Casa Branca ordenou restrição ao serviço Starshield da SpaceX usado pela Ucrânia
A Casa Branca enviou ao Departamento de Defesa dos EUA uma diretiva para limitar o serviço de comunicações por satélite Starshield, da SpaceX, utilizado pelas Forças Armadas ucranianas. Segundo a Reuters, que cita dois responsáveis norte-americanos e um representante de um país ocidental, a restrição de velocidade fez os terminais deixarem de funcionar em plataformas em movimento rápido, afetando drones de ataque e de interceção de Shaheds russos. O Pentágono é o maior cliente do Starshield. Um alto funcionário dos EUA negou que o Presidente Donald Trump tenha feito pessoalmente o pedido; a SpaceX, o Departamento de Defesa e a embaixada da Ucrânia em Washington não responderam.
Pontos principais
- Restrição temporária imposta pela Casa Branca ao serviço Starshield da SpaceX para as Forças Armadas ucranianas, limitando o funcionamento a velocidades até 160 km/h.
- Fonte da diretiva não identificada: dois responsáveis norte-americanos e um representante de um país ocidental informaram a Reuters; alto funcionário dos EUA afirmou que "o Presidente nunca fez esse pedido".
- Primeiros problemas registados na noite de 13 de outubro; terminais perderam ligação em plataformas em movimento rápido, afetando drones de ataque e de interceção de Shaheds.
- 7.º Corpo das Tropas Aerotransportadas reportou falhas de comunicações na direção de Huliaipole.
- Em 14 de outubro, o Presidente Zelenskyy classificou a decisão como "um grande erro" em mensagem a Elon Musk.
- Em 15 de outubro, o Ministério da Defesa da Ucrânia confirmou a reposição parcial do serviço, mas apenas até 160 km/h, e anunciou investigação conjunta com EUA, SpaceX e parceiros da NATO.
- Restrição ocorreu num contexto de pressão de Trump sobre Kiev para cessar ataques a refinarias russas; Trump responsabiliza a Ucrânia pela subida dos preços da energia.
Porque é importante
O Starshield constitui uma espinha dorsal de comunicações para operações de drones ucranianos, incluindo os interceptores usados contra os drones de ataque Shahed russos e missões de ataque em território ocupado. A restrição foi aplicada de forma unilateral e sem aviso prévio, em pleno combate, segundo responsáveis ucranianos, comprometendo missões em curso. O episódio ilustra o peso que decisões do poder executivo norte-americano e de um ator privado como a SpaceX podem ter sobre a capacidade operacional da Ucrânia, e surge associado à pressão presidencial dos EUA sobre Kiev para parar os ataques a refinarias russos.
O que aconteceu
Na noite de 13 para 14 de outubro, as Forças Armadas ucranianas começaram a registar falhas nos terminais Starlink de uso militar instalados em plataformas em movimento rápido. Voluntário e antigo conselheiro do Ministério da Defesa, Serhiy Sternenko, foi o primeiro a divulgar o problema na manhã de 14 de outubro, seguido por Serhiy Beskrestnov (Flash), que alertou para o risco de os drones interceptores deixarem de conseguir abater Shaheds com motor a jato. O 7.º Corpo das Tropas Aerotransportadas reportou cortes de comunicações na direção de Huliaipole. Uma fonte do Ministério da Defesa da Ucrânia confirmou ao NV que os terminais perdiam ligação acima dos 160 km/h, em alguns casos já a partir dos 110–120 km/h, dificultando a logística, a operação de sistemas não tripulados e missões de ataque em profundidade. Segundo a Reuters, dois responsáveis norte-americanos e um representante de um país ocidental afirmaram que a diretiva para limitar o Starshield proveio da Casa Branca. Um alto funcionário dos EUA negou que o Presidente Donald Trump tenha feito pessoalmente o pedido; a Casa Branca não respondeu se outro membro da administração o poderia ter feito. O Presidente Volodymyr Zelenskyy dirigiu-se a Elon Musk e classificou o abrandamento como "um grande erro". Musk respondeu na rede social X que os sistemas Starshield pertencem ao governo dos EUA e estão sob o seu controlo, pelo que as restrições de velocidade são determinadas pelo exército norte-americano ou pelo Presidente. A SpaceX, o Departamento de Defesa dos EUA e a embaixada da Ucrânia em Washington não responderam aos pedidos de comentário. Em 15 de outubro, o Ministério da Defesa da Ucrânia anunciou a reposição parcial do serviço até 160 km/h e a abertura de uma investigação conjunta com os EUA, a SpaceX e parceiros da NATO.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A cobertura ucraniana centra-se no impacto operacional imediato: drones de ataque, interceção de Shaheds, logística e reconhecimento foram afetados, com terminais a falharem em plataformas em movimento rápido. A narrativa sublinha o carácter unilateral e noturno da restrição, sem aviso prévio, e a corrida diplomática de Kiev para contactar a Casa Branca, o Departamento de Estado e o Pentágono. O enquadramento liga a restrição à pressão do Presidente Trump para que a Ucrânia cesse os ataques a refinarias russos, apresentando o corte do Starshield como um elemento coercivo dessa pressão. Vozes ucranianas diretas — o Presidente Zelenskyy, que qualificou a decisão como "um grande erro", e figuras públicas como Serhiy Sternenko e Serhiy Beskrestnov (Flash) — são destacadas para sublinhar as consequências operacionais internas.
Onde as versões divergem
As fontes divergem quanto à origem e natureza da restrição. Um relato, sustentado por três fontes informadas — dois responsáveis norte-americanos e um representante de um país ocidental — e por um alto funcionário ucraniano, atribui a decisão a uma diretiva da Casa Branca ao Departamento de Defesa; um alto funcionário dos EUA afirma que "o Presidente nunca fez esse pedido", e a Casa Branca não esclareceu se outro membro da administração poderia ter ordenado a medida. Uma versão em separado apresenta o episódio como uma restrição unilateral imposta pela SpaceX, e não como uma diretiva do governo norte-americano. A Casa Branca negou envolvimento nas restrições e descreveu o incidente como uma "avaria técnica".
Contexto
O Starshield é o serviço militar da SpaceX construído sobre a constelação de satélites Starlink, desenvolvido para clientes governamentais e de segurança nacional, tendo o Departamento de Defesa dos EUA como principal cliente. A restrição limitou o serviço a plataformas em movimento até 160 km/h (100 mph); os terminais perderam ligação acima desse limiar e, em alguns casos, já a partir dos 110–120 km/h. O corte surge após incidentes anteriores em que o acesso ao Starlink por unidades ucranianas foi abruptamente interrompido. Especialistas citados na reportagem atribuem a atual subida global dos preços da energia ao conflito dos EUA e de Israel com o Irão e a ataques iranianos a infraestruturas energéticas, que praticamente pararam a navegação no estreito de Ormuz.