SBU detém em Odesa dois suspeitos de ajudar Rússia a legalizar trigo ucraniano roubado em Mariupol
Os Serviços de Segurança da Ucrânia (SBU) detiveram em Odesa dois quadros de uma empresa de certificação de produtos agrícolas por suspeita de terem ajudado a Rússia a legalizar cerca de 8.000 toneladas de trigo ucraniano roubado na cidade ocupada de Mariupol, avaliadas em mais de 60 milhões de hryvnias. De acordo com a investigação, em 2024 os russos carregaram o cereal no navio sancionado «Alfa M» no porto de Mariupol, transportaram-no depois para o porto russo de Temryuk, onde foram falsificados documentos de origem, antes de expedir a carga para um país do Médio Oriente. Ambos os suspeitos foram formalmente acusados e ficaram em détention preventiva; arriscam até 12 anos de prisão com confisco de bens.
Pontos principais
- SBU deteve em Odesa o diretor de uma filial de uma empresa estrangeira de certificação agrícola e a chefe do laboratório subordinada a ele
- Caso envolve 7.857 toneladas de trigo avaliadas em mais de 60 milhões de hryvnias
- Investigação indica que em 2024 os russos carregaram o trigo no navio sancionado «Alfa M» no porto de Mariupol ocupado
- Cereal foi transportado ao porto russo de Temryuk, onde documentos foram falsificados para indicar origem russa
- Carga foi depois enviada para um país do Médio Oriente para venda através de um exportador local
- Suspeitos foram acusados ao abrigo do artigo 111-2 do Código Penal ucraniano — auxílio ao Estado agressor, em concurso prévio de pessoas
- Tribunal aplicou prisão preventiva; em caso de condenação, pena pode chegar a 12 anos com confisco de bens
Porque é importante
O caso revela o circuito através do qual cereal roubado em territórios ocupados é alegadamente branqueado por certificação privada e escoado via um navio sob sanções. Ilustra também o papel que intervenientes do setor privado podem desempenhar na exportação ilegal de produtos agrícolas das zonas ocupadas, e os limites da aplicação efetiva dos regimes de sanções em portos terceiros.
O que aconteceu
A SBU anunciou a 19 de outubro a detenção, em Odesa, de dois quadros de uma empresa certificada para produtos agrícolas: o diretor da filial de Odesa de uma empresa estrangeira de certificação e a chefe de um laboratório sob a sua alçada. Segundo a investigação, em 2024 os russos carregaram 7.857 toneladas de trigo ucraniano no navio sancionado «Alfa M» no porto de Mariupol ocupado, tendo o cereal sido depois transportado para o porto russo de Temryuk, no krai de Krasnodar. Nesse porto foram elaborados documentos falsos a indicar a origem russa do cereal, antes de a carga seguir, através de uma empresa exportadora local, para um país do Médio Oriente. A SBU indica que representantes russos abordaram a direção da empresa de Odesa para dissimular a verdadeira origem do trigo; apesar de conhecerem a origem ucraniana da mercadoria, os suspeitos terão organizado análises laboratoriais fictícias e emitido um parecer falso a atestar o alegado origem russa. Nas buscas realizadas nas residências e no escritório da empresa, as autoridades apreenderam computadores, telemóveis, documentação e pareceres laboratoriais forjados.
Onde as versões divergem
As fontes divergem quanto ao destino final do trigo roubado: a SBU refere-se a um país do Médio Oriente vendido através de um exportador local, enquanto uma das fontes atribui à Procuradoria-Geral a indicação de que o cereal acabou por chegar à Turquia, com os investigadores a apurar se o produto poderá ter seguido depois para países da UE e para a própria Ucrânia. Existe igualmente divergência menor sobre a medida de coerção aplicada pelo tribunal: a maioria das fontes indica prisão preventiva, e uma das fontes refere explicitamente que a medida poderia ser substituída por caução.
Contexto
O cereal saiu do porto de Mariupol, sob ocupação russa, e atravessou o Mar de Azov até ao porto russo de Temryuk, no krai de Krasnodar, onde a sua origem foi falsificada antes da exportação. O navio «Alfa M» utilizado na operação é descrito como estando sob sanções. A acusação criminal é a de auxílio ao Estado agressor, cometido por concurso prévio de um grupo de pessoas, ao abrigo do Código Penal da Ucrânia.