Estónia propõe aumentar apoio à Ucrânia para destruir refinarias russas
O primeiro-ministro da Estónia, Kristen Michal, levará ao próximo Conselho Europeu uma proposta para aumentar rapidamente a ajuda militar à Ucrânia, de modo a que Kiev possa destruir as refinarias de petróleo russas. A iniciativa surge em resposta ao acordo entre os presidentes dos EUA e da Rússia, Donald Trump e Vladimir Putin, sobre o fornecimento de 4,8 milhões de toneladas de gasóleo russo, que Michal classificou como um grande erro.
Pontos principais
- A Estónia proporá no Conselho Europeu desta semana um reforço rápido da ajuda à Ucrânia para destruir as refinarias russas.
- O primeiro-ministro Kristen Michal classificou o acordo Trump-Putin como um grande erro e afirmou que negócios com ditadores são um caminho para o inferno.
- Em 9 de outubro, Trump e Putin acordaram o fornecimento de 4,8 milhões de toneladas de gasóleo russo.
- O Tesouro dos EUA publicou uma licença para comércio de gasóleo com a Rússia válida até 7 de abril de 2027.
- O presidente Volodymyr Zelensky respondeu propondo a Washington: a Ucrânia não atacará refinarias russas se a Rússia parar de destruir infraestruturas energéticas ucranianas.
- Marko Mihkelson, presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros do Riigikogu, e Jonathan Vseviov, secretário-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, condenaram o acordo.
Porque é importante
A Estónia está a pressionar os parceiros da UE para aumentarem a ajuda militar à Ucrânia num momento em que a política dos EUA em relação à energia russa está a mudar. A proposta associa diretamente o reforço da ajuda ocidental aos ataques contra a infraestrutura petrolífera russa, elevando o debate sobre como enfraquecer o financiamento da guerra de Moscovo.
O que aconteceu
O primeiro-ministro da Estónia, Kristen Michal, anunciou que levará ao próximo Conselho Europeu uma proposta para aumentar rapidamente a ajuda à Ucrânia, com o objetivo específico de permitir que Kiev destrua as refinarias de petróleo russas. Michal classificou o acordo de 9 de outubro entre Donald Trump e Vladimir Putin, relativo a 4,8 milhões de toneladas de gasóleo russo, como um grande erro, argumentando que os proveitos do petróleo e do gás russos financiam a guerra contra a Ucrânia. O Tesouro dos EUA publicou uma licença para o comércio de gasóleo com a Rússia válida até 7 de abril de 2027. O presidente Volodymyr Zelensky respondeu propondo a Washington que a Ucrânia cessaria os ataques a refinarias russas caso a Rússia parasse de destruir infraestruturas energéticas ucranianas. O presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros do parlamento estónio, Marko Mihkelson, e o secretário-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Jonathan Vseviov, também condenaram o acordo.
Como o descrevem as fontes ucranianas
As duas fontes fornecidas são meios de comunicação em língua ucraniana que enquadram o apelo da Estónia como uma resposta direta ao acordo EUA-Rússia sobre gasóleo, dando primazia a Moscovo em vez de Washington. Sublinham o efeito militar concreto — transformar as refinarias russas em ruínas — como finalidade de qualquer ajuda adicional à Ucrânia.
Contexto
Em 9 de outubro, os EUA e a Rússia acordaram um negócio relativo a 4,8 milhões de toneladas de gasóleo russo, e o Tesouro dos EUA publicou uma licença para o comércio de gasóleo com a Rússia válida até 7 de abril de 2027. Os responsáveis estónios descrevem o acordo como uma contradição dos esforços ocidentais para limitar as receitas energéticas da Rússia e como um meio de financiar a guerra. Há relatos de que diplomatas americanos pressionaram a Ucrânia a reduzir ou suspender os ataques com drones às refinarias russas; o presidente Volodymyr Zelensky propôs um acordo recíproco em que a Ucrânia cessaria esses ataques caso a Rússia parasse de atacar infraestruturas energéticas ucranianas. A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, afirmou em 10 de outubro que a UE pretende aprovar o maior pacote de sanções contra a Rússia desde o início da guerra; a Alemanha indicou que manterá as sanções; um congressista republicano dos EUA anunciou uma lei bipartidária para bloquear as compras de petróleo russo.