Hegseth nega restrições ao Starshield na Ucrânia; outros relatos apontam Musk ou Casa Branca
O secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou em 20 de outubro que Washington não emitiu ordens para restringir o sistema militar de satélites Starshield na Ucrânia. A declaração surge após dias de relatos de limitação de velocidade do serviço, que terão afetado drones ucranianos no front. A Wall Street Journal e o The Telegraph atribuem a decisão a Elon Musk; a Reuters cita fontes que indicam a Casa Branca; Musk, Trump, Hegseth e Rubio negaram publicamente qualquer ordem norte-americana.
Pontos principais
- WSJ e The Telegraph reportam que Elon Musk ordenou pessoalmente a restrição de velocidade no pacote militar Starshield
- Hegseth disse em 20 de outubro que os EUA não emitiram ordens para restringir o Starshield na Ucrânia
- Em 14 de outubro soube-se do estrangulamento, que afetou várias missões militares do Starshield usado pelas Forças Armadas ucranianas
- Zelensky pediu a Musk que revertesse a restrição, classificando-a como «um grande erro»
- Trump afirmou não ter tomado a decisão sobre o Starlink na Ucrânia e disse não acreditar que Musk o tenha feito
- Rubio afirmou em 17 de outubro que o pacote militar Starshield estava indisponível para terminais Starlink na Ucrânia, mas indicou depois que o sistema estaria novamente operacional
- Em 19 de outubro, Zelensky disse que os equipamentos ucranianos que usam Starlink deixam de funcionar a velocidades de 130–161 km/h em vários troços do front
Porque é importante
O Starshield é utilizado pelas forças ucranianas para comunicações no front e para controlo de drones, pelo que o estrangulamento de velocidade afeta diretamente as operações militares, em particular os drones interceptores que perdem ligação de dados acima do limite imposto. O desacordo público entre responsáveis norte-americanos e relatos que apontam para Musk ou para a Casa Branca levanta dúvidas sobre quem controla, na prática, um sistema militar crítico numa guerra em curso. A controvérsia surge a par de relatos ucranianos de adiamentos de entregas de material militar e de incerteza sobre a transferência de mísseis Patriot.
O que aconteceu
Em 14 de outubro, fontes ucranianas confirmaram que a velocidade do Starlink tinha sido limitada para o pacote militar Starshield, aplicado a partir dos 160 km/h, afetando várias missões importantes. Zelensky recorreu ao X para apelar diretamente a Elon Musk, classificando a medida como «um grande erro». No mesmo dia, Musk afirmou que as restrições dependem do governo dos EUA e não da sua empresa. Em 15 de outubro, a Wall Street Journal reportou que Zelensky estaria disposto a assinar um acordo para alargar a cobertura do Starlink cerca de 300 km dentro do território russo em troca de uma pausa de 100 dias nos ataques a refinarias russas, proposta apresentada pelos senadores Roger Wicker e Kevin Cramer. Em 17 de outubro, o assessor presidencial Serhii Beskrestnov disse que a Ucrânia negociava com a SpaceX, o Pentágono e o governo dos EUA o levantamento da restrição; Marco Rubio indicou que o pacote Starshield estava indisponível e negou envolvimento da Casa Branca. Em 19 de outubro, Zelensky reportou que os equipamentos continuam a falhar entre os 130 e os 161 km/h. Em 20 de outubro, o secretário da Defesa Pete Hegseth afirmou perentoriamente que Washington não emitiu quaisquer ordens de restrição e que a política norte-americana para a Ucrânia se mantém inalterada. O serviço Starshield é financiado pela Alemanha e o contrato decorre até abril de 2027.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A comunicação ucraniana centra-se no impacto operacional: Zelensky e o seu assessor Beskrestnov descrevem a restrição como um ataque deliberado, assinalando que testes em veículos na UE não revelaram limitações, o que sustém a tese de uma operação dirigida contra Kyiv. Zelensky classificou a decisão como «um grande erro» e apelou diretamente a Musk. A imprensa ucraniana acompanha as conversações com a SpaceX, o Pentágono e o governo dos EUA para levantar a restrição e sublinha a proposta dos senadores Wicker e Cramer como eventual via para terminar a guerra. São também destacados relatos de adiamentos no Pentágono de fornecimentos militares «criticamente necessários».
Como o descrevem as fontes internacionais
A comunicação internacional privilegia a atribuição de responsabilidades: WSJ e The Telegraph citam funcionários anónimos dos EUA que apontam para Musk, com ou sem aprovação de Trump, enquanto a Reuters relata, também com base em fontes, que a ordem veio da Casa Branca. As declarações oficiais de Trump, Hegseth e Rubio a negar qualquer instrução do executivo norte-americano são amplamente reproduzidas, alimentando a perceção de descoordenação entre Washington e a SpaceX. A comunicação internacional destaca ainda a abertura de uma averiguação informal da Casa Branca sobre o caso e as declarações de Hegseth sobre o alegado esgotamento dos stocks de mísseis e a não aprovação, por enquanto, da transferência de Patriots para a Ucrânia.
Onde as versões divergem
As fontes divergem em três pontos. Primeiro, sobre quem ordenou a restrição: a WSJ e o The Telegraph atribuem-na diretamente a Musk, com possível aval de Trump; a Reuters, citando insiders, diz que a ordem partiu da Casa Branca; Musk responsabiliza os militares dos EUA e o presidente; Trump, Hegseth e Rubio negam qualquer instrução do governo; Zelensky afirma que o sinal veio do governo dos EUA. Segundo, sobre o envolvimento de Musk: uma versão na WSJ indica que Musk falou com altos funcionários, incluindo Trump, antes da restrição, enquanto outros funcionários norte-americanos citados pela mesma WSJ dizem que Musk agiu sozinho e que Trump não deu ordem específica. Terceiro, sobre o estado atual do serviço: uma fonte do Ministério da Defesa da Ucrânia disse à Rádio Svoboda que o Starshield em movimento foi restaurado em 15 de outubro, Rubio afirmou em 17 de outubro que o sistema estava novamente operacional, e Zelensky reportou em 19 de outubro que os equipamentos com Starlink continuam a falhar entre os 130 e os 161 km/h.
Contexto
A Ucrânia utiliza tanto o serviço civil Starlink como o pacote militar Starshield para comunicações no campo de batalha e operações com drones. O contrato do Starlink/Starshield decorre até abril de 2027 e é financiado pela Alemanha. A proposta mais recente para alargar o funcionamento dos terminais cerca de 300 km para dentro do território russo foi apresentada em 9 de outubro, em Kyiv, pelos senadores norte-americanos Roger Wicker e Kevin Cramer, acompanhados por dois membros da Câmara dos Representantes.