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Rússia lança ataque massivo combinado contra a Ucrânia com mísseis balísticos e drones, atingindo infraestruturas energéticas

Na noite de 13–14 de outubro, a Rússia lançou um ataque combinado massivo contra a Ucrânia utilizando 39 mísseis balísticos e 128 drones, visando instalações energéticas e infraestruturas críticas em Kiev, a região de Kiev e Carcóvia. Segundo o Presidente Volodymyr Zelensky, pelo menos 600 mil pessoas ficaram sem eletricidade, vários civis — entre os quais crianças — ficaram feridos ou morreram em Kiev, e a defesa aérea intercetou apenas quatro dos mísseis balísticos e cerca de 90% dos aparelhos não tripulados. O ataque ocorreu poucos dias depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado um "cessar-fogo energético" entre Rússia e Ucrânia.

Pontos principais

  • A Rússia lançou 167 meios de ataque aéreo (39 mísseis balísticos e 128 drones) na noite de 13–14 de outubro; a defesa aérea intercetou 4 mísseis e 115 drones, cerca de 90% do total de drones.
  • Os principais alvos foram Kiev, a região de Kiev e a região de Carcóvia, em particular infraestruturas energéticas e críticas, incluindo a TEC-4, um dos principais centros energéticos de Kiev.
  • Pelo menos 600 mil pessoas ficaram sem eletricidade em consequência dos ataques; foram ainda atingidos 26 elementos do complexo elétrico e 4 instalações do complexo de petróleo e gás.
  • Em Kiev, as autoridades confirmaram várias vítimas mortais (as fontes divergem entre três e quatro mortos) e mais de 20 feridos, incluindo uma criança de 8 anos no distrito de Desnianskyi.
  • Foi registado um incêndio num prédio residencial de nove andares no distrito de Desnianskyi, atingido na noite de 13 de outubro; a área ardida foi de cerca de 400 m².
  • A Ucrânia não recebeu aviso prévio dos parceiros sobre o primeiro ataque com mísseis balísticos, ocorrido por volta das 23:00 de 13 de outubro; os mísseis foram detetados praticamente na aproximação à cidade.
  • O ataque ocorreu poucos dias depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado um "cessar-fogo energético"; Zelensky descreveu-o como uma violação deliberada e demonstrativa desse anúncio.
  • As forças russas atacaram também infraestruturas ferroviárias em cinco oblasts (Carcóvia, Kiev, Vinnytsia, Khmelnytskyi e Ternopil), segundo o chefe da Ukrzaliznytsia, Oleksandr Pertsovskyi.

Porque é importante

O ataque demonstra que a Rússia continua a atingir deliberadamente o setor energético ucraniano, poucas semanas depois de ter sido anunciado um «cessar-fogo energético» pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, expondo a distância entre a retórica norte-americana e a ação russa. A combinação de dezenas de mísseis balísticos — contra os quais a Ucrânia só conseguiu intercetar quatro — com centenas de drones evidencia a limitada capacidade de defesa aérea ucraniana e a necessidade de reforço urgente, nomeadamente de mais mísseis para sistemas Patriot. Com pelo menos 600 mil pessoas sem eletricidade, danos em dezenas de elementos do complexo elétrico e várias vítimas civis em Kiev, o ataque sublinha o peso humano e económico da guerra energética russa e a urgência de respostas internacionais, desde sanções mais duras ao reforço das defesas aéreas da Ucrânia.

O que aconteceu

Na noite de 13–14 de outubro, a Rússia lançou contra a Ucrânia um ataque combinado massivo com 167 meios de ataque aéreo — 39 mísseis balísticos de tipos Iskander-M/KN-23/S-400/Zirkon/Onyx, lançados a partir das oblasts russas de Kursk, Briansk, Voronezh e Rostov, e 128 drones (Shahed e outros tipos), descolados de Millerovo, Oriol, das zonas ocupadas de Donetsk e Hvardiiske (Crimeia) e do mar de Azov.

O ataque decorreu em várias ondas. A primeira vaga, com mísseis balísticos, foi lançada por volta das 23:00 de 13 de outubro e atingiu a central térmica TEC-4 — um dos principais objetos energéticos de Kiev — bem como um prédio de nove andares no distrito de Desnianskyi, provocando um incêndio que afetou os pisos do 1.º ao 8.º numa extensão de cerca de 400 m². Uma vaga seguinte recomeçou após as 04:30 de 14 de outubro, repetindo ataques contra infraestruturas energéticas em Kiev e na região de Kiev.

Os alvos principais foram Kiev, a região de Kiev e a região de Carcóvia. A Rússia atingiu infraestruturas energéticas e críticas, incluindo — segundo fontes oficiais russas e ucranianas — a TEC-4, a TEC-5 e a TEC-6 em Kiev, a subestação elétrica de Kiev, a central de Trypillia (na região de Kiev), a TEC-5 de Carcóvia e a central de Zmiivska. Foram também atacadas infraestruturas ferroviárias em cinco oblasts (Carcóvia, Kiev, Vinnytsia, Khmelnytskyi e Ternopil), sem vítimas mortais entre o pessoal ferroviário graças a evacuações preventivas.

