Von der Leyen anuncia em Estrasburgo que a UE vai desenvolver com a Ucrânia um sistema de defesa antimíssil baseado no projeto Freyja
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, usou o discurso anual sobre o Estado da União, em 16 de setembro, para anunciar que a UE pretende desenvolver em conjunto com a Ucrânia um sistema modular e acessível de defesa antimíssil baseado no projeto Freyja. Anunciou também a criação de um novo programa de projetos conjuntos com empresas ucranianas financiado por verbas remanescentes do fundo SAFE e revelou que a UE aprovou, pela primeira vez, a aquisição de mísseis intercetores Patriot PAC-3 para entrega urgente à Ucrânia.
Pontos principais
- Von der Leyen proferiu o discurso anual sobre o Estado da União no Parlamento Europeu em 16 de setembro de 2026.
- Anunciou que a UE pretende desenvolver em conjunto com a Ucrânia um sistema modular e acessível de defesa antimíssil baseado no projeto Freyja.
- O objetivo declarado da cooperação é reduzir a dependência de um único fornecedor — identificado como os Estados Unidos — de sistemas de defesa antimíssil.
- A UE criou um novo programa de projetos conjuntos com empresas ucranianas, financiado com verbas não utilizadas do programa SAFE (Security Action for Europe), um fundo de defesa de 150 mil milhões de euros.
- Von der Leyen afirmou que a UE aprovou pela primeira vez a aquisição de mísseis intercetores Patriot norte-americanos (PAC-3, capazes de abater mísseis balísticos) e apelou à sua entrega urgente à Ucrânia.
- No desenho do projeto Freyja, a Ucrânia fabricaria os lançadores e os mísseis intercetores, enquanto os parceiros europeus forneceriam componentes como radares, sensores, sistemas de guiamento e eletrónica.
- Von der Leyen prometeu o apoio mais forte de sempre da UE à Ucrânia durante o que classificou como o inverno mais duro da guerra.
Porque é importante
O anúncio marca a primeira concretização de um sistema conjunto de defesa antimíssil UE-Ucrânia, destinado a reduzir a dependência de fornecedor único (os Estados Unidos) e a integrar a Ucrânia na base industrial de defesa europeia. Ao desviar verbas não gastas do SAFE — estimadas informalmente em cerca de 10 mil milhões de euros — para projetos com empresas ucranianas, Bruxelas efetiva a Ucrânia como parceira do esforço de defesa europeu. A decisão de comprar, pela primeira vez ao nível da UE, mísseis Patriot PAC-3 e de os enviar com urgência dá resposta à ameaça balística russa, num inverno que von der Leyen classificou como o mais duro da guerra e em que a UE teme uma nova vaga de ataques russos a infraestruturas energéticas.
O que aconteceu
No dia 16 de setembro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, dirigiu ao hemiciclo do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, o seu discurso anual sobre o Estado da União. Entre as medidas relativas à Ucrânia, anunciou: (1) a intenção de a UE desenvolver em conjunto com a Ucrânia um sistema modular e acessível de defesa antimíssil baseado no projeto Freyja; (2) o lançamento de um novo programa de projetos conjuntos com empresas ucranianas financiado pelas verbas remanescentes do fundo SAFE, estimado em cerca de 10 mil milhões de euros não gastos; (3) a aprovação, pela primeira vez pela UE, da aquisição de mísseis intercetores Patriot norte-americanos PAC-3, com entrega urgente à Ucrânia; (4) a promessa de um apoio europeu sem precedentes à Ucrânia durante o inverno mais duro da guerra. No desenho do Freyja, a Ucrânia produz os lançadores e os mísseis, enquanto os parceiros europeus fornecem radares, sensores, guiamento e eletrónica, numa arquitetura aberta.
Contexto
O projeto Freyja é um sistema de defesa aérea/antimíssil liderado pela empresa ucraniana Fire Point. O intercetor FP-7.x, testado em junho, tem cada lançador previsto para 4–6 mísseis, com um custo por unidade significativamente inferior ao dos intercetores Patriot e SAMP-T. A Fire Point reconhece, contudo, que o projeto continua altamente dependente de componentes ocidentais, incluindo documentação técnica de radares, sensores de infravermelhos e enlaces de dados. Em 6 de agosto, o cofundador e designer-chefe da Fire Point, Denys Shtilerman, anunciou a conclusão da primeira fase de "integração internacional" do projeto. A estimativa preliminar aponta para o primeiro protótipo no primeiro semestre de 2027. O SAFE é um programa da UE de 150 mil milhões de euros em empréstimos concessionais para defesa, do qual alguns Estados-membros não usaram a totalidade das verbas atribuídas — entre outros motivos, a Itália (cerca de 15 mil milhões de euros) e a Hungria (cerca de 16 mil milhões) ficaram aquém do esperado, e a Polónia contava poder aceder a fundos não gastos para os seus próprios projetos. Em 8–9 de setembro, o Presidente Volodymyr Zelensky encontrou-se em Noruega com responsáveis de empresas do ramo sobre o programa Freyja. Em 11 de setembro realizou-se em Bruxelas a reunião inaugural da Aliança de Drones UE-Ucrânia, reunindo nove empresas ucranianas e nove europeias. O discurso de von der Leyen não mencionou os ativos russos congelados, apesar das expectativas geradas em Bruxelas.