Rússia bloqueia evacuação humanitária de Oleshky, diz Provedor de Justiça da Ucrânia
O Provedor de Justiça da Ucrânia, Dmytro Lubinets, afirmou em 16 de setembro de 2025 que a Rússia se recusa a confirmar uma evacuação humanitária dos civis que permanecem na cidade ocupada de Oleshky, na margem esquerda do Dnipro, na região de Kherson. Apesar de acordos anteriores com listas de pessoas a evacuar e da disponibilidade do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para participar na operação, Moscó não aceita um corredor humanitário estável nem um cessar-fogo. Os civis estão sem alimentos, água e medicamentos, e alguns tentam sair a pé por campos minados sob fogo de drones.
Pontos principais
- Lubinets afirmou em 16 de setembro de 2025 que a Rússia não confirma a evacuação humanitária de Oleshky.
- Acordos anteriores incluíam lista de pessoas a evacuar e algoritmos definidos; o CICV manifestou disponibilidade para participar.
- Estimativa de Lubinets: mais de 6.000 pessoas ainda em Oleshky e na zona circundante, incluindo cerca de 200 crianças.
- Bild estima entre 2.000 e 4.000 pessoas; a ONU refere que desde 26 de maio não chegaram alimentos à cidade.
- O Ministro dos Negócios Estrangeiros Andriy Sybiha apelou em 15 de setembro à comunidade internacional para garantir acesso e evacuação.
- Civis estão a tentar sair a pé por campos minados, sob risco de minas e ataques de drones.
- Sem corredor humanitário estável nem cessar-fogo, segundo informação recolhida pelo escritório do Provedor.
Porque é importante
Mais de 6.000 pessoas, incluindo cerca de 200 crianças, continuam em Oleshky sem acesso fiável a alimentos, água potável ou medicamentos. Sem corredor humanitário acordado, alguns civis tentam atravessar campos minados a pé sob fogo de drones. Embora a Ucrânia, o CICV e a ONU afirmem que a parte técnica da evacuação está pronta, a Rússia bloqueia a confirmação. O apelo do chefe da diplomacia ucraniana à comunidade internacional sublinha que a crise já não pode ser resolvida apenas através de negociação bilateral.
Como o descrevem as fontes ucranianas
As fontes ucranianas, centradas no escritório do Provedor de Justiça e no Ministério dos Negócios Estrangeiros, apresentam a Rússia como o único bloqueador da ajuda humanitária, salientando que Kiev já coordenou um cessar-fogo com as suas forças de segurança e que o CICV está disponível para participar. A narrativa sublinha a recusa russa em confirmar a evacuação apesar dos acordos já alcançados e destaca que civis são forçados a atravessar campos minados a pé. O Centro de Resistência Nacional acrescenta que Moscó explora a catástrofe humanitária em Oleshky para fins de propaganda, acusando as Forças Armadas da Ucrânia de impedirem a entrega de ajuda.
Onde as versões divergem
As estimativas sobre quantas pessoas permanecem em Oleshky divergem: Dmytro Lubinets aponta para mais de 6.000 pessoas, incluindo cerca de 200 crianças, enquanto o jornal alemão Bild refere entre 2.000 e 4.000 habitantes.
Contexto
Oleshky situa-se na margem esquerda do rio Dnipro, perto de Kherson, numa zona cinzenta contestada. Em 15 de maio realizaram-se negociações sobre a evacuação humanitária urgente de Oleshky e de outras localidades próximas, como Stara Zburivka, Nova Zburivka e Hola Prystan, após o que terão sido acordados detalhes técnicos e uma lista de pessoas a evacuar. A Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia referiu que, a 24 de junho, nenhum carregamento de alimentos tinha chegado à cidade ocupada desde 26 de maio. Lubinets afirmou que a população combinada de Oleshky, Stara e Nova Zburivka e Hola Prystan diminuiu cerca de 34.000 pessoas desde o início da ocupação, e que Oleshky sozinha perdeu cerca de dez vezes a sua população.