Merz anuncia negociações pessoais para reforçar defesa aérea da Ucrânia
O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que negoceia diretamente com vários chefes de Estado e de Governo para garantir fornecimentos adicionais de defesa aérea à Ucrânia, que descreveu como a maior fragilidade atual de Kyiv, numa conferência de imprensa conjunta em Berlim com o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev. O ministro dos Negócios Estrangeiros Johann Wadephul disse estar confiante em entregas a partir de pelo menos mais dois países, e a Ucrânia indicou ter recebido um pacote de mísseis para sistemas NASAMS.
Pontos principais
- Merz declarou em 29 de setembro, em Berlim, que conduz conversas pessoais com vários líderes mundiais para garantir fornecimentos adicionais de defesa aérea à Ucrânia.
- O chanceler alemão descreveu a defesa aérea como a maior fragilidade atual da Ucrânia e afirmou esperar que o país esteja preparado para o inverno, incluindo no abastecimento energético.
- Wadephul afirmou na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, em Estrasburgo, estar confiante em entregas a partir de pelo menos mais dois países.
- A Alemanha inicia a produção própria de mísseis Patriot, mas os primeiros resultados só chegarão no próximo ano.
- A Ucrânia deverá receber novos pacotes de defesa aérea da Alemanha ainda este mês, segundo a Ukrinform.
- A 28 de setembro, os ministros da Defesa da UE não chegaram a acordo sobre a atribuição de lotes adicionais de mísseis para sistemas de defesa aérea, afirmou Kaja Kallas.
- A UE já aprovou planos de aquisição de defesa de 28,3 mil milhões de euros no âmbito de um empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, incluindo mísseis Patriot a fabricar nos EUA.
Porque é importante
A defesa aérea é identificada como a maior vulnerabilidade da Ucrânia enquanto a Rússia continua a atacar infraestruturas civis. A Alemanha coordena ativamente a ajuda militar aliada, com potenciais novos pacotes de defesa aérea à Ucrânia ainda este mês. A ofensiva diplomática surge antes de um inverno previsivelmente difícil e da reunião do Conselho Europeu de 15 a 16 de outubro. Está em discussão um mecanismo que permitiria a Estados da UE transferir interceptores Patriot para a Ucrânia, com substituição financiada por um empréstimo de 90 mil milhões de euros. Os ministros da Defesa da UE não conseguiram, até agora, chegar a acordo sobre a atribuição de mísseis adicionais à Ucrânia.
O que aconteceu
No dia 29 de setembro, numa conferência de imprensa conjunta em Berlim com o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, o chanceler alemão Friedrich Merz afirmou estar a negociar pessoalmente com vários chefes de Estado e de Governo em todo o mundo para garantir fornecimentos adicionais de sistemas de defesa aérea à Ucrânia. Merz classificou a defesa aérea como a maior fragilidade atual de Kyiv e manifestou esperança de que a Ucrânia possa estar preparada para o inverno que se aproxima, incluindo no domínio do abastecimento energético.
O chanceler anunciou que a Alemanha mantém consultas intensivas com parceiros europeus sobre o reforço da ajuda à Ucrânia, em preparação para a reunião de 15 a 16 de outubro do Conselho Europeu, em Bruxelas. Entre os temas em discussão estão apoios concretos ao orçamento ucraniano e a utilização de todas as possibilidades para reforçar a defesa aérea.
Merz advertiu que a Rússia continuará a atacar a Ucrânia, incluindo infraestruturas civis, e considerou esses ataques crimes de guerra que ocorrem diariamente. Garantiu ainda que a Alemanha continuará a apoiar a Ucrânia porque a sua segurança está diretamente ligada à segurança de todo o continente europeu, acrescentando que, se a Ucrânia cair, a paz e a liberdade na Europa ficarão ameaçadas. Afirmou também que a Rússia não vencerá a guerra e que sofrerá perdas significativas, nomeadamente no plano económico.
