Rússia ataca pontes sobre o Dniepre em Kiev durante vários dias e provoca colapso de transportes
Entre 1 e 4 de outubro de 2026, drones russos atingiram repetidamente as duas principais travessias rodoviárias sobre o Dniepre em Kiev — a Ponte Sul (Pivdennyi) e a Ponte Norte (Pivnichnyi, ex-Ponte de Moscovo). A Ponte Sul está totalmente fechada ao tráfego desde 2 de outubro, a Ponte Norte foi atingida em 3 e 4 de outubro, e a cidade viveu um colapso de transportes, deixando residentes sem água quente no distrito de Desnianskyi e obrigando pessoas a atravessar as pontes a pé.
Pontos principais
- Em 1-2 de outubro, drones russos atingiram a Ponte Sul de Kiev quatro vezes, danificando pilares, pavimento e barreiras de proteção do metrô; a ponte está totalmente fechada desde 2 de outubro.
- Em 3 de outubro, um drone atingiu a Ponte Norte (ex-Ponte de Moscovo), danificando o pavimento e a rede de contacto dos trolleybuses; duas pessoas ficaram feridas.
- Em 4 de outubro, outro drone atingiu novamente a Ponte Norte: dois feridos, um hospitalizado, e uma conduta de aquecimento foi danificada, cortando a água quente no distrito de Desnianskyi.
- O Presidente Volodymyr Zelensky indicou que na noite de 4 de outubro a Rússia lançou 135 drones de ataque, mais de 50 deles reactivos; numa semana foram usados mais de 1.900 drones, 1.700 bombas aéreas e 25 mísseis.
- O especialista militar Viktor Kevliuk (Centro de Estratégias de Defesa) afirmou que os ataques às pontes não são uma campanha pontual e que a perda de pontes ferroviárias dividiria a Ukrzaliznytsia em duas empresas «ilhas».
- O Ministério da Restauração anunciou planos para travessias de pontões de reserva em Kiev, com capacidade de pelo menos 50% das pontes atuais e construção prevista de até três meses.
- O New York Times estima que cerca de um milhão de pessoas vivem na margem esquerda de Kiev, predominantemente residencial, e que a Ucrânia está mais vulnerável a estes ataques devido à escassez de meios de defesa antiaérea.
Porque é importante
Os ataques paralisaram uma artéria de transporte crucial para cerca de um milhão de pessoas que vivem na margem esquerda de Kiev e que se deslocam diariamente para a margem direita, onde se concentram a maioria das instituições governamentais e empresas. A Ponte Sul está totalmente fechada e novos impactos na Ponte Norte agravaram o colapso de transportes na cidade, com pessoas a atravessar as pontes a pé. Analistas militares consideram que a campanha é sustentada e avisam que pode cortar a logística entre margens e, em caso de perda de pontes ferroviárias, dividir a Ukrzaliznytsia em duas empresas «ilhas». O volume de ataques russos disparou — Zelensky aponta 135 drones numa única noite e mais de 1.900 drones, 1.700 bombas aéreas e 25 mísseis numa semana —, numa altura em que a Ucrânia enfrenta escassez de meios de defesa antiaérea. Os ataques coincidiram com atividade diplomática intensa, incluindo uma deslocação do chanceler alemão Friedrich Merz a Kiev.
