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Presidente finlandês pede a Elon Musk para alargar cobertura Starlink na Ucrânia

O Presidente da Finlândia, Alexander Stubb, disse à Reuters que pediu ao proprietário da SpaceX, Elon Musk, que alargue a cobertura da internet via satélite Starlink na Ucrânia para que possa atacar lançadores de mísseis balísticos russos. Numa entrevista em Nova Iorque, durante a semana da Assembleia Geral da ONU, Stubb afirmou que o alargamento deveria abranger zonas com lançadores, tanto em território ucraniano ocupado como na Rússia, e que isso poderia servir como elemento de defesa antiaérea. Indicou também que aliados preparam um pacote de ajuda de inverno porque não vê a guerra a terminar antes do inverno.

Pontos principais

  • Stubb disse à Reuters que pediu a Musk para alargar a cobertura Starlink na Ucrânia, incluindo território ocupado e Rússia, para atacar lançadores de mísseis balísticos.
  • Stubb afirmou fazer o apelo "para fins estratégicos, porque salvará vidas".
  • Stubb disse que o Starlink pode funcionar, em certa medida, como elemento de defesa antiaérea.
  • Stubb enumerou três necessidades da Ucrânia para o inverno: defesa antiaérea, infraestruturas energéticas e dinheiro.
  • Stubb disse que aliados preparam um pacote de ajuda de inverno porque não vê a guerra a terminar antes do inverno.
  • Stubb saudou a retoma em agosto das conversações de paz Rússia–Ucrânia sob mediação dos EUA.
  • Stubb defendeu um cessar-fogo incondicional, seguido de negociações sobre segurança, território, reconstrução e compensação.

Porque é importante

O Starlink tornou-se um componente vital das comunicações militares ucranianas, incluindo o controlo de drones, pelo que a geografia da sua operação tem implicações estratégicas reais. O alargamento do acesso a território russo permitiria, segundo responsáveis ucranianos, atingir lançadores balísticos móveis localizados a centenas de quilómetros da fronteira. A intervenção de Stubb adiciona um alto patrocinador europeu ao esforço diplomático para convencer Musk, num momento em que os aliados se preparam para um inverno em que Kiev enfrenta escassez aguda de defesa antiaérea.

O que aconteceu

O Presidente da Finlândia, Alexander Stubb, afirmou numa entrevista à Reuters, concedida em Nova Iorque durante a semana da Assembleia Geral da ONU, que pediu ao proprietário da SpaceX, Elon Musk, que alargue a cobertura da internet via satélite Starlink na Ucrânia. Esclareceu que o pedido abrange zonas com lançadores de mísseis balísticos, tanto em território ucraniano ocupado como na Rússia, e apresentou-o como um passo que poderia funcionar como elemento de defesa antiaérea e que, no seu entender, salvaria vidas.

Stubb identificou três prioridades para a Ucrânia antes do inverno: defesa antiaérea, infraestruturas energéticas e financiamento, e afirmou que aliados, incluindo a Finlândia, preparam um pacote de ajuda de inverno porque não vê a guerra a terminar antes do inverno. Saudou a retoma, em agosto, das conversações de paz Rússia–Ucrânia sob mediação dos Estados Unidos, após visitas de enviados americanos a Moscovo e Kiev. Defendeu como solução mais simples um cessar-fogo incondicional, alinhando-se com o apelo reiterado pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, no seu discurso na Assembleia Geral da ONU, e propôs que se seguissem negociações sobre segurança, território, reconstrução e compensação. Sugeriu ainda que a guerra poderia ser congelada ao longo da linha de contacto com uma zona-tampão de 30 quilómetros a leste e oeste, ou um regime de silêncio limitado ainfraestruturas energéticas e de exportação de cereal.

Como o descrevem as fontes ucranianas

Toda a cobertura disponível em língua portuguesa provém de órgãos ucranianos («Європейська правда», ZN.UA, «Українська правда», hromadske, LIGA.net, Укрінформ, NV, Suspilne). Apresentam o apelo de Stubb de forma solidária e centrada na segurança, sublinhando a escassez aguda de meios de defesa antiaérea e o argumento de que alargar o Starlink "salvará vidas". Os mesmos órgãos noticiam a retoma das conversações de paz em agosto sob mediação dos EUA e referem que Zelensky terá solicitado a Trump, em 28 de julho, que pedisse a Musk autorização para usar o Starlink em território russo, com Kyiv a propor limitar o alcance dos drones a 200 quilómetros da fronteira.

Onde as versões divergem

As fontes divergem na caracterização da posição de Musk e Trump quanto ao uso do Starlink em território russo. Uma versão, atribuída ao Financial Times, indica que Musk não se opõe em princípio mas considera a decisão política, cabendo a Washington a palavra final. Outra versão, também citada como Financial Times, refere que Trump não apoiou o pedido e recusou intervir junto de Musk. Uma terceira versão refere que Trump disse a Zelensky que precisava de "falar sobre isto com Elon" e que Zelensky afirmou que Trump o acusou de o ter "enganado" ao dizer que Musk teria concordado. As três formulações são incompatíveis entre si.

Contexto

O Starlink foi ativado sobre a Ucrânia pouco depois do início da invasão russa em grande escala em 2022 e tornou-se vital para as comunicações militares ucranianas, incluindo o controlo de drones. O serviço não opera sobre território russo, mas responsáveis ucranianos acreditam que a sua ativação em território russo para uso ucraniano permitiria atingir lançadores balísticos móveis localizados a centenas de quilómetros da fronteira. Em 2025, Musk respondeu a um pedido do então Ministro da Defesa Mykhailo Fedorov sobre o uso de Starlink em drones de ataque russos; em 5 de fevereiro, os terminais Starlink russos terão deixado massivamente de funcionar. Em março de 2025, Musk afirmou que nunca desligaria o Starlink para os militares ucranianos, apesar de discordar da política da Ucrânia.