Катастрофа humanitária em Oleshky ocupada: milhares de civis sem alimentos nem evacuação
A cidade de Oleshky, na margem esquerda da região de Kherson, ocupada pela Rússia desde o início da invasão em grande escala, atravessa uma catástrofe humanitária com falta de alimentos, água, medicamentos e gás, enquanto as forças russas impedem a evacuação de civis. Investigação do Slidstvo.Info associa o bloqueio à 126.ª Brigada de Defesa Costeira e ao 331.º Regimento Aerotransportado da Guarda russos, cujos comandos poderão estar envolvidos na situação. A Ucrânia procura apoio internacional, com apelos na ONU, uma marcha em Berlim e ações em Budapeste em solidariedade com os residentes.
Pontos principais
- Oleshky está sob ocupação russa desde os primeiros dias da invasão em grande escala e enfrenta uma catástrofe humanitária com escassez de alimentos, medicamentos, água e gás
- As forças russas mantêm Oleshky sob bloqueio e não permitem a evacuação de civis
- Mais de 6.000 pessoas podem permanecer na cidade e arredores, incluindo cerca de 200 crianças, numa zona cinzenta perto da linha da frente
- O chefe da administração militar de Kherson, Oleksandr Prokudin, afirmou que os russos mantêm cerca de 2.000 pessoas como reféns em Oleshky, das quais quase 50 são crianças
- A Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia indica que nenhum abastecimento alimentar chegou a Oleshky desde 26 de maio
- As Forças Armadas da Ucrânia entregaram cerca de 4 toneladas de géneros alimentícios por drone, mas os soldados russos confiscam as entregas aos residentes
- A investigação do Slidstvo.Info associa a catástrofe à 126.ª Brigada de Defesa Costeira da Frota do Mar Negro russa e ao 331.º Regimento Aerotransportado da Guarda, cujos comandos poderão ser responsáveis
- A 126.ª Brigada foi formada em 2014 a partir da antiga 36.ª Brigada de Defesa Costeira ucraniana, por militares que passaram para o lado russo após a ocupação da Crimeia
- O 331.º Regimento, baseado na região de Kostroma, disparou em 2014 sobre soldados ucranianos que saíam de Ilovaisk pelo chamado "corredor verde"
- O comissário parlamentar para os direitos humanos, Dmytro Lubinets, afirmou a 16 de setembro que a Rússia não confirma há muito a realização de uma missão humanitária de evacuação
- O ministro dos Negócios Estrangeiros Andrii Sybiha disse a 25 de setembro que levará a situação à Assembleia Geral da ONU
- A 28 de setembro realizou-se em Berlim uma marcha de apoio aos residentes de Oleshky, exigindo acesso humanitário e evacuação segura
- A comunidade ucraniana na Hungria preparou um apelo em ucraniano e inglês dirigido à OCHA, OHCHR, CICV e ACNUR
- O governador de ocupação da região de Kherson, Volodymyr Saldo, recusou divulgar o número de residentes de Oleshky, classificando essa informação como "não objetiva"
Porque é importante
A situação em Oleshky documenta uma catástrofe humanitária prolongada numa cidade ucraniana ocupada, com milhares de civis, incluindo crianças, presos sem abastecimento básico. As fontes associam o bloqueio a unidades militares russas específicas, dando substância a eventuais esforços de responsabilização. A recusa russa em permitir evacuação e a confisco de ajuda humanitária por soldados levantam preocupações graves sobre a proteção de civis. O caso já mobilizou respostas internacionais — uma marcha de solidariedade em Berlim, um apelo do Comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa e a intenção da Ucrânia de abordar a situação na Assembleia Geral da ONU.