O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, declarou na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, em Estrasburgo, estar confiante em entregas adicionais de defesa aérea a partir de pelo menos mais dois países. Wadephul recordou que a Alemanha já deu um contributo significativo e que o ministro da Defesa, Boris Pistorius, continua a trabalhar com Estados aliados para envolver sistemas adicionais, embora muitos países, incluindo a Alemanha, tenham já atingido o limite do que é responsável do ponto de vista de segurança. Anunciou ainda que a Alemanha iniciou a produção própria de mísseis Patriot, mas que os primeiros resultados só estarão disponíveis no próximo ano.
No mesmo dia, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que a Ucrânia recebeu um pacote "muito bom" de mísseis para sistemas de defesa aérea NASAMS. Segundo a Ukrinform, a Ucrânia deverá receber novos pacotes de defesa aérea da Alemanha ainda este mês. A 28 de setembro, a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, indicou que os ministros da Defesa da UE não chegaram a acordo sobre a atribuição de lotes adicionais de mísseis de defesa aérea à Ucrânia, embora a UE já tenha aprovado planos de aquisição no valor de 28,3 mil milhões de euros no âmbito de um empréstimo de 90 mil milhões de euros, incluindo mísseis de interceção Patriot que os EUA ainda terão de fabricar.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A cobertura em língua ucraniana destaca sobretudo a ideia de que a defesa aérea é a "maior fragilidade" ou "ponto mais vulnerável" da Ucrânia e de que Merz procura soluções. As fontes ucranianas dão relevo a ações concretas do Governo alemão: pacotes de defesa aérea previstos para este mês, a expectativa de Wadephul sobre entregas a partir de pelo menos mais dois países e o trabalho do ministro da Defesa Boris Pistorius para envolver sistemas adicionais. A imprensa ucraniana sublinha igualmente o possível mecanismo de transferência de interceptores Patriot por Estados da UE, com substituição financiada pelo empréstimo de 90 mil milhões de euros, e o fracasso dos ministros da Defesa europeus, em 28 de setembro, em chegar a acordo sobre mísseis adicionais. Os relatos contextualizam as declarações à luz da próxima reunião do Conselho Europeu, em 15 e 16 de outubro, e do inverno difícil que se avizinha. Uma fonte ucraniana (artigo 42463) acrescenta a caracterização, feita por Merz, dos ataques russos a infraestruturas civis como crimes de guerra, linguagem que outras peças em língua ucraniana não incluem.
Como o descrevem as fontes internacionais
A reportagem em inglês da agência do Azerbaijão centra-se de forma mais restrita na afirmação de Merz sobre as negociações para aumentar os fornecimentos de defesa aérea à Ucrânia, sem o contexto mais amplo presente na cobertura ucraniana — como as consultas europeias, o mecanismo do empréstimo de 90 mil milhões de euros ou o resultado do Conselho da UE de 28 de setembro. A abordagem internacional privilegia a diplomacia pessoal de Merz e o aviso sobre o inverno e os ataques a infraestruturas civis, dando menos destaque a calendários concretos de entregas alemãs ou ao mecanismo de transferência de Patriot.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre três pontos principais. Primeiro, diverge a questão de saber se Merz qualificou explicitamente os ataques russos a infraestruturas civis como crimes de guerra: uma versão atribuída a Merz inclui essa caracterização, enquanto outras versões das suas declarações não a referem. Em segundo lugar, a conferência de imprensa com Tokayev é apontada como tendo ocorrido numa "terça-feira" genérica pela maioria das fontes, mas uma fonte fixa a data em 29 de setembro. Por fim, no dossier das licenças de produção de Patriot, Zelensky afirmou que Trump tomou uma decisão final, enquanto Trump recusou confirmar esse entendimento.
Contexto
Merz fez as declarações numa conferência de imprensa conjunta em Berlim com o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev. O ministro dos Negócios Estrangeiros Johann Wadephul afirmou, na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa em Estrasburgo, que entregas de defesa aérea à Ucrânia poderiam vir de pelo menos mais dois países. A Alemanha está a iniciar a produção própria de mísseis Patriot, mas a produção só estará disponível no próximo ano. A 29 de setembro, Zelensky disse que a Ucrânia recebeu um pacote de mísseis para sistemas de defesa aérea NASAMS. A 25 de setembro, Zelensky afirmou que Trump tinha tomado uma decisão final sobre a transferência a Kyiv de licenças de produção de mísseis Patriot, mas o próprio Trump recusou confirmar.