Zelensky diz que Rússia atacou aeroportos de Kiev e Boryspil em retaliação à diplomacia dos EUA
Na noite de 4 para 5 de setembro, a Rússia lançou uma vaga de ataques com drones contra várias regiões da Ucrânia, incluindo Kiev e a respetiva oblast. O Presidente Zelensky afirmou que a Rússia atingiu deliberadamente, pela primeira vez em muito tempo, os aeroportos de Kiev (Zhuliany) e Boryspil, enquadrando o ataque como uma resposta à diplomacia norte-americana e à próxima visita dos representantes especiais dos EUA Steve Witkoff e Jared Kushner, que deveriam estar em Moscovo no dia 5 e em Kiev no dia 6.
Pontos principais
- Zelensky afirma que a Rússia atingiu pela primeira vez em muito tempo os aeroportos de Kiev (Zhuliany) e Boryspil.
- O Presidente ucraniano descreveu o ataque como "Shaheds russo-iranianos em resposta à diplomacia americana".
- Zelensky afirmou que a Ucrânia ajustará na próxima semana a sua operação relativa ao espaço aéreo russo.
- Witkoff e Kushner estavam agendados para Moscovo a 5 de setembro e Kiev a 6 de setembro.
- Em Boryspil, um drone atingiu um prédio residencial de 9 andares: duas mulheres ficaram feridas e 15 residentes foram evacuados.
- Na região de Kiev, houve incêndios nos distritos de Bucha, Boryspil e Obukhiv.
- Em Kamianske (Dnipropetrovsk), um ataque a uma empresa civil causou, segundo Zelensky, 4 mortos e 5 feridos.
- Danos em habitações em Kherson, Boryspil e Kharkiv; drones atingiram centros comerciais em Sumy e Mykolaiv.
Porque é importante
O ataque deliberado a dois aeroportos na região da capital ucraniana — algo que, segundo Zelensky, não acontecia há muito tempo representa uma escalada contra infraestruturas civis e de transporte e foi publicamente enquadrado por Kiev como uma resposta direta de Moscovo à diplomacia norte-americana e à próxima visita da delegação dos EUA. A vaga de ataques atingiu pelo menos oito regiões, causou vítimas em Boryspil e Kamianske e ocorre num momento sensível, em vésperas da deslocação a Moscovo e Kiev dos enviados especiais norte-americanos Witkoff e Kushner para conversações sobre o fim da guerra.
O que aconteceu
Na noite de 4 para 5 de setembro de 2026, a Rússia lançou uma vasta operação com drones contra várias regiões da Ucrânia, incluindo Kiev e a oblast de Kiev, Dnipropetrovsk, Odesa, Kherson, Kharkiv, Sumy e Mykolaiv. Em Kiev e na respetiva oblast foram declaradas quatro vezes alertas aéreos durante a noite; as Forças Aéreas registaram a deslocação de drones a jato sobre as oblasts de Kiev, Poltava e Chernigíh, alguns com vetor para Boryspil e Obukhiv.
O Presidente Volodymyr Zelensky afirmou que a Rússia atingiu pela primeira vez em muito tempo os aeroportos de Kiev (Zhuliany) e Boryspil, descrevendo os ataques como deliberados e demonstrativos e ligando-os à preparação da possível chegada, por avião, da delegação norte-americana a um destes dois aeroportos. Zelensky qualificou a operação como "Shaheds russo-iranianos em resposta à diplomacia americana" e anunciou que a Ucrânia ajustará na próxima semana a sua operação relativa ao espaço aéreo russo.
Em Boryspil, um drone russo atingiu um prédio residencial de 9 andares, provocando um incêndio e a destruição do telhado e de estruturas do 9.º piso; duas mulheres ficaram feridas (com barotrauma e traumatismo torácico fechado) e 15 residentes foram evacuados pelos socorristas. Na oblast de Kiev registaram-se ainda consequências em três distritos: no de Bucha, arderam armazéns e foi feito um segundo impacto durante o combate ao incêndio; no de Obukhiv, os bombeiros apagaram incêndios em zonas naturais provocados pela queda de destroços de drones. Na oblast de Dnipropetrovsk, em Kamianske, um ataque a uma empresa civil causou, segundo Zelensky, 4 mortos e 5 feridos. Houve também danos em habitações em Kherson, Boryspil e Kharkiv, e drones atingiram centros comerciais em Sumy e Mykolaiv. O Ministério da Defesa russo reivindicou ataques a "complexos da indústria metalúrgica, centros logísticos e subestações elétricas" em várias oblasts.
