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Rússia ameaça diplomatas em Kiev; embaixadas da UE, Polónia, Estónia e Itália declaram-se nos postos

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia instou, a 3 de outubro, estrangeiros — incluindo pessoal diplomático — a abandonar Kiev, ameaçando novos ataques massivos contra a capital ucraniana. Em resposta, a embaixadora da UE na Ucrânia, Kateryna Maternova, afirmou a 4 de outubro que a Delegação da UE e as 25 embaixadas dos Estados-membros permanecem em funcionamento na cidade. Vários governos — entre os quais Polónia, Estónia, Itália, Países Baixos e França — também emitiram declarações públicas a confirmar a continuidade da presença diplomática. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sybiha, agradeceu às missões que permanecem na capital, classificando a campanha de intimidação de Moscovo como fracassada.

Pontos principais

  • A 3 de outubro, o MNE russo apelou a estrangeiros e diplomatas para deixarem Kiev, sob ameaça de novos "ataques massivos".
  • A 4 de outubro, a embaixadora da UE Kateryna Maternova declarou que a Delegação da UE e as embaixadas dos 25 Estados-membros permanecem em Kiev.
  • A Polónia, a Estónia, a Itália, os Países Baixos e a França anunciaram que as respetivas embaixadas continuam na cidade.
  • Maternova advertiu Moscovo para não testar a força da Convenção de Viena sobre relações diplomáticas.
  • O MNE polaco afirmou que não tenciona alterar o regime de funcionamento da embaixada em Kiev e prometeu aumentar a pressão sobre o Kremlin.
  • O Guardian noticiou a 2 de outubro que diplomatas ocidentais discutem em privado planos de contingência para relocar embaixadas para Lviv ou para o leste da Polónia.
  • Sybiha agradeceu às embaixadas que permanecem em Kiev e afirmou que a campanha de intimidação russa "fracassou há seis meses e fracassará de novo".

Porque é importante

A ameaça explícita da Rússia contra diplomatas estrangeiros em Kiev representa uma escalada na tentativa de Moscovo de quebrar a presença política e simbólica ocidental na capital ucraniana. A recusa pública coordenada pela UE, Polónia, Estónia, Itália e outros parceiros sinaliza um compromisso diplomático contínuo apesar da intimidação. Em paralelo, a reportagem do Guardian sobre planos de contingência privados sugere que a posição oficial de permanecer coexiste com uma gestão discreta do risco, o que eleva as apostas políticas de qualquer retirada silenciosa.

O que aconteceu

A 3 de outubro, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia publicou um aviso dirigido a estrangeiros, incluindo pessoal diplomático, para que deixassem Kiev face a novos "ataques massivos" que Moscovo anunciou contra a capital. A Rússia justificou a ameaça como retaliação por alegados ataques ucranianos a instalações militares russas. A 4 de outubro, a embaixadora da UE na Ucrânia, Kateryna Maternova, reagiu numa publicação na rede social X: a Delegação da UE e as embaixadas dos 25 Estados-membros com representação em Kiev permanecem na cidade. Maternova descreveu as ameaças russas como sinal de frustração pela ausência de vantagens no campo de batalha e advertiu Moscovo para não testar a força das Convenções de Viena. A Polónia, através do seu MNE, afirmou que não tenciona alterar o regime de funcionamento da embaixada em Kiev e reiterou o apoio à autodeterminação e integridade territorial da Ucrânia, prometendo continuar a aumentar a pressão sobre o Kremlin em conjunto com aliados. A Estónia garantiu que a sua embaixada continua em Kiev e que o apoio à Ucrânia é firme. O embaixador de Itália em Kiev, Carlo Formosa, declarou que a embaixada italiana permanece e exortou Moscovo a cumprir a Convenção de Viena e o direito internacional humanitário. O porta-voz da Comissão Europeia, Christian Wigand, sublinhou que a UE trabalha em Kiev sem alterações e que as ameaças refletem a perda de controlo do Kremlin. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sybiha, agradeceu publicamente às embaixadas da Bélgica, Letónia, Finlândia, Eslováquia, Áustria, Albânia, Lituânia, Polónia, Alemanha, Estónia, Itália, França e da própria UE pela presença contínua em Kiev, considerando a campanha de intimidação fracassada. O porta-voz do MNE ucraniano, Heorhiy Tykhyi, negou que houvesse pedidos formais de relocação de embaixadas, ao contrário do que reportou o Guardian sobre transferência de postos para Lviv ou leste da Polónia.

