norte-americana à Ucrânia fornecida durante a presidência de Joe Biden. A reação surge na sequência de uma publicação de Donald Trump na Truth Social, em 3 de setembro, na qual o presidente dos EUA afirmou que iria fazer tal pedido. A Comissão sublinhou que a UE e os seus Estados-membros são os principais doadores de ajuda à Ucrânia, com mais de 220 mil milhões de euros atribuídos, incluindo 87 mil milhões para fins militares e de defesa.
Pontos principais
- A Comissão Europeia afirmou em 4 de setembro não ter recebido qualquer pedido oficial dos EUA para que a Europa compense a ajuda à Ucrânia fornecida durante a presidência de Joe Biden.
- Donald Trump declarou em 3 de setembro, numa publicação na Truth Social, que iria exigir que a Europa pagasse pela ajuda dos EUA à Ucrânia durante a presidência de Biden.
- O porta-voz adjunto da Comissão Europeia, Olof Gill, disse que o executivo não recebeu qualquer comunicação oficial sobre a publicação de Trump e que, em geral, 'não comenta comentários'.
- O porta-voz da Comissão, Christian Wigand, afirmou que a UE e os seus Estados-membros são os principais doadores de ajuda à Ucrânia, com mais de 220 mil milhões de euros.
- Desses 220 mil milhões de euros, 87 mil milhões foram atribuídos ao apoio militar e à defesa da Ucrânia.
- A UE está em contacto permanente com os EUA e com outros parceiros em torno dos esforços diplomáticos por uma paz justa e duradoura na Ucrânia.
Porque é importante
O episódio evidencia uma potencial disputa transatlântica sobre o financiamento passado da ajuda militar dos EUA à Ucrânia e expõe o fosso entre o discurso político de Washington e os canais diplomáticos formais com Bruxelas.
O que aconteceu
Em 3 de setembro, o presidente dos EUA, Donald Trump, publicou na Truth Social que iria exigir que a Europa pagasse pela ajuda norte-americana à Ucrânia fornecida durante a presidência de Joe Biden. No dia seguinte, 4 de setembro, o porta-voz adjunto da Comissão Europeia, Olof Gill, afirmou que o executivo comunitário não tinha recebido qualquer pedido oficial nem qualquer notificação formal relativa a essa publicação, acrescentando que, em geral, a Comissão 'não comenta comentários'. O porta-voz Christian Wigand destacou que a UE e os seus Estados-membros são os principais doadores de ajuda à Ucrânia, totalizando mais de 220 mil milhões de euros, dos quais 87 mil milhões foram canalizados para o reforço das capacidades militares e de defesa da Ucrânia. Wigand sublinhou ainda a importância dos esforços diplomáticos e o contacto permanente entre a UE e os EUA em prol de uma solução justa e duradoura.
Contexto
A UE e os seus Estados-membros já disponibilizaram mais de 220 mil milhões de euros em ajuda à Ucrânia, dos quais 87 mil milhões para apoio militar e de defesa. Em 25 de agosto, o diretor da CIA, John Ratcliffe, visitou Moscovo, e os enviados especiais norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner confirmaram a possibilidade de uma visita à Ucrânia, com uma passagem por Moscovo prevista para 5–6 de setembro.