Trump diz que pediu a Zelensky para travar ataques a refinarias russas e que este "provavelmente" o fará
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter pedido ao homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, que abrandasse os ataques ucranianos a refinarias de petróleo russas e que Zelensky respondeu que "provavelmente" o faria. Trump responsabilizou esses ataques pelo aumento dos preços do gasóleo e alertou para um potencial "problema mundial". Zelensky, por seu lado, condiciona qualquer cessação a uma paragem recíproca dos ataques russos a infraestruturas energéticas ucranianas.
Pontos principais
- Trump disse ter pedido a Zelensky que abrandasse os ataques a refinarias russas e que Zelensky respondeu que "provavelmente o fará".
- Trump atribui o aumento dos preços do gasóleo aos ataques ucranianos a refinarias russas, classificando-o como "mais um problema da Rússia do que do Médio Oriente".
- A 20 de setembro, Trump pediu repetidamente a Zelensky, numa chamada telefónica, que parasse os ataques a refinarias russas, segundo a Axios.
- A 21 de setembro, Zelensky afirmou que a Ucrânia está pronta para parar os ataques a refinarias russas se a Rússia cessar os ataques a infraestruturas energéticas ucranianas.
- Zelensky e Trump reuniram-se em Nova Iorque a 22 de setembro; um dos temas foi um cessar-fogo energético.
- Os ataques a refinarias russas continuaram após a reunião: na noite de 25 de setembro foram atingidas refinarias em Perm e Novoshakhtinsk, e a 26 de setembro a refinaria de Ilysky, em Krasnodar.
- Zelensky afirmou que, ao contrário das declarações públicas americanas, na reunião fechada não houve tentativas de forçar Kiev a parar os ataques a refinarias.
Porque é importante
Trump está a pressionar publicamente Zelensky para limitar uma componente central da campanha de ataques de longo alcance da Ucrânia contra infraestruturas energéticas russas. Ao enquadrar esses ataques como a principal causa do aumento dos preços do gasóleo, transforma uma decisão militar ucraniana numa questão política sensível internamente nos EUA. Apesar da narrativa pública de Trump, Zelensky subordinou qualquer cessação a reciprocidade russa e a garantias dos parceiros, e os ataques continuaram após a reunião de Nova Iorque de 22 de setembro.
O que aconteceu
Numa entrevista à Fox News e em declarações a jornalistas, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter pedido ao presidente ucraniano Volodymyr Zelensky que abrandasse os ataques ucranianos a refinarias de petróleo russas, e que Zelensky respondeu que "provavelmente o fará". Trump responsabilizou esses ataques pelo aumento dos preços do gasóleo a nível global, descrevendo a situação como "mais um problema da Rússia do que do Médio Oriente" e advertindo que poderia tornar-se um "problema mundial". Segundo a Axios, numa chamada telefónica em 20 de setembro, Trump já tinha pedido repetidamente a Zelensky que parasse os ataques. Zelensky declarou a 21 de setembro que a Ucrânia está pronta para interromper os ataques a refinarias russas se a Rússia cessar os ataques a infraestruturas energéticas ucranianas. Os dois líderes reuniram-se em Nova Iorque em 22 de setembro, à margem da Assembleia Geral da ONU, e Zelensky confirmou que um dos temas foi um cessar-fogo energético. Os ataques continuaram após a reunião: na noite de 25 de setembro foram atingidas refinarias em Perm e Novoshakhtinsk, e a 26 de setembro a refinaria de Ilysky, em Krasnodar.
Como o descrevem as fontes ucranianas
As fontes ucranianas (Ukrainska Pravda, Suspilne, Yevropeiska Pravda, Radio Svoboda, NV, LIGA.net, Interfax-Ukraine, Forbes Ukraine, hromadske, LIGA.net) utilizam linguagem cautelosa como "supostamente concordou" ao relatar a alegação de Trump. Destacam a condição imposta por Zelensky — paragem recíproca dos ataques russos e garantias dos parceiros — e notam que Zelensky afirmou que, na reunião fechada em Nova Iorque, não houve tentativas de forçar Kiev a parar os ataques a refinarias, em contraste com as declarações públicas de Trump. As mesmas fontes sublinham que os ataques continuaram após 22 de setembro, com incidentes em Perm, Novoshakhtinsk e Ilysky.
Como o descrevem as fontes internacionais
A única fonte internacional no conjunto (a agência APA, do Azerbaijão) titula a história de forma positiva como "Zelenskyy responde positivamente ao pedido de Trump", apresentando o enquadramento de Trump sem os matizes usados pelas fontes ucranianas. O enquadramento internacional centra-se na atribuição feita por Trump do aumento dos preços do gasóleo aos ataques ucranianos a refinarias russas e no seu aviso de um potencial "problema mundial".
Onde as versões divergem
As fontes ucranianas e a APA divergem em três pontos principais. Primeiro, Zelensky afirma que, na reunião fechada em Nova Iorque, não houve tentativas de forçar Kiev a parar os ataques a refinarias, em contradição direta com a alegação pública de Trump de que pediu e obteve acordo nesse sentido. Segundo, a divisão analítica da Forbes Ukraine avalia que o conflito entre os EUA e o Irão tem um impacto significativamente maior sobre os preços globais do gasóleo, petróleo e gás do que os ataques ucranianos a refinarias russas, contrariando o enquadramento de Trump. Terceiro, a legenda de uma fotografia num dos artigos data a reunião Trump-Zelensky na ONU em 22 de setembro de 2026, enquanto todas as outras fontes referem 22 de setembro sem especificar o ano.
Contexto
A 13 de setembro, Trump associou pela primeira vez publicamente a escassez global de combustível aos ataques ucranianos a refinarias russas e pediu a Zelensky que os parasse. A 14 de setembro, Trump afirmou que Ucrânia e Rússia tinham concordado em não atacar as infraestruturas energéticas uma da outra; Zelensky clarificou que tal só seria aceitável com garantias dos parceiros de que a Rússia cumpriria. Em 20 de setembro, horas após um grande ataque ucraniano a uma refinaria em Moscovo, Trump pediu repetidamente a Zelensky, numa chamada telefónica, que parasse os ataques a refinarias. A 21 de setembro, Zelensky disse que a Ucrânia está pronta para parar os ataques se a Rússia cessar os ataques a infraestruturas energéticas ucranianas, e Trump afirmou no mesmo dia que a Rússia perdera o controlo da sua indústria de gasóleo e que a guerra "tem de ser parada". A 23 de setembro, o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio afirmou que alcançar um cessar-fogo energético entre Rússia e Ucrânia é uma tarefa difícil, mas que Washington tentará. A reunião em Nova Iorque realizou-se a 22 de setembro.