Como o descrevem as fontes ucranianas

A cobertura ucraniana coloca o ministro dos Negócios Estrangeiros Andriy Sybiha no centro da narrativa: a sua mensagem dirige-se diretamente às missões diplomáticas enumeradas — Bélgica, Letónia, Finlândia, Eslováquia, Áustria, Albânia, Lituânia, Polónia, Alemanha, Estónia, Itália, França e UE — e enquadra a ameaça russa como uma operação de informação destinada a diminuir o apoio europeu. O MNE ucraniano, através de Tykhyi, desmentiu as notícias sobre preparativos de evacuação, apresentando a presença diplomática como contínua e estável. As reportagens ligam o aviso russo à entrevista do presidente Volodymyr Zelensky à Reuters, na qual este anunciou a intensificação de ataques da Ucrânia contra refinarias russas, contextualizando a escalada diplomática como parte da troca crescente de golpes no terreno.

Como o descrevem as fontes internacionais

As vozes institucionais da UE — a embaixadora Maternova e o porta-voz Christian Wigand — interpretam a ameaça como uma tentativa de intimidação para reduzir o apoio europeu à Ucrânia e sublinham que a Delegação da UE e as 25 embaixadas dos Estados-membros permanecem em pleno na cidade. Os ministérios dos Negócios Estrangeiros da Polónia e da Estónia, bem como o embaixador de Itália em Kiev, emitiram declarações próprias a reafirmar a presença, a invocar a Convenção de Viena e a comprometer-se com o aumento da pressão sobre Moscovo. A reportagem do Guardian, todavia, regista um desfasamento entre a posição pública de permanecer em Kiev e a preparação privada de planos de contingência para eventual relocação, oferecendo uma imagem diplomática mais cautelosa ao lado da recusa oficial a retirar.

Onde as versões divergem

As fontes divergem quanto à data da reportagem do Guardian sobre planos de relocação de embaixadas: várias fontes ucranianas indicam 2 de outubro, enquanto outras referem 3 de outubro. As fontes também divergem sobre se o aviso russo análogo anterior aos diplomatas foi emitido em maio de 2025 ou em maio de 2026, e se os líderes estrangeiros o rejeitaram ou se, mais simplesmente, as missões diplomáticas não chegaram a sair de Kiev. Por fim, há divergência quanto ao pacote de sanções da UE ligadas à deportação de crianças ucranianas: algumas publicações associam-no explicitamente ao motivo da deportação, enquanto outras referem apenas que foi aprovado na mesma semana.

Contexto

A Rússia já tinha emitido um aviso semelhante a diplomatas estrangeiros em maio de 2025, sem que as embaixadas tenham então deixado Kiev. Nos dias que antecederam o aviso, o Guardian noticiou que diplomatas ocidentais discutiam em privado a possibilidade de transferir embaixadas para Lviv ou para o leste da Polónia, face à intensificação dos ataques russos. A 3 de outubro, o presidente Volodymyr Zelensky disse à Reuters que a Ucrânia intensificaria ataques contra refinarias russos em resposta à escalada. Na semana em causa, a UE condenou um documento enviado por Moscovo à Aliança, no qual âmbito da Rússia ameaçava usar todo o seu potencial militar, incluindo armas nucleares, em caso de isolamento da região de Kaliningrado, e a 28 de setembro a UE tinha aprovado novas sanções contra a Rússia pela deportação de crianças ucranianas.