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Zelensky anuncia disponibilidade para cessar-fogo energético, mas afirma que anúncio de Trump foi surpresa

O Presidente Volodymyr Zelensky afirmou, numa intervenção por videoconferência no Warsaw Security Forum em 12 de outubro, que a Ucrânia está disponível para um cessar-fogo energético recíproco com a Rússia, mas sublinhou que o anúncio feito pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, em 11 de outubro na Truth Social, o apanhou de surpresa. Zelensky insistiu que a questão central para Kiev são os ataques russos às centrais elétricas e à rede energética ucranianas, e não apenas aos refinarias de petróleo. Horas antes e depois do anúncio, a Rússia atingiu uma instalação energética em Kiev e a central térmica TEC-5 em Kharkiv, o que Kiev apresenta como violações imediatas do anunciado cessar-fogo.

Pontos principais

  • Em 11 de outubro, Trump anunciou na Truth Social um "cessar-fogo energético" imediato entre a Rússia e a Ucrânia, afirmando que ambas as partes tinham concordado.
  • Zelensky disse que o anúncio foi uma surpresa e que Kiev não tinha sido informada de qualquer acordo prévio.
  • A Casa Branca esclareceu, segundo a Axios, que a proposta abrange apenas a cessação mútua de ataques a refinarias de petróleo ("refinaria por refinaria").
  • Zelensky afirmou que a Ucrânia está pronta para suspender os ataques a refinarias russas se a Rússia parar de atacar infraestruturas energéticas ucranianas.
  • Cerca de uma hora antes do anúncio de Trump, as forças russas atingiram uma instalação energética em Kiev, provocando cortes de emergência em cinco distritos da capital.
  • Pouco depois do anúncio, a Rússia atacou a central térmica TEC-5 em Kharkiv, segundo Zelensky.
  • Os enviados especiais norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner adiaram a viagem a Moscovo, aguardando uma nova proposta coordenada com Ucrânia e UE para Putin.
  • O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Moscovo não quer cessar-fogo, e o ministro Sergey Lavrov disse que Zelensky "não conquistou uma trégua no campo de batalha".

Porque é importante

O anúncio norte-americano foi apresentado como um avanço diplomático mediado pelos EUA, mas, na prática, não há confirmação de que Moscovo tenha aderido e Kiev afirma ter sido apanhada de surpresa. A clarificação da Casa Branca de que o acordo se limita a "refinaria por refinaria" — quando a Ucrânia só possui uma refinaria operacional e a Rússia uma vasta rede — evidencia o desequilíbrio da fórmula proposta. A reação russa oficial, com Peskov a rejeitar cessar-fogo e Lavrov a negar qualquer trégua, questiona a substância do anúncio. Em paralelo, a tensão nas relações EUA–Ucrânia é evidente: funcionários da Casa Branca advertem que os ataques ucranianos a refinarias russas prejudicam mais a relação de Zelensky com Trump do que a própria Rússia, e os enviados Witkoff e Kushner adiaram a deslocação a Moscovo, sinalizando incerteza mais ampla no esforço de paz.

O que aconteceu

Em 11 de outubro, o Presidente dos EUA Donald Trump publicou na Truth Social que um "cessar-fogo energético" entre a Rússia e a Ucrânia tinha entrado em vigor de imediato, com o acordo de ambas as partes. Segundo a Axios, um representante da Casa Branca explicou que o acordo significa apenas que cada lado deixará de atacar refinarias de petróleo do outro, descrevendo-o como "refinaria por refinaria", e que Trump espera que Zelensky o respeite. Cerca de uma hora antes da publicação, forças russas atingiram uma instalação energética em Kiev, causando cortes de emergência em partes dos distritos de Obolon, Shevchenkivskyi, Desnianskyi, Podilskyi e Dnipro. Após o anúncio, a Rússia atacou a central térmica TEC-5 em Kharkiv. Zelensky assegurou em 12 de outubro, no Warsaw Security Forum por videoconferência, que o anúncio de Trump foi novidade para ele, que a Ucrânia apoiou de imediato a ideia de cessar-fogo energético e que está pronta para suspender ataques a refinarias russas caso a Rússia pare de atacar centrais e redes elétricas ucranianas. Também sublinhou que a Ucrânia só tem uma refinaria, repetidamente danificada por ataques russos, e que importa grandes volumes de gasóleo. Os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner adiaram a viagem prevista a Moscovo; novas datas só serão marcadas quando for claro se Ucrânia e países da UE aceitarão uma nova proposta coordenada para Putin. O porta-voz do Kremlin, Peskov, afirmou que Moscovo não quer cessar-fogo e só uma "paz duradoura"; o chefe da diplomacia russa, Lavrov, declarou que Zelensky "não ganhou uma trégua".