O que aconteceu
Em 1 de outubro, drones russos atingiram a Ponte Sul (Pivdennyi) de Kiev duas vezes no mesmo dia, com dois aparelhos a atingirem a zona dos pilares de apoio. O tráfego do metrô e dos transportes públicos de superfície sobre a ponte foi suspenso. Em 2 de outubro, a Rússia voltou a atacar a Ponte Sul mais duas vezes, danificando pilares, pavimento e a barreira de proteção do metrô; a ponte ficou totalmente fechada ao tráfego. Em 3 de outubro, de manhã, um drone atingiu a Ponte Norte (Pivnichnyi, ex-Ponte de Moscovo), danificando o pavimento e a rede de contacto dos trolleybuses; duas pessoas ficaram feridas, segundo o autarca Vitalii Klitschko. O tráfego na Ponte Norte foi restringido durante várias horas e os trolleybuses foram desviados, mas o trânsito acabou por ser restabelecido. Em 4 de outubro, um drone voltou a atingir a Ponte Norte, ferindo duas pessoas — uma hospitalizada e outra assistida no local — e danificando uma conduta de aquecimento que cortou a água quente em parte do distrito de Desnianskyi. Na noite de 4 de outubro, a Rússia lançou 135 drones de ataque, mais de 50 deles reactivos, atingindo as regiões de Kiev, Dnipropetrovsk, Kharkiv, Donetsk, Sumy e Zaporijia. De acordo com o Presidente Zelensky, na mesma semana foram usados mais de 1.900 drones de ataque, 1.700 bombas aéreas e 25 mísseis. Zelensky relatou igualmente uma incursão num armazém de preparações médicas em Sumy, com uma vítima mortal, e um ataque a uma empresa de comunicações em Dnipro, com seis feridos. Após o fecho da Ponte Sul, Kiev viveu um colapso de transportes com todas as principais vias da cidade paralisadas, atrasos nos transportes públicos e pessoas a atravessar as pontes a pé.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A cobertura ucraniana centra-se em responsáveis e especialistas nacionais: o autarca Klitschko reporta baixas e danos na infraestrutura, o Presidente Zelensky apresenta o balanço de drones e mísseis e refere ataques em Sumy e Dnipro, o Ministro Kalashnyk anuncia planos para travessias de pontões de reserva, e os especialistas Kevliuk e Popovych analisam a intenção e os limites dos aparelhos do tipo Geran. A imprensa sublinha simultaneamente o impacto humanitário imediato — feridos, colapso dos transportes, danos na conduta de aquecimento e corte de água quente — e as medidas de resiliência previstas, como travessias alternativas e a necessidade de cobertura de defesa antiaérea. Os comentários de especialistas enquadram os ataques como uma campanha sustentada, com o objetivo de separar a margem esquerda da margem direita de Kiev, e não de destruir fisicamente as pontes.
Como o descrevem as fontes internacionais
O New York Times enquadra os ataques pelo seu impacto sobre cerca de um milhão de residentes da margem esquerda e sublinha a dificuldade de destruir grandes estruturas de betão, citando o precedente da Ponte de Querche, que após ataques foi temporariamente encerrada mas nunca deixou totalmente de funcionar. A reportagem internacional situa a campanha contra as pontes no padrão mais amplo de ataques russos a armazéns, instalações médicas, centros de dados e complexos metalúrgicos ucranianos, e nos planos de intensificação dos ataques ao sistema energético durante o inverno. A cobertura destaca que, embora as pontes se mantenham de pé, a vida quotidiana em Kiev foi significativamente complicada pelas restrições de choque e encerramentos de tráfego.
Onde as versões divergem
Uma fonte (НВ) contém uma incoerência interna: o título refere 4 de setembro de 2026, enquanto o corpo do artigo se refere a 4 de outubro. Outra divergência diz respeito ao número de ataques na Ponte Sul em 1–2 de outubro: uma fonte (Радіо Свобода) indica que a ponte sofreu cinco ataques de drone nesse período, enquanto outra (LIGA.net) refere ataques em 1 e 2 de outubro sem especificar cinco.
Contexto
A Ponte Sul (Pivdennyi) e a Ponte Norte (Pivnichnyi, ex-Ponte de Moscovo) são as principais travessias rodoviárias de Kiev sobre o Dniepre, ligando a margem esquerda densamente povoada à margem direita, onde se concentram a maioria das instituições governamentais e empresas. Segundo o New York Times, cerca de um milhão de pessoas vivem predominantemente na margem esquerda e deslocam-se diariamente para a margem direita. A Rússia tem usado drones para atingir outras infraestruturas ucranianas nas últimas semanas, nomeadamente armazéns, comboios, centros de dados, instalações médicas e complexos metalúrgicos, estando também previstos ataques intensificados ao sistema energético durante o inverno. O New York Times nota que a Ucrânia se tornou mais vulnerável a estes ataques devido a uma escassez significativa de meios de defesa antiaérea e ao crescimento dos arsenais russos. O Ministro da Restauração, Infraestruturas e Transportes, Mykola Kalashnyk, anunciou travessias de pontões de reserva sobre o Dniepre em Kiev, planeadas como diques de aterro com troços de pontões que garantam pelo menos 50% da capacidade das pontes, com construção na semana seguinte e duração estimada de até três meses.