Até às 09:00, a defesa aérea ucraniana tinha intercetado ou suprimido 119 alvos: 4 dos 39 mísseis balísticos e 115 dos 128 drones (incluindo 59 drones reativos), cerca de 90% do total de drones de ataque. Alguns dos mísseis russos não atingiram os seus alvos.

Em Kiev, várias pessoas morreram — as fontes divergem entre três e quatro mortos — e mais de 20 ficaram feridas, incluindo uma criança de oito anos no distrito de Desnianskyi. No distrito de Holosiivskyi, uma pessoa morreu e outra ficou ferida na sequência do impacto num edifício não residencial. Foi declarado o estado de emergência elétrica em cinco distritos da capital (Darnytskyi, Dniprovskyi, Pecherskyi, Solomianskyi e parte de Holosiivskyi), com suspensão temporária dos horários de estabilização. No distrito de Pecherskyi, a pressão da água diminuiu após uma estação de bombagem ter ficado sem eletricidade. O trânsito de elétricos foi suspenso nos distritos de Darnytskyi e Pecherskyi, e a circulação dos elétricos Kyiv City Express foi interrompida em ambas as direções durante o alerta aéreo.

Segundo o Presidente Zelensky, pelo menos 600 mil pessoas ficaram sem eletricidade, com possíveis cortes adicionais. O ataque danificou 26 elementos do complexo elétrico e 4 instalações do complexo de petróleo e gás. A Ucrânia, por duas noites seguidas, não recebeu aviso prévio dos parceiros sobre o lançamento dos mísseis balísticos, que foram detetados praticamente na aproximação à cidade.

Como o descrevem as fontes ucranianas

As fontes ukrainas — Novoye Vremya, Ukrainska Pravda, Ukrinform, Suspilne, LIGA.net, Babel, NV, Hromadske, Interfax-Ucrânia, Rádio Svoboda — apresentam-no como um ataque deliberado e demonstrativo contra o setor energético, salientando a ausência de aviso prévio dos parceiros para a primeira vaga balística e o contraste com o «cessar-fogo energético» anunciado por Trump. A tónica é colocada nas consequências civis, distrito a distrito, em Kiev, nas falhas de eletricidade e de água, nas perturbações nos transportes públicos e nos pedidos de Zelensky por sanções mais fortes dos EUA ao abrigo da lei Lindsey Graham e por mísseis adicionais para sistemas Patriot. Os números oficiais das Forças Aéreas (167 meios de ataque aéreo detetados, 119 intercetados) e as declarações de Klitschko, Zelensky, Ihnat, Pertsovskyi e Klymenko dominam a cobertura.

Como o descrevem as fontes internacionais

A cobertura internacional em língua inglesa, incluindo a Reuters e o Guardian, refere o mesmo núcleo de factos, condensando-o em números de vítimas e de falhas elétricas para destacar a dimensão geopolítica do ataque — a violação do «cessar-fogo energético» anunciado por Trump e a distância entre a retórica norte-americana e a ação russa. As peças incluem igualmente as declarações do Ministério da Defesa russo que enquadram os alvos como instalações ao serviço do complexo militar-industrial ucraniano, e citações do ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, a desvalorizar o valor de uma trégua e a sugerir que a Europa a utilizaria para «bombear a Ucrânia com novas armas».

Onde as versões divergem

As fontes divergem quanto ao número exato de mortos e feridos em Kiev durante os ataques de 13–14 de outubro: um primeiro relato de Klitschko apontava uma morte em Holosiivskyi; o Serviço Estatal de Emergências referia três mortos em vários distritos; a Procuradoria da Cidade de Kiev apontou quatro mortos e 25 feridos (incluindo uma menina de sete anos); outras fontes referem três mortos e 27 feridos. Os números de feridos no prédio residencial atingido no distrito de Desnianskyi também diferem: Klitschko apontou inicialmente 17 feridos, o Serviço de Emergências 13, e uma contagem posterior indicou 21 feridos, incluindo uma criança.

Contexto

A 12 de outubro, o Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na sua rede social Truth Social um «cessar-fogo energético» entre a Rússia e a Ucrânia, com efeito imediato, sem fornecer detalhes do acordo; o Kremlin declinou comentar e Trump disse que as violações exigiam verificação. Dias antes, a CNN tinha reportado que a administração Trump tinha avisado a Ucrânia e os aliados europeus de que Washington poderia suspender a partilha de informações de inteligência e travar as compras europeias de armas norte-americanas para a Ucrânia, caso esta não parasse os ataques a alvos energéticos no interior da Rússia. Reportagem anterior, baseada numa parte de um documento interno russo obtida pela equipa de investigação «Skhemy» (Rádio Svoboda), descrevia um plano estratégico russo para uma série de ataques de inverno contra subestações elétricas, infraestruturas de água e esgotos e centrais nucleares ainda sob controlo de Kiev. As forças russas têm também vindo a intensificar, ao longo de 2025, os ataques a infraestruturas ferroviárias ucranianas, incluindo ligações de passageiros e estações.