Ucrânia: Rússia prepara vídeos de propaganda encenados em Oleshky ocupada, diz ministro
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou em 30 de setembro que a Rússia está a preparar dezenas de vídeos de propaganda encenados na cidade ocupada de Oleshky, na região de Kherson, obrigando residentes a declarar em câmara que estão bem alimentados e gratos aos ocupantes. A denúncia surge no contexto de uma crise humanitária na cidade, onde cerca de dois mil civis, incluindo cerca de 50 crianças, permanecem sem alimentos, água, eletricidade ou possibilidade de evacuação.
Pontos principais
- Sybiha afirmou em 30 de setembro, numa publicação na X, que a Rússia prepara dezenas de vídeos encenados em que residentes de Oleshky ocupada serão forçados a dizer que estão felizes, bem alimentados e gratos aos ocupantes
- Os vídeos inserem-se numa campanha de propaganda russa com várias semanas que nega a existência de uma catástrofe humanitária em Oleshky
- Sybiha apelou à comunidade internacional e às organizações internacionais para aumentarem a pressão sobre Moscovo e exigirem o fim imediato do cerco e o acesso humanitário
- Cerca de dois mil civis permanecem em Oleshky, incluindo quase 50 crianças, sem alimentos, água, eletricidade nem possibilidade de evacuação; a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU indicou que, até 24 de junho, não chegavam alimentos à cidade desde 26 de maio
- A 27 de setembro, as autoridades da região de Kherson e as Forças de Defesa da Ucrânia entregaram cerca de 4.000 kg de géneros alimentícios em 100 pontos de Oleshky através de drones pesados
- O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reconheceu que existe uma "situação crítica" em Oleshky, mas alegou que as autoridades ucranianas obstruem o abastecimento — acusação que o Centro Ucraniano de Combate à Desinformação classificou como uma técnica típica de propaganda russa
Porque é importante
A acusação de Sybiha apresenta uma alegada operação russa de manipulação informativa montada para ocultar uma crise humanitária em curso numa cidade ocupada onde civis, incluindo crianças, estão sem alimentos, água, eletricidade e cuidados médicos. A denúncia serve para pressionar a comunidade internacional e as organizações internacionais a intensificarem a pressão sobre Moscovo e a garantirem acesso humanitário imediato. Em paralelo, o reconhecimento pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, da existência de uma "situação crítica" em Oleshky confirma, ainda que parcialmente, o problema humanitário subjacente que a Ucrânia procura destacar.
O que aconteceu
A 30 de setembro, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, publicou na rede social X que, segundo dados da inteligência ucraniana, a Rússia está a preparar dezenas de vídeos de propaganda encenados na cidade ocupada de Oleshky, na região de Kherson. De acordo com Sybiha, os residentes locais serão obrigados a declarar em câmara que estão felizes, bem alimentados e gratos aos ocupantes russos. Sybiha descreveu estes vídeos como parte de uma campanha de propaganda russa com várias semanas que visa negar a existência de uma catástrofe humanitária na cidade. O ministro instou a comunidade internacional e as organizações internacionais relevantes a aumentarem a pressão sobre Moscovo e a exigirem o fim imediato do cerco de Oleshky, sublinhando que cada dia conta para salvar pessoas que estão a morrer de fome. A 27 de setembro, o chefe da administração militar da região de Kherson, Oleksandr Prokudin, tinha informado que as autoridades regionais e as Forças de Defesa tinham entregue cerca de 4.000 kg de géneros alimentícios em 100 pontos de Oleshky através de drones pesados.
Como o descrevem as fontes ucranianas
Os artigos ucranianos convergem numa narrativa única: a Rússia bloqueia Oleshky e fabrica vídeos de propaganda encenados para ocultar uma catástrofe humanitária. Destacam vozes oficiais ucranianas — o ministro Andrii Sybiha, o provedor de direitos humanos Lubinets, o chefe da região de Kherson, Oleksandr Prokudin, e o Centro de Combate à Desinformação — e sublinham as operações humanitárias com drones e a coordenação com o CICV como prova dos esforços de boa-fé de Kiev. Detalham as alegadas táticas russas — declarações forçadas em câmara, passaportes russos obrigatórios, eleições-farsa e recrutamento de jovens — e dão destaque à identificação, pelo Slidstvo.Info, de comandantes russos alegadamente responsáveis pela catastrophe. Contrastam o reconhecimento de uma "situação crítica" por Peskov com a tentativa russa de responsabilizar a Ucrânia, classificando esta última como uma técnica típica de propaganda russa.
Onde as versões divergem
As fontes divergem quanto à responsabilidade pela situação humanitária em Oleshky ocupada. Funcionários ucranianos e o Centro de Combate à Desinformação afirmam que as forças russas bloqueiam a cidade e impedem a ajuda humanitária; o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, alega que as autoridades ucranianas obstruem o abastecimento de produtos. Há também divergência na caracterização da situação: Sybiha e o Centro de Combate à Desinformação descrevem uma catástrofe humanitária em curso, enquanto Peskov reconheceu uma "situação crítica", mas a Rússia mantém uma campanha de propaganda que nega problemas humanitários na cidade.
Contexto
Oleshky é uma cidade da região de Kherson ocupada pelas forças russas, da qual a evacuação civil foi cortada e a ajuda humanitária bloqueada. Segundo a Novynarnia, cerca de dois mil civis estão retidos em Oleshky, incluindo quase 50 crianças, sem alimentos, eletricidade, água ou possibilidade de evacuação. A Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia indicou que, até 24 de junho, não tinham chegado alimentos à cidade ocupada desde 26 de maio. A 25 de setembro, o Comissário do Conselho da Europa para os Direitos Humanos, Michael O'Flaherty, apelou a um cessar-fogo local, ao acesso humanitário sem entraves e à evacuação segura dos civis. A 27 de setembro, as autoridades da região de Kherson e as Forças de Defesa da Ucrânia entregaram cerca de 4.000 kg de géneros alimentícios em 100 pontos de Oleshky por drones, segundo Oleksandr Prokudin. O provedor de direitos humanos Lubinets afirmou que a Ucrânia se coordenou com o CICV para a evacuação e preparou listas, e que equaciona cenários incluindo um cessar-fogo de um dia para evacuação ou um corredor terrestre mais para o interior do território ocupado. Os residentes de Oleshky estão a ser forçados a obter passaportes russos e a participar em eleições-farsa, sendo sujeitos a propaganda e recrutamento de jovens para o exército russo. O Slidstvo.Info identificou comandantes russos que considera envolvidos na catástrofe humanitária em Oleshky.