Como o descrevem as fontes ucranianas

As fontes ucranianas enquadram o anúncio como uma surpresa não coordenada com Kiev e salientam a não-conformidade russa através dos ataques a infraestruturas energéticas em Kiev e Kharkiv. Enfatizam a desvantagem estrutural da Ucrânia numa fórmula "refinaria por refinaria", lembrando que Kiev só tem uma refinaria operacional e importa a maioria do gasóleo e gás que consome, enquanto a Rússia possui uma vasta rede de refinarias. Zelensky e o ministro dos Negócios Estrangeiros Andrii Sybiha declaram-se disponíveis para um cessar-fogo energético desde que recíproco, sublinhando que se devem julgar as ações russas e não as palavras. A imprensa ucraniana destaca o apoio diplomático europeu e canadiano — telefonemas com Rutte, von der Leyen, Stubb e Carney — bem como o apelo do comissário europeu Andrius Kubilius a uma estratégia de paz independente UE-Ucrânia, como contrapeso aos movimentos unilaterais norte-americanos. A mesma cobertura recorda a decisão anterior de Trump de levantar sanções às exportações russas de gasóleo e as suas críticas a Zelensky, classificando essa decisão como injusta e como uma concessão à Rússia.

Como o descrevem as fontes internacionais

Os órgãos de comunicação ocidentais (Axios, Financial Times) relatam que o anúncio de Trump apanhou Kiev de surpresa e que não existe acordo final, referindo o adiamento da visita Witkoff–Kushner a Moscovo e o impasse nas conversações em Miami. Funcionários da Casa Branca citados pela Axios advertem que os ataques ucranianos a refinarias russas estão a prejudicar mais a relação de Zelensky com Trump do que a própria Rússia, descrevendo Trump como "realmente furioso", e ameaçam cortes no partilha de informação e nas compras de armamento através do mecanismo PURL. Uma peça em alemão aborda o momento na perspetiva civil ucraniana, expressando deceção pela não concretização do cessar-fogo apesar do anúncio. As reações oficiais russas, transmitidas por Peskov e Lavrov, rejeitam qualquer cessar-fogo e acusam a Europa de prolongar o conflito; a China apela ao diálogo e às negociações; a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, afirma que a União saúda a ideia mas não vê sinais de que Moscovo esteja pronta. Marcin Przydacz, da chancelaria presidencial polaca, é citado a dizer que o acordo sobre gasóleo russo não constitui um "reset" das relações EUA-Rússia e que não há vontade russa de negociar de boa fé.

Onde as versões divergem

As fontes divergem quanto à existência de um acordo prévio: Trump afirmou que ambas as partes tinham concordado imediatamente, enquanto Zelensky sustenta que o anúncio foi novidade e funcionários ucranianos, citados pelo Financial Times, disseram não saber de qualquer entendimento; no lado russo, o comité de energia da Duma considerou prematuro falar de acordos e Peskov limitou-se a confirmar que os contactos decorrem. Subsiste também desacordo sobre o âmbito do cessar-fogo: a Casa Branca apresenta-o como "refinaria por refinaria", centrado na suspensão de ataques a refinarias, ao passo que a Ucrânia insiste que a prioridade é a cessação dos ataques russos às centrais elétricas e à rede energética. Por fim, fontes divergem sobre se o cessar-fogo está a ser respeitado: Trump pediu a ambas as partes que o cumprissem, mas relatos ucranianos apontam ataques russos a uma instalação energética em Kiev cerca de uma hora antes do anúncio e à central TEC-5 em Kharkiv pouco depois, além de strikes noturnos com drones a instalações de gás na Ucrânia.

Contexto

Em 9 de outubro, Trump anunciou que tinha falado com Putin e que chegaram a acordo para fornecer gasóleo russo ao mercado dos EUA e mundial, suspendendo temporariamente as sanções até abril; no dia seguinte, Trump defendeu publicamente que a Ucrânia precisa de um novo presidente. Em 14 de setembro, Trump já tinha afirmado que Ucrânia e Rússia tinham concordado em não atacar infraestruturas energéticas uma da outra; o Financial Times noticiou depois que esse anúncio tinha sido precipitado, por não existir acordo final. A Rússia leva a cabo há vários anos uma campanha de ataques contra centrais elétricas e redes energéticas ucranianas, intensificando-a todos os invernos e provocando cortes diários de eletricidade na Ucrânia. Em resposta, a Ucrânia tem realizado ataques de longo alcance contra refinarias russas, contribuindo para a escassez de combustíveis e incêndios nessas instalações. Os EUA têm sido o principal mediador diplomático na procura de um fim à guerra, enquanto a União Europeia é o maior doador financeiro da Ucrânia.