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SpaceX restringiu a velocidade do Starshield na Ucrânia; Zelensky descreve medida como «operação planeada»

Na noite de 14 de outubro, a SpaceX restringiu unilateralmente a operação dos terminais militares Starshield na Ucrânia em movimento, fixando um limite declarado de 160 km/h (embora em algumas unidades a ligação falhasse já a cerca de 72 km/h). O Presidente Volodymyr Zelensky afirmou que a velocidade não foi totalmente restaurada, que os drones-intercetadores dependentes do Starlink ficaram incapacitados contra os Shahed a jato e que, num teste realizado com veículos na UE, o sistema funcionou acima dos 180 km/h — o que considera prova de uma «operação planeada». As fontes divergem sobre quem decidiu: Musk e Trump desmentem publicamente o envolvimento; já The Telegraph e a Reuters indicam que a proposta partiu de Musk com anuência de Trump e que a ordem veio da Casa Branca.

Pontos principais

  • Na noite de 14 de outubro, a SpaceX restringiu unilateralmente a operação dos terminais Starshield na Ucrânia em movimento, com limite declarado de 160 km/h (em algumas unidades, ligação perdida a partir de ~72 km/h).
  • Em 16 de outubro, Zelensky afirmou que a velocidade não tinha sido totalmente restaurada e que as restrições retiraram aos militares a capacidade de intercetar alguns Shahed a jato.
  • Em 17 de outubro, Zelensky indicou que a velocidade máxima do Starlink na Ucrânia era de 161 km/h, desligando-se acima desse valor.
  • A Ucrânia enviou veículos com terminais para países da UE, onde circularam a 180 km/h+ sem restrições; Zelensky concluiu que a limitação se aplica só ao território ucraniano — uma «operação planeada».
  • Musk disse publicamente que os limites de velocidade são definidos pelos militares dos EUA, com decisão final do Presidente; Trump declarou não ter ordenado as restrições e disse não saber quem o fez.
  • A Reuters, citando dois funcionários norte-americanos e um ocidental, reporta que a ordem para restringir o Starshield veio da Casa Branca; a Casa Branca negou envolvimento à Axios e falou em «avaria técnica».
  • O Pentágono não explicou publicamente as razões das restrições; um grupo de senadores dos EUA pediu ao Inspetor-Geral do Departamento de Defesa que investigue o caso.

Porque é importante

O teto de velocidade tornou os drones-intercetadores ucranianos dependentes do Starlink incapazes de intercetar os Shahed russos a jato, degradando uma capacidade-chave de defesa antiaérea. O episódio demonstrou que um único operador privado pode condicionar as comunicações de combate da Ucrânia, levantando dúvidas sobre a dependência de infraestruturas privadas em tempo de guerra. Zelensky enquadrou a restrição — geográfica e seletiva — como deliberada e não técnica, intensificando a disputa política entre Kiev, a Casa Branca, a SpaceX e o Pentágono. O caso está a impulsionar os trabalhos europeus para desenvolver uma alternativa ao Starlink.

O que aconteceu

Na noite de 14 de outubro, a SpaceX restringiu unilateralmente a operação dos terminais militares Starshield na Ucrânia em movimento, com um limite declarado de 160 km/h (em algumas unidades, a ligação caía já a cerca de 72 km/h). A 14 de outubro à noite, o ministro da Transformação Digital, Mykhailo Fedorov, reportou a reposição do serviço até 160 km/h; a 15 de outubro, o Ministério da Defesa da Ucrânia indicou que a operação em movimento tinha sido restaurada. A 16 de outubro, porém, o Presidente Volodymyr Zelensky afirmou que a velocidade não tinha sido totalmente restaurada e que as restrições retiraram às Forças Armadas a capacidade de intercetar parte dos Shahed a jato. A 17 de outubro, Zelensky indicou que a velocidade máxima do Starlink na Ucrânia era de 161 km/h, desligando-se acima desse valor, e revelou que a Ucrânia enviou vários veículos com terminais para países da União Europeia, onde circularam a 180 km/h e acima sem restrições — o que, no seu entendimento, configura uma «operação planeada» aplicável apenas ao território da Ucrânia. Zelensky acrescentou que a SpaceX não está a responder às perguntas do Ministério da Defesa ou dos militares ucranianos, enquanto decorrem contactos ao nível militar, diplomático e com parceiros da NATO.

Onde as versões divergem

As fontes divergem sobre quem decidiu a restrição: The Telegraph, citando fontes não identificadas, reporta que Musk a propôs a Trump, que concordou, abrindo caminho ao Pentágono; já a Reuters, citando dois funcionários norte-americanos e um ocidental, indica que a ordem veio da Casa Branca. Musk e Trump desmentem publicamente esse envolvimento — Musk diz que os limites são definidos pelos militares dos EUA com decisão final do Presidente; Trump afirma não ter ordenado nada e não saber quem o fez; a Casa Branca disse à Axios que não tem ligação ao caso e apontou uma «avaria técnica». Há também desacordo sobre o estado da restauração: Zelensky afirmou em 16 e 17 de outubro que a velocidade não foi totalmente reposta (limitada a 161 km/h), enquanto Fedorov e o Ministério da Defesa reportaram, em 14 e 15 de outubro, a reposição em movimento até 160 km/h. O limiar exato é alternadamente citado como 160 ou 161 km/h.

Contexto

O Starshield é a versão militar do Starlink e é usado pelas forças ucranianas pelo menos desde 2024; em agosto de 2024, a SpaceX recebeu um contrato do Pentágono para ligar à rede 2.500 terminais já na Ucrânia, além de 500 ligados antes. O contrato de serviço do Starshield, segundo fontes da Rádio Europa Livre, decorre até abril de 2027 e é pago pela Alemanha. No outono de 2022, Musk ordenou o corte do Starlink em zonas de combate na região de Kherson, contribuindo para o fracasso de uma operação de cerco a forças russas em Berislav. Em 1 de outubro, Musk recebeu um cargo oficial na administração Trump, co-liderando com Palmer Luckey e Newt Gingrich um estudo do Pentágono sobre guerras futuras. Em 9 de outubro, após uma conversa com Vladimir Putin, Trump levantou sanções ao gasóleo russo — Zelensky classificou a decisão como fraca e Trump disse que os ucranianos deveriam eleger um novo Presidente. Em 11 de outubro, Musk apoiou publicamente Trump, que acusava a Ucrânia de ataques a refinarias russas, escrevendo «Zelensky foi longe demais». Um grupo de senadores dos EUA pediu ao Inspetor-Geral do Departamento de Defesa que investigasse as restrições.