O que aconteceu
A cidade de Oleshky, na margem esquerda da região de Kherson, está sob ocupação russa desde os primeiros dias da invasão em grande escala e enfrenta uma catástrofe humanitária com escassez de alimentos, água, medicamentos e gás. As forças russas mantêm a cidade sob bloqueio e não permitem a evacuação de civis. Segundo a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU, nenhum abastecimento alimentar chegou à cidade desde 26 de maio. As Forças Armadas da Ucrânia entregaram cerca de 4 toneladas de géneros alimentícios por drone, mas soldados russos confiscam essas entregas aos residentes. A chefe da administração militar de Oleshky, Tetiana Hasanenko, relatou que os civis são forçados a comer beldroegas (portulak) e que os soldados russos invadem casas, exigem comida e álcool e usam civis como escudo humano. Cerca de 6.000 pessoas, incluindo cerca de 200 crianças, podem permanecer na cidade e arredores. O chefe da administração militar de Kherson, Oleksandr Prokudin, disse que os russos mantêm cerca de 2.000 pessoas como reféns, das quais quase 50 são crianças. O governador de ocupação Volodymyr Saldo recusou divulgar a população de Oleshky, classificando essa informação como "não objetiva". Uma reportagem do Slidstvo.Info associa a situação à 126.ª Brigada de Defesa Costeira da Frota do Mar Negro e ao 331.º Regimento Aerotransportado da Guarda russos. O comissário para os direitos humanos do parlamento ucraniano, Dmytro Lubinets, afirmou que a Rússia há muito não confirma uma missão humanitária de evacuação. O ministro dos Negócios Estrangeiros Andrii Sybiha planeia levar o caso à Assembleia Geral da ONU. A 28 de setembro realizou-se uma marcha de solidariedade em Berlim e está prevista uma ação pública em Budapeste a 30 de setembro.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A comunicação social ucraniana apresenta a situação como resultado direto da responsabilidade militar russa, salientando a ocultação de informação pelo governador de ocupação Saldo e o sofrimento dos civis ucranianos sob ocupação. A cobertura centra-se em atores oficiais ucranianos — o comissário Lubinets, o ministro Sybiha, o chefe da administração militar de Kherson Prokudin e a chefe da administração militar de Oleshky Hasanenko —, nas entregas de ajuda por drones, nas ações de solidariedade em Berlim e Budapeste, e na investigação do Slidstvo.Info que identifica as unidades russas implicadas. É dada ênfase recorrente aos soldados russos que ocupam casas civis, confiscam ajuda humanitária, usam civis como escudo humano e à alegada ausência de uma administração de ocupação funcional. A reportagem cita também queixas internas de militares da 126.ª Brigada contra o próprio comando, como indício de problemas de comando russos.
Como o descrevem as fontes internacionais
A resposta internacional visível incluiu uma marcha em Berlim a 28 de setembro de apoio aos residentes de Oleshky, com exigências de acesso humanitário e evacuação segura, e um apelo do Comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa, Michael O'Flaherty, a 25 de setembro, a favor de um cessar-fogo local e da evacuação de civis. A comunidade ucraniana na Hungria preparou um apelo em ucraniano e inglês dirigido à OCHA, OHCHR, CICV e ACNUR, e está prevista uma ação pública em Budapeste a 30 de setembro. A Ucrânia anunciou a intenção de levar a situação à Assembleia Geral da ONU.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre a identidade do comandante da 126.ª Brigada de Defesa Costeira: uma cadeia russa no Telegram citada pelo Slidstvo.Info indica o coronel Oleg Aleksandrov em maio de 2025, enquanto o projeto independente de OSINT "Komandery Provalu" aponta o nome de Kostiantyn Kochetkov, de 43 anos. Divergem também quanto à data do último abastecimento alimentar a Oleshky — os dados da Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU apontam para 26 de maio, enquanto uma das reportagens refere "final de maio de 2026". Há ainda diferenças sobre o número de crianças restantes na cidade: as autoridades legítimas ucranianas indicam cerca de 180 crianças na comunidade de Oleshky; outras reportagens mencionam "cerca de 200 crianças" na cidade e arredores; o chefe da administração militar de Kherson, Oleksandr Prokudin, refere "quase 50 crianças" entre cerca de 2.000 pessoas que descreve como reféns.
Contexto
Oleshky situa-se na margem esquerda da região de Kherson e está sob ocupação russa desde os primeiros dias da invasão em grande escala. A cidade sofreu inundações e destruição massivas após a destruição da barragem de Kakhovka em junho de 2023. A administração de ocupação da região é chefiada por Volodymyr Saldo. A 126.ª Brigada de Defesa Costeira da Frota do Mar Negro russa foi formada em 2014 a partir da antiga 36.ª Brigada de Defesa Costeira ucraniana, integrando militares que passaram para o lado russo após a ocupação da Crimeia; está baseada em Perevalne, na Crimeia, e integra o agrupamento russo "Dnieper". O 331.º Regimento Aerotransportado da Guarda faz parte da 98.ª Divisão Aerotransportada da Guarda, baseado na região de Kostroma; em 2014, unidades deste regimento dispararam sobre militares ucranianos que saíam de Ilovaisk pelo chamado "corredor verde".