Rusgos na ocupação de Oleshky confiscam alimentos lançados por drones ucranianos e interrogam civis
Forças russas na cidade ocupada de Oleshky, na região de Kherson, confiscaram pacotes de alimentos lançados por drones militares ucranianos e interrogaram moradores, acusando-os de colaborar com as Forças Armadas da Ucrânia. A entrega, descrita como a maior até agora, foi de cerca de 4 toneladas. Autoridades e organizações ucranianas e eclesiásticas descrevem a cidade como à beira de uma catástrofe humanitária.
Pontos principais
- Militares russos em Oleshka, Kherson, confiscaram alimentos lançados por drones das Forças Armadas da Ucrânia e interrogaram residentes sobre a origem não russa dos produtos, acusando-os de colaboração.
- A entrega de cerca de 4 toneladas (4.000 kg) para 100 pontos da cidade foi descrita como a maior operação do género e incluiu 142 saídas de UAV das unidades da 30.ª brigada de fuzileiros.
- Tetiana Hasanenko, chefe da administração militar de Oleshky, afirmou que pessoas continuam a desaparecer após serem raptadas por russos, incluindo uma família cujo paradeiro é desconhecido.
- As estimativas de civis presentes variam: até cerca de 6.000 pessoas na cidade e arredores (cerca de 200 crianças), segundo a administração militar, ou cerca de 2.000 (cerca de 50 crianças), segundo a porta-voz das Forças de Defesa do Sul, Anastasiia Shevchenko.
- O último envio oficial de alimentos antes das entregas por drone ocorreu em 26 de maio; a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU registou que nenhum abastecimento chegou à cidade até pelo menos 24 de junho.
- O ministro dos Negócios Estrangeiros Andrii Sybiha anunciou, em 20 de setembro, que a Ucrânia levará a situação de Oleshky à Assembleia Geral da ONU; o Conselho Pan-Ucraniano de Igrejas apelou em 19 de setembro ao Papa, à ONU e ao Comité Internacional da Cruz Vermelha para ajudar na evacuação.
- Shevchenko afirmou que as forças russas estão a preparar vídeos de propaganda com civis forçados a declarar que estão satisfeitos e agradecidos aos ocupantes, e que Moscovo procura apresentar a ajuda ucraniana como sua.
Porque é importante
O confisco de ajuda humanitária por parte das forças russas impede diretamente o socorro a civis numa cidade ocupada confrontada com a fome. Os relatos de interrogatórios e acusações de colaboração levantam preocupações sobre coerção e represálias contra quem recebe ajuda. O registo da Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU de que não chegaram abastecimentos à cidade durante cerca de quatro meses evidencia a dimensão da crise. Apelos de igrejas e de autoridades ucranianas a instâncias como a ONU, o Papa e o Comité Internacional da Cruz Vermelha elevaram a questão ao plano internacional, enquanto a suspeita de que Moscovo pretende reapresentar a ajuda ucraniana como sua configuraria uma operação de propaganda sobre civis cercados.
O que aconteceu
Em Oleshky, cidade temporariamente ocupada da região de Kherson, militares russos confiscaram pacotes de alimentos que as Forças Armadas da Ucrânia tinham lançado por drones a residentes locais. De acordo com Tetiana Hasanenko, chefe da administração militar da cidade, os soldados russos interrogaram quem recebeu a ajuda, perguntando de onde vinha a comida não russa e acusando-os de colaborar com as Forças Armadas da Ucrânia. A entrega, de cerca de 4 toneladas (4.000 kg) distribuídas por 100 pontos da cidade, foi descrita pela administração como a maior operação do género e envolveu 142 saídas de UAV da 34.ª Brigada de Fuzileiros separada, da 11.ª Brigada da Guarda Nacional «Bolharchy» e de outras unidades do 30.º Corpo de Fuzileiros. Hasanenko denunciou ainda que pessoas continuam a desaparecer na comunidade de Oleshky após raptos por russos, incluindo uma família cujo paradeiro é desconhecido. O chefe da administração regional de Kherson, Oleksandr Prokudin, afirmou que as forças russas têm abatido drones que transportam alimentos. O último envio oficial de alimentos à cidade antes das entregas por drone datava de 26 de maio, e a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU registou que nenhum abastecimento chegou a Oleshky até pelo menos 24 de junho.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A cobertura ucraniana é centrada em fontes oficiais: Tetiana Hasanenko, chefe da administração militar de Oleshky; o comissário parlamentar para os direitos humanos Dmytro Lubinets; o ministro dos Negócios Estrangeiros Andrii Sybiha; o chefe da administração regional de Kherson, Oleksandr Prokudin; e a porta-voz das Forças de Defesa do Sul, Anastasiia Shevchenko. A narrativa destaca o confisco russo da ajuda ucraniana, os interrogatórios com acusações de colaboração e os raptos em curso, apresentando a entrega por drones como uma operação humanitária significativa e a Rússia como responsável pela crise. São também sublinhados os apelos diplomáticos e religiosos para internacionalizar a questão, como a sua elevação à Assembleia Geral da ONU, ao Papa, à ONU e ao Comité Internacional da Cruz Vermelha, bem como a alegação de que Moscovo procura reapresentar a ajuda como própria.
Onde as versões divergem
As fontes divergem na estimativa de civis ainda presentes em Oleshky e arredores: Tetiana Hasanenko e outras autoridades ucranianas falam em até cerca de 6.000 pessoas, incluindo cerca de 200 crianças, enquanto Anastasiia Shevchenko, das Forças de Defesa do Sul, indica cerca de 2.000 pessoas, incluindo cerca de 50 crianças apenas na cidade. Há também divergência quanto ao ano do último envio oficial de alimentos, em 26 de maio: uma das fontes ucranianas indica 2026, enquanto outras não especificam o ano ou sugerem 2025, e a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU refere 26 de maio sem precisar o ano, alinhando-se pela leitura de 2025.
Contexto
Oleshky, na região de Kherson, está sob ocupação russa e é descrita pelas autoridades ucranianas como estando em bloqueio humanitário e à beira de uma catástrofe. Antes da guerra, a cidade tinha cerca de 24.000 habitantes. As estimativas atuais da população variam entre cerca de 2.000 (segundo a porta-voz das Forças de Defesa do Sul) e até 6.000 na cidade e arredores (segundo a administração militar), incluindo cerca de 200 crianças. O último envio oficial de alimentos antes das entregas por drone ocorreu em 26 de maio, e a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU indicou que não chegaram abastecimentos até pelo menos 24 de junho. As forças ucranianas já tinham realizado entregas menores por drone; a operação recente, com 142 saídas de UAV do 30.º Corpo de Fuzileiros e unidades anexas, foi apresentada como a maior de sempre. As principais vozes oficiais citadas sobre a situação são Tetiana Hasanenko (chefe da administração militar de Oleshky), Oleksandr Prokudin (chefe da administração regional de Kherson), Dmytro Lubinets (comissário parlamentar para os direitos humanos) e Andrii Sybiha (ministro dos Negócios Estrangeiros).