Merz exclui capitulação da Ucrânia e alerta para ameaça híbrida russa à Alemanha
O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou, no Berlin Global Dialogue, que a capitulação da Ucrânia na guerra com a Rússia está fora de questão, incluindo a capitulação incondicional. Disse que a Alemanha apoia a Ucrânia para acabar com a guerra o mais rápido possível e que o país, junto com outros Estados europeus, está pronto para negociar a qualquer momento. Merz também classificou a desinformação e os ataques híbridos russos como a maior ameaça à segurança da Alemanha.
Pontos principais
- Merz discursou em 21 de outubro no fórum económico Berlin Global Dialogue, em Berlim.
- Afirmou que a capitulação da Ucrânia, inclusive incondicional, está fora de questão e equivaleria à derrota de todos os aliados.
- Disse que a Alemanha apoia a Ucrânia para terminar a guerra o mais rápido possível, não para a prolongar.
- Classificou a desinformação e os ataques híbridos russos como a maior ameaça à segurança alemã, com ataques diários cuja gravidade é ainda subestimada.
- Acusou a Rússia de atacar a ordem política europeia formada após o fim da Guerra Fria.
- Indicou que houve algum progresso nas negociações de Oslo, em 20 de outubro, que contaram com Zelensky, Witkoff, Støre e Stubb.
- A Ucrânia critica os EUA por atrasos no envio de mísseis interceptores Patriot, com cerca de 12 por mês, segundo Zelensky.
Porque é importante
A intervenção de Merz articula três mensagens que se reforçam mutuamente: rejeição de uma capitulação da Ucrânia, disponibilidade alemã e europeia para negociar, e qualificação da Rússia como ameaça existencial híbrida à ordem europeia pós-Guerra Fria. Ao ligar a ajuda a Kiev aos próprios interesses de segurança alemães, o chanceler procura legitimar a continuação do apoio apesar das dúvidas em torno da posição norte-americana. As declarações surgem num momento em que a Ucrânia acusa Washington de a pressionar para ceder e de atrasar entregas de interceptores Patriot, e em que decorrem negociações em Oslo entre equipas ucranianas, norte-americanas e europeias.
O que aconteceu
No dia 21 de outubro, no fórum Berlin Global Dialogue, em Berlim, o chanceler federal alemão Friedrich Merz afirmou que a capitulação da Ucrânia na guerra com a Rússia está fora de questão, inclusive a capitulação incondicional, porque significaria a derrota de todos os aliados. Merz sublinhou que a Alemanha apoia Kiev para terminar a guerra o mais depressa possível, não para a prolongar, e que Berlim e outros países europeus estão prontos para negociar a qualquer momento. O chefe do governo alemão descreveu a agressão russa como um ataque fundamental à ordem política europeia construída após o fim da Guerra Fria e apontou a desinformação e os ataques híbridos — sabotagens, ataques a sistemas de comunicação e desinformação — como a maior ameaça atual à segurança da Alemanha, indicando que ocorrem diariamente e que a sua perigosidade continua a ser subestimada. Mencionou ainda que, na véspera, em 20 de outubro, decorreu em Oslo uma reunião entre o Presidente Volodymyr Zelensky, o enviado especial norte-americano Steve Witkoff, o primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Støre e o Presidente finlandês Alexander Stubb, na qual se registaram alguns progressos sobre formas de acabar a guerra, garantias de segurança para a Ucrânia, questões territoriais e sanções.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A comunicação social ucraniana sublinha a rejeição por Merz de qualquer cenário de capitulação e o compromisso de Berlim em manter o apoio a Kiev, enquadrando-o como sinal de firmeza europeia face à Rússia. Em paralelo, destaca as críticas de Zelensky à alegada pressão norte-americana para a Ucrânia ceder e aos atrasos de Washington nas entregas de mísseis interceptores Patriot ao abrigo do programa PURL.
Como o descrevem as fontes internacionais
A cobertura internacional, que inclui fontes ucranianas que reportam sobre declarações ocidentais, apresenta a posição de Merz como uma combinação entre apoio à Ucrânia, abertura a negociações e um alerta mais vasto sobre as ameaças híbridas russas à segurança europeia, para além do campo de batalha.
Contexto
Em 20 de outubro realizaram-se em Oslo conversações entre o Presidente Volodymyr Zelensky e o enviado especial norte-americano Steve Witkoff, com a participação do primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Støre e do Presidente finlandês Alexander Stubb; os temas discutidos incluíram formas de terminar a guerra, garantias de segurança para a Ucrânia, questões territoriais e sanções. Após o encontro, Witkoff viajou para a Rússia para prosseguir as negociações. A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, afirmou que os negociadores norte-americanos tentam há cerca de um ano e meio empurrar a Ucrânia para uma capitulação nos termos definidos por Vladimir Putin, mas que a Ucrânia não cedeu graças ao apoio europeu. Zelensky, numa entrevista à Bloomberg, acusou os EUA de atrasarem a entrega de mísseis interceptores Patriot, apesar de a Ucrânia ter pago parte das armas no quadro do programa PURL, e indicou que Washington fornece atualmente cerca de 12 interceptores por mês.