Como o descrevem as fontes ucranianas
Todas as fontes fornecidas são meios e agências ucranianos em língua ucraniana. A cobertura é dominada pela interpretação de Zelensky: os ataques aos aeroportos são apresentados como deliberados, demonstrativos e diretamente relacionados com a próxima chegada da delegação dos EUA, frequentemente abrindo com a citação sobre os "Shaheds russo-iranianos em resposta à diplomacia americana". As peças centram as principais consequências humanas no prédio residencial de Boryspil e na empresa civil de Kamianske, sublinham o calendário da deslocação de Witkoff e Kushner e recordam a oferta ucraniana de não realizar ataques contra o território russo durante a visita. Vários artigos destacam também a justificação oficial russa — ataques a "complexos metalúrgicos, centros logísticos e subestações elétricas".
Como o descrevem as fontes internacionais
O material fornecido não inclui enquadramento de fontes internacionais.
Onde as versões divergem
Existem três desacordos relevantes entre as fontes. Primeiro, diverge o balanço de vítimas do ataque à empresa civil em Kamianske (Dnipropetrovsk): Zelensky aponta 4 mortos e 5 feridos, mas uma das peças refere 5 mortos. Em segundo lugar, há sinais contraditórios sobre se houve ou não cessar-fogo temporário ou regime de silêncio: a Ukrainska Pravda noticiou que as Forças de Defesa ucranianas receberam ordem de observar um regime de silêncio entre 5 e 8 de setembro, ao passo que fontes do Suspilne negaram qualquer cessar-fogo na frente e o Estado-Maior-General sublinhou que as operações de combate continuam na íntegra. Por fim, sobre a alegada pausa russa nos ataques a Kiev, o porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov afirmou que Putin ordenou uma pausa de três dias a partir da meia-noite de 5 para 6 de setembro, associada à visita dos enviados norte-americanos — mas no mesmo período registaram-se ataques russos continuados contra Kiev e a respetiva oblast.
Contexto
Os enviados especiais dos EUA Steve Witkoff e Jared Kushner estavam agendados para Moscovo a 5 de setembro e Kiev a 6 de setembro, para conversações sobre o fim da guerra; segundo o New York Times, os EUA vinham pedindo há semanas que a Ucrânia suspendesse temporariamente os ataques de drones contra Moscovo e infraestruturas energéticas russas enquanto a Rússia suspenderia os ataques com mísseis contra Kiev. Zelensky tinha declarado que a Ucrânia não realizaria ataques aéreos contra o território russo durante a visita da delegação e pediu a Moscovo que fizesse o mesmo. A 1 de setembro, Zelensky já tinha alertado as companhias aéreas para o facto de o espaço aéreo russo estar a tornar-se perigoso, e a Ucrânia informou formalmente a ICAO nesse sentido. A Bloomberg noticiou que o Kremlin tinha expectativas "muito baixas" em relação a estas negociações. As Forças de Defesa ucranianas receberam ordem de observar um regime de silêncio temporário na linha de contacto entre 5 e 8 de setembro, sem acordo com a Rússia; o Estado-Maior-General sublinhou que as operações de combate continuam na íntegra. No dia 4 de setembro, um ataque prévio com drones russos terá causado um incêndio na zona não residencial do distrito de Solomiansky, em Kiev, perto do aeroporto de Zhuliany, tendo o deputado Oleksiy Honcharenko referido que um drone atingiu uma aeronave nesse aeroporto. O Ministério da Defesa russo reivindicou ataques a "complexos da indústria metalúrgica, centros logísticos e subestações elétricas" em várias